07/05/2012

Calamidade num dos "PIIGS"


                                          CALAMIDADE NUM DOS “PIIGS

Nova ordem mundial,
Ditadura dos Mercados…
Fica o povo muito mal,
Com os bens espoliados.

Ratings, manipulação…
E contratos duvidosos,
Trazem à população
Maus momentos, dolorosos.

A contenção de despesas
Faz travar a Economia,
Falta o pão sobre as mesas,
Algo que já se temia.

Sabotagem e subornos,
Com falências fraudulentas,
Estes são alguns contornos
De políticas pestilentas.

Ao povo e “autoridade”:
O trabalho e bem-estar
Não se obtém por piedade.
Vai ter que se conquistar!

Almada, dezembro de 2011
              Jorge Nuno

Soneto sobre "O Mundo Que Me Rodeia"

SONETO SOBRE “O MUNDO QUE ME RODEIA”


Mil anos de História, ai Portugal…
De honra, glória, gente firme no leme,
Gente valente, sã, que nada teme,
Capitula, adormecida, ao Governo e Capital.

Erro nosso p´lo voto útil, incerto?
Porque tem Democracia tais falhas?
Crê-se em homens, que viram canalhas,
E nos levam ao precipício perto!

Contra taxas, impostos… mais que o previsto,
Cortes, desemprego, privatizações…
Luto com a caneta, outra coisa nem me atrevo.

Não sei onde vai parar tudo isto,
Ao bando, com revolta, cito Camões:
“Que quanto mais vos pago, mais vos devo”!

Almada, Dezembro de 2011
Jorge Nuno

... E o Coelhinho Saiu da Toca!...

… E O COELHINHO SAIU DA TOCA!...

 … E o coelhinho saiu da toca!...
Podia ser este o princípio da história,
Mas vamos devagar… pois este será o fim
Em que sai aclamado… em louvores.
O coelhinho não saía da toca…
Teria medo de ser bem sucedido ou da vã glória?
Receios infundados do caminho, do capim?
Ou julgava-se incapaz de enfrentar os predadores?
Estava inseguro e insatisfeito com tal imagem,
Só via escuridão e uma ténue luz ao fundo,
Tinha sopros ao ouvido, mas faltava-lhe coragem.
Sem ousadia, não conquistaria o mundo!
Até que um dia, de forma inesperada e com garra,
Ao pensar saciar-se nas límpidas águas das fontes
O coelhinho rompeu a amarra
E resolveu rasgar horizontes.
Refeito do primeiro passo, hesitante,
Saltou, correu pelos verdes prados,
Descobriu um mundo extasiante
De experiências novas, criatividade e saberes partilhados.
Eufórico, vibrante, tenaz, capaz de tudo mudar,
O seu estado de alma – nunca antes se sentira assim –
Levou-o, candidamente, a pensar em voar!
Para isso, entendeu que bastaria um Plim!...
Como um toque de varinha mágica,
Eis que o coelhinho voava… voava…,
Sem se saber de onde vinha esta lógica.
Seria truque de cartola ou algo mais forte o elevava?
Não sei se por divinas centelhas…
Garanto: ninguém o puxou ou atirou pelas orelhas!

Tal como o coelhinho (que finalmente saiu da toca e até conseguiu voar!)…

Devemos ir atrás dos nossos sonhos
(Evitando a revelação a quem vive de pesadelos),
Acabar de vez com pensamentos tristonhos,
Criar uma bela aura sobre os nossos cabelos,
Tirar da gaveta projetos adiados,
Exorcizar os nossos fantasmas febris,
Deixar fluir as ideias, ser ousados,
Acrescentar à nossa história um final feliz!


                                                           Almada, 29 de abril de 2012

                                                            Jorge Nuno

06/05/2012

O Cozinhado


O COZINHADO

O chef , com o seu saber acumulado,
Seleciona os ingredientes a preceito,
E com a medida afinada de mão,
Mistura-os, agita-os ao lume, com jeito.
Adiciona azeite, alho e pimentão,
Acrescenta sal q.b.
E o cozinhado já se vê.
Com a apresentação… fica-se encantado!
Muitas vezes sai bem, outras nem por isso!…
(O “nem por isso”, muitas vezes, 
Só se vê ao levantar da tampa!)

O poeta sabe articular as palavras
E com idêntica experiente mão
Mistura, agita e até apimenta a escrita.
Faz tudo como de costume.
Talvez por não deixar marinar…
Algo agora não correu bem.
Saltou ao poeta a tampa
E viu-se logo que fez trampa!


                                                                         Almada, 4 de maio de 2012

Jorge Nuno
         (inspiração fulminante junto da estátua do Bocage, em Setúbal ;-)

Poema do Z

POEMA DO Z

Zoar, zigarear, zurraria,
Zurzir, zunido, zupar,
Zurzidela, zombaria,
Zombeteiro, zabumbar.

Zaragata, ziguezague,
Zuca, zoeira, zimbar,
Zumbar, zumbir, zorrague,
Zunzum, zurrada, zurrar.

Zurrar… zzzurrar… zzzzzzurrar…

Zélia, Zeca, Zoraida,
Zeferino, Zilda, Zaqueu,
Zeto, Zuzarte, Zaida,
Zacarias, Zabedeu.

Zara, Zelinda, Zulmira,
Zola, Zéfiro, Zitinha,
Zília, Zambujal, Zaira,
 Zé-Pereira, Zezinha.

Zíngaro, Zé-dos-Anzóis…
(…)

Zzzzzzz… Zzzzzzz… Zzzzzzz…

Zombies… zombies… zombies…

Zzzzzzz… Zzzzzzz… Zzzzzzz…

Zzzzacorda… Acorda Pov


Poema incluído no livro "As Animadas Tertúlias de Um Homem Inquieto", supostamente feito pelo Filó, personagem central do romance, 
publicado em 2013 pela 
Pastelaria Studios Editora [ISBN: 978-989-8629-25-8].

Almada, janeiro de 2012
 Jorge Nuno

Pintor Poeta / Poeta Pintor

Foto: Extraída de dialogostextuais.blogs.sapo.pt

Almada, 27 de abril de 2012

                                                                                  Jorge Nuno

Dizem que Sou...

Pintor Concentradíssimo (autorretrato). Óleo s/tela 60x40, Jorge Nuno (2011)

DIZEM QUE SOU…


Dizem que sou um poeta.
Apenas junto as letras,
Dando corpo aos textos,
Numa incessante luta
Com determinação e calma.

Dizem que sou um pintor.
Apenas junto as cores,
Dou a forma às telas
Realçando as coisas belas
Com o sentir da alma.

Dizem que sou um louco
Quem sabe… Serei mais um, inter pares
Num mundo que já o é.
Mas não pedirei inimputabilidade.
Assumirei o eterno inconformismo,
Manterei a indignação,
Não estarei no imobilismo,
Não pintarei de rosa o que negro é,
Não branquearei, com a caneta, a realidade.


Almada, 24 de abril de 2012

    Jorge Nuno