09/05/2012

Oração a Todos os Santos


ORAÇÃO A TODOS OS SANTOS

Nesta hora de angústia e sofrimento, invoco e peço a proteção divina para o coletivo e cada um dos portugueses:
- Santa Mónica, Santa Ana e Virgem Maria, protejam as mães aflitas que não têm que dar de comer aos filhos e dêem-lhes força e coragem para encontrar soluções;
- São Nicolau e Menino Jesus, amparem as crianças inocentes, vítimas da ganância e da estupidez humana;
- São Judas Tadeu, Santa Rita e Santo Expedito, porque há muito desespero e urgência em resolver problemas reais, ajudem nas imensas situações desesperadas e causas urgentes;
- Santa Edwiges da Silésia, protetora dos endividados, ajuda a encontrar uma saída rápida e eficaz a quem está nesta situação; 
- Rainha Santa Isabel, minha boa amiga, não quero que transformes qualquer coisa em pão para que o povo não passe fome, mas ajuda-nos a semear para ter o pão nosso de cada dia;
- São Dunstano de Cantuária, dá-nos as chaves para os problemas criados, estupidamente, por pseudo políticos ignorantes, incompetentes, corruptos, falsários e um punhado de especuladores sem escrúpulos;
- São Ferdinando III de Castile e Santa Agia, ajudem a criar magistrados corajosos, verdadeiramente independentes do poder político e económico, para que julguem e condenem os que, em proveito próprio, tanto mal têm causado aos outros;
- São Braz, afasta-nos da via do capitalismo selvagem, que parece querer conduzir a uma regressão ao século XVIII, que causa tanto desemprego, fome e induz a tanta desumanidade nas condições de trabalho das classes trabalhadoras;
- São Peter Claver, liberta-nos da escravidão dos vícios, mas acima de tudo liberta-nos da escravidão a que nos querem submeter;
- São Vicente de Paulo, livra-nos de sermos prisioneiros dos bancos e de outros interesses que nos tiram a alegria de viver    
- São Mateus e Santa Francisca Xavier Cabrini, dêem uma outra visão à gente das finanças, banqueiros, economistas, administradores e gestores, para que deixem de conduzir o país à ruína; 
- São João Bosco, mesmo sabendo que todos temos que ser aprendizes ou estagiar antes de exercer a profissão, ajuda os jovens que querem trabalhar, mas livra-nos dos aprendizes de política em tão altos cargos da nação;
- Santo Antão, afasta para longe os coveiros do país;
- São Bernardino de Siena, minimiza os jogos palacianos e de poder, para que o povo deixe de ser o eterno perdedor;
- São Gelásio e São Vito, dêem uma forcinha para que seja reduzido o número de deputados na Assembleia da República, pois são demais a denegrir a imagem benigna dos palhaços e dos bons comediantes;
- São Cristóvão, orienta-nos no caminho sinuoso que temos pela frente, conduzindo-nos a um final feliz;
- Santa Gertrude de Nivelle, espevita este povo acomodado, que aceita, candidamente e sem reação, todas as patranhas que lhe impingem;
- Santa Luzia, acaba de vez com a miopia deste povo e ajuda-o a enxergar melhor na hora de fazer as suas escolhas;
- Santo Egídio, faz o milagre de repor a amputada inteligência coletiva, que devia ser o motor do progresso e bem estar do povo;
- São Martinho e São Maximiliano Kolbe, o povo parece andar embriagado e drogado… dêem-lhe um pouco mais de lucidez, na hora da verdade e na sua labuta diária;
- Arcanjo São Miguel, dá-nos forças para as batalhas que temos pela frente, que só a luta já é uma vitória;
- São Francisco de Sales e São Tomé, porque o povo até parece que já perdeu a audição, peço-vos que o ajude a ouvir a voz da consciência individual (já que a coletiva ninguém quer saber), ajuda-o a refletir e a acreditar que há soluções;
- São Lucas, Santa Catarina de Bolonha, São Columbano e novamente São Francisco de Sales, porque esta minha oração é o meu “Sermão de Santo António aos Peixes” e porque se vão perdendo valores, como a noção do bem e do mal, ajudem-me a continuar a enviar mensagens das mais variadas formas, na pintura, na prosa, na poesia, para alertar consciências adormecidas;
- São Jerónimo e Santa “Sofia”, ajudem-me a ter a sabedoria e o conhecimento necessário para ser útil, mesmo em ambiente hostil, para ajudar a (re)construir o que parece irreparável;
- Arcanjo Gabriel, protetor dos carteiros, porque já desesperamos… traz-nos as boas novas que tanto ansiamos;
- São João Batista, tu foste profeta e falaste do prometido Messias, faz-nos acreditar num futuro mais risonho;
- São Francisco de Assis, Santa Genoveva, Santa Bárbara e São Floriano, preocupados em vida com a natureza, os desastres, os temporais, as inundações, invoco-vos para vos pedir ajuda e dizer que também eu me preocupo com isso. Cheguei a pensar que o mar estava a subir… mas afinal é o meu país que está a afundar.

O meu obrigado a Todos os Santos, pelas graças concedidas e a conceder, ofendido ao pensar em vós, pois estupidamente retiraram o feriado religioso com esse nome e ainda mais por eu ter presente o dito popular: a sardinha que foi levada pelo gato, já não volta!
Ámen ou Assim seja! (exceto a do gato, pois o gato que eu penso… come mais do que deve!)

Almada, 9 de maio de 2012
Jorge Nuno

08/05/2012

Uma Questão de Números (Ou Talvez Não)

UMA QUESTÃO DE NÚMEROS (OU TALVEZ NÃO)

Pelas duas horas…
Começa levemente,
Como que ao longe surjam ténues sons,
Qual folhear de uma árvore, soprada por brisa suave,
Que origina uma intensidade de som próxima dos 35 dB (decibéis).

À noite, o som assume proporções diferentes,
Parece que amplia para o triplo.
Às três, já começa a agonia.
Iniciado de forma indolente,
O número de decibéis aumenta exponencialmente.

Às quatro, já só penso em fugir.
Mas espero.
Com a aparente apatia, típica dos portugueses,
Demoro algum tempo a reagir.
Entretanto deliro…
Com a fórmula ou equação logarítmica
Da intensidade sonora.

Às cinco, ecoa na minha cabeça
Como uma maldição
Ou rugir de motores de avião.
O som passa para 125 dB,
O batimento cardíaco, muito intenso,
Vai nas 140 pulsações/minuto
E a sistólica dispara para os 195 mmHg.

Às seis, como que em simultâneo,
Racha o teto e abrem fendas no meu crânio.
Já não aguento mais!
Instantaneamente, sinto-me levitar.
Já não aguento mais o ressonar!
Em transe, acelero aos 160 km/h
E… mudo de cama!

                             Almada, 8 de maio de 2012
                                          Jorge Nuno

07/05/2012

Teias, Sonhos e Inquietações


TEIAS, SONHOS E INQUIETAÇÕES


Do big-bang à vida inteligente...

A teia do universo de saberes.
Teias, sonhos e inquietações.

São equilíbrios-desiquilíbrios,
Simbolismos e prazeres
Sensações, olhares e emoções,

Liberdade de criação
E diálogos de criatividade,
Expressividade mística ou não,
A desunião das coisas e a passividade.

Encontros e desencontros... do mito e da ciência.
Ciência com consciência? Inquietação.
Como ter clarividência?
Como juntar arquipélagos de saberes?
É o Homem em busca / construção.

O equilíbrio vital...
Comprometido pela inteligência da morte?
Contra a ilusão... o irreal
A resignação com a sua sina, a sua sorte.
O sentido da vida... religiosidade,
A busca contínua da felicidade.

Como partir as correntes
Que impedem a visão macro da vida?
Veremos só a nossa sombra?
Seres aprisionados que tais...
A guerra, violência, tirania e repressão,
A luta entre as pulsões fundamentais
De criação e destruição.

O inevitável conceito do belo
E a sua conversão no “acesso ao ser”,
Aristóteles, S. Tomás, Platão...
Aprendizagem estético-visual,
Percursos de criação e recriação
O que traz um bom augúrio...
Loucura de desdenhar do presente
Para ter esperança no futuro?


Arte e ciência... filhas da experiência
E do livre pensamento,
Contributos para modificar a consciência
E a forte vontade de descobrir mistérios...
O corpo como símbolo e identidade
E muitos, muitos ares sérios!
Questões ambientais, a terra e as gentes,
Ordenamento das cidades... que teia a deste esquema?
Olhares sobre as crianças,
Qual a chave para o problema?

De Da Vinci a criatividade e genialidade,
Desejoso de, em espírito, tudo transformar,
Sonhador que gostava mais do caminho que da chegada.
Sonho não é palavra vã!
Pedra Filosofal, Gedeão e o Poema a Galileu
(A quem Deus dispensou de buscar a verdade...).
Maria João Pires ao piano nos Noturnos de Chopin.
Paula Rego, A Presa e os medos,
Anne Frank e o seu Diário, Picasso e Guernica,
Pessoa no Livro do Desassossego e o poder de criar
Com a muleta da realidade.

A arte e a crítica, olhar a fotografia...
Tornar consciente o real.
Ligar cultura e lazer é arte... como na filatelia.
Pintar, escrever, inovar, criar...
Imaginação simbólica ou simplesmente imaginação.
Reconstruir história a partir dos sons...
Mesmo que ouçamos uma ave a piar!
Saber contemplar e estar de bem com a natureza.
Olhar as sucessões na natureza, que são algo enigmáticas...
Situações matemáticas, o mistério dos fratais,
O número e a razão na “divina proporção”,
O conceito de beleza nos fenómenos naturais.

Onde se vê desordem cósmica?
Não nos desgastemos em temores imaginários.
Há que participar com a serenidade dos justos!
Pela eterna vontade do conhecimento,
Reflexão... olhar estético e crítico na postura própria,
Humanização, sentir... e integração de saberes.
Descarregar de tensões e viver emoções.
Vazio não é certamente...
É manter vivo o sonho.
É conquistar sem atropelos.
É liberdade de pensamento,
É formação permanente,
É estar, é ser, é VIVER!

                                                                             

Almada, junho de 2000

Jorge Nuno


(“Relatório” de uma Ação de Formação intitulada “Cantos Interdisciplinares – diálogos de criatividade entre arte, humanidades e ciências através da pintura, literatura e música”)

Terapia de Choque


TERAPIA DE CHOQUE


Quando o teu corpo pede…
Evacuas, urinas, vomitas, arrotas
Ou libertas outros etéreos gases,
De forma silenciosa
Ou até mesmo ruidosa.
O alívio, pode não ser instantâneo,
Mas é seguro!

Quando o teu espírito anseia…
Porque não te livras, por fases,
Das mágoas que te consomem?
Evacua, natural e diariamente
Dizendo o que te incomoda,
O que vai na tua mente.
Urina, eliminado frequentemente
As impurezas que há em ti;
Vomita de vez em quando,
Com maior ou menor desconforto.
Expele o ar assombrado que te asfixia.
Liberta esses gases tóxicos, perigosos,
Que te turvam as ideias
E antecipam a tua partida.

Para viveres melhor o presente,
Recomenda-se, a partir de agora,
Os seguintes passos:
- Segue a tua intuição pessoal,
Com a cabeça fria e o coração quente;
- Não produzas e alimentes, dentro de ti,
Rancores desgastantes,
Com problemas mal resolvidos;
- Liberta-te dessas correntes amargas
E faz a paz com o teu passado;
- Reconcilia-te com os outros,
Mas essencialmente, contigo!
Verás que o alívio não é instantâneo,
Mas é seguro!


Almada, 5 de maio de 2012
Jorge Nuno

Calamidade num dos "PIIGS"


                                          CALAMIDADE NUM DOS “PIIGS

Nova ordem mundial,
Ditadura dos Mercados…
Fica o povo muito mal,
Com os bens espoliados.

Ratings, manipulação…
E contratos duvidosos,
Trazem à população
Maus momentos, dolorosos.

A contenção de despesas
Faz travar a Economia,
Falta o pão sobre as mesas,
Algo que já se temia.

Sabotagem e subornos,
Com falências fraudulentas,
Estes são alguns contornos
De políticas pestilentas.

Ao povo e “autoridade”:
O trabalho e bem-estar
Não se obtém por piedade.
Vai ter que se conquistar!

Almada, dezembro de 2011
              Jorge Nuno

Soneto sobre "O Mundo Que Me Rodeia"

SONETO SOBRE “O MUNDO QUE ME RODEIA”


Mil anos de História, ai Portugal…
De honra, glória, gente firme no leme,
Gente valente, sã, que nada teme,
Capitula, adormecida, ao Governo e Capital.

Erro nosso p´lo voto útil, incerto?
Porque tem Democracia tais falhas?
Crê-se em homens, que viram canalhas,
E nos levam ao precipício perto!

Contra taxas, impostos… mais que o previsto,
Cortes, desemprego, privatizações…
Luto com a caneta, outra coisa nem me atrevo.

Não sei onde vai parar tudo isto,
Ao bando, com revolta, cito Camões:
“Que quanto mais vos pago, mais vos devo”!

Almada, Dezembro de 2011
Jorge Nuno

... E o Coelhinho Saiu da Toca!...

… E O COELHINHO SAIU DA TOCA!...

 … E o coelhinho saiu da toca!...
Podia ser este o princípio da história,
Mas vamos devagar… pois este será o fim
Em que sai aclamado… em louvores.
O coelhinho não saía da toca…
Teria medo de ser bem sucedido ou da vã glória?
Receios infundados do caminho, do capim?
Ou julgava-se incapaz de enfrentar os predadores?
Estava inseguro e insatisfeito com tal imagem,
Só via escuridão e uma ténue luz ao fundo,
Tinha sopros ao ouvido, mas faltava-lhe coragem.
Sem ousadia, não conquistaria o mundo!
Até que um dia, de forma inesperada e com garra,
Ao pensar saciar-se nas límpidas águas das fontes
O coelhinho rompeu a amarra
E resolveu rasgar horizontes.
Refeito do primeiro passo, hesitante,
Saltou, correu pelos verdes prados,
Descobriu um mundo extasiante
De experiências novas, criatividade e saberes partilhados.
Eufórico, vibrante, tenaz, capaz de tudo mudar,
O seu estado de alma – nunca antes se sentira assim –
Levou-o, candidamente, a pensar em voar!
Para isso, entendeu que bastaria um Plim!...
Como um toque de varinha mágica,
Eis que o coelhinho voava… voava…,
Sem se saber de onde vinha esta lógica.
Seria truque de cartola ou algo mais forte o elevava?
Não sei se por divinas centelhas…
Garanto: ninguém o puxou ou atirou pelas orelhas!

Tal como o coelhinho (que finalmente saiu da toca e até conseguiu voar!)…

Devemos ir atrás dos nossos sonhos
(Evitando a revelação a quem vive de pesadelos),
Acabar de vez com pensamentos tristonhos,
Criar uma bela aura sobre os nossos cabelos,
Tirar da gaveta projetos adiados,
Exorcizar os nossos fantasmas febris,
Deixar fluir as ideias, ser ousados,
Acrescentar à nossa história um final feliz!


                                                           Almada, 29 de abril de 2012

                                                            Jorge Nuno