07/06/2012

Bô! Com possível tradução


BÔ! Com possível tradução [a amarelo]

Bô! As castanhas são folecras e estão bichotas! Não dão para fazer bilhós!...
Bô! As castanhas são pequenas e estão com bicho! Não dão para as guardar sem casca!...
Bô! Onde andavas tu, que deixaste as cabras ceibarem-se no pão?
Bô! Onde andavas tu, que deixaste as cabras esgueirarem-se para o campo de trigo [ou centeio]?
Bô! Estás a deixar esfurgalhar o folar pró chão!
Bô! Estás a deixar cair as migalhas do folar para o chão!
Bô! Olha… Esbaragou na fraga, espanzou-se e vem agora em coximpé!
Bô! Olha... Escorregou no pedregulho, caiu desamparado e vem agora a andar apenas num pé!
Bô! Este reco esfuinchou-se aqui mesmo ao pé da gente!
Bô! Este porco largou uns gases mal cheirosos aqui mesmo ao pé da gente!
Bô! Ele quando for estudar para Bragança bem espabila! Fica guicho!
Bô! Ele quando for estudar para Bragança bem espevita! Fica esperto!
Bô! Dei-lhe cá umas galdrochadas que o deixei a cuincar!
Bô! Dei-lhe umas batidelas com um pau que o deixei a ganir!
Bô! O que tu queres é andar de landó!
Bô! O que tu queres é andar de cu tremido!
Bô! Deste com um lafrau, aldrúbias e já foste langrado!
Bô! Deste com um espertalhão, intrujão e já foste enganado!
Bô! Ele não passa fome, está bem cebado!
Bô! Ele não passa fome, está bem gordo!
Bô! Ele quando começa a licantina… o pessoal desanda!
Bô! Ele quando começa a lenga-lenga [a retórica]... o pessoal vai-se embora!
Bô! Não foste tu que o estiveste a aperriar, or não?
Bô! Não foste tu que o estiveste a insultar [publicamente], pois não?
Bô! Non dá a mocha para a cornuda!
Bô! O trabalho não dá lucro [são maiores as despesas do que a receita]. (Expressão usual na linguagem dos pastores)
Bô! Não me quis dar nem um cibinho de chicha, mas atirei-me aos chorelos fritos!
Bô! Não me quis dar nem um bocadinho de carne, mas atirei-me aos carapaus fritos!
Bô! Estava porrancho no rio e uma abéspera picou-o?
Bô! Estava despido no rio e uma abelha [vespa] picou-o?
Bô! E ele aciroulou com ela atrás da fraga?
Bô! E ele teve relações sexuais com ela atrás do rochedo? [forma maliciosa de abordar a questão]
Bô! Os caretos estavam a ahuhiar?… ai que assim se m’assustava!
Bô! Os mascarados estavam aos gritos [prolongados e estridentes]?... assim, eu bem apanhava um susto!
Bô! O povo é muito abechoto, nem se mexe quando pisa um belouro!
Bô! O povo é muito passivo [calado, pouco lúcido], nem se mexe quando pisa um excremento humano!
Bô! Este poeta pode estar com mesunhices, a contrapiar ou a atesoar ou então é um estoubado de um parachismeiro, que anda sempre na jarolda, porque isto não é um poema!...
Bô! Este poeta pode estar com jeitos amaneirados [cortesias desnecessárias], falar por enigmas [em código] ou a provocar ou então é um indivíduo sem juízo, que anda sempre na brincadeira, porque isto não é um poema!...


Obs.: A interjeição bô! é caraterística da região de Bragança e é usada correntemente com o significado de espanto, admiração, surpresa. 

29/05/2012

Bô!


BÔ!

Bô! As castanhas são folecras e estão bichotas! Não dão para fazer bilhós!...
Bô! Onde andavas tu, que deixaste as cabras ceibarem-se no pão?
Bô! Estás a deixar esfurgalhar o folar pró chão!
Bô! Olha… Esbaragou na fraga, espanzou-se e vem agora em coximpé!
Bô! Este reco esfuinchou-se aqui mesmo ao pé da gente!
Bô! Ele quando for estudar para Bragança bem espabila! Fica guicho!
Bô! Dei-lhe cá umas galdrochadas que o deixei a cuincar!
Bô! O que tu queres é andar de landó!
Bô! Deste com um lafrau, aldrúbias e já foste langrado!
Bô! Ele não passa fome, está bem cebado!
Bô! Ele quando começa a licantina… o pessoal desanda!
Bô! Não foste tu que o estiveste a aperriar, or não?
Bô! Non dá a mocha para a cornuda!
Bô! Não me quis dar nem um cibinho de chicha, mas atirei-me aos chorelos fritos!
Bô! Estava porrancho no rio e uma abéspera picou-o?
Bô! E ele aciroulou com ela atrás da fraga?
Bô! Os caretos estavam a ahuhiar?… ai que assim se m’assustava!
Bô! O povo é muito abechoto, nem se mexe quando pisa um belouro!
Bô! Este poeta pode estar com mesunhices, a contrapiar ou a atesoar ou então é um estoubado de um parachismeiro, que anda sempre na jarolda, porque isto não é um poema!...

Bragança, 29 de maio de 2012

Jorge Nuno

24/05/2012

Ensaio sobre a Aplicação do Novo A.O.



ENSAIO SOBRE A APLICAÇÃO DO NOVO A.O.

Ortografia… quem diria, polémico tema!
Metade protesta, contesta, em defesa da conservação,
Em desacordo com o novo acordo.
Para outra metade, bater-se é o lema,
Pugnando pela sua alteração.
Quer-se um código ortográfico único
Válido para todo o espaço lusófono.
Entende-se a pertinência da questão,
Não só pelo interesse dos editores brasileiros.
Dizem que há o prestígio da língua e a até a sua expansão!...
Como se se tratasse de um produto exportável (?)
Para compensar a redução da exportação de cortiça e conservas!
São tantas as patranhas… esta é mais em uma que caio.
Contextualizado, vamos então ao pequeno ensaio!

O primeiro-ministro está rijo que nem um pero!
Otimista, parece estar num mundo mais-que-perfeito,
Que afinal também é cor-de-rosa.
Alguns pensam que ele é ultrassensível,
E até, pasme-se, ultrarromântico!
Está em autoaprendizagem e tem superproteção.
Mas o país está ao deus-dará e ele a ficar malvisto…
Há quem diga que foi bem-criado e que agora é malcriado,
Toma medidas a conta-gotas e o país na bancarrota.
Tomou medidas antissociais e acabou-se o pé-de-meia,
Vai ao bolso do contribuinte, com retroatividade.
São medidas antieconómicas, mas não anti-inflacionárias,
Com ministros que dão contraordens, coautores de asneira.
Com ajuda desta escrita excecional, já nem se sabe o que preveem.
Podem fazer um autorretrato, mas ficam mal no porta-retratos!

Quanto aos portugueses… já não creem nem descreem,
Mesmo naquilo que veem ou no que leem,
Pouco lhes importa se são bem-mandados ou malmandados.
Mostram pouco afeto, ainda que alguns tenham um teto.
É alarmante a fome e o número dos sem-abrigo.
É um problema do arco-da-velha, com ou sem subjetividade.
E o povo continua a ir na lenga-lenga…
Toca reco-reco e papa-hóstias (não que seja antirreligioso!).
É incapaz de autoafirmar-se e perdeu a autoestima.
Não há mesmo contraofensiva neste microssistema!

Posso ser um neoexpressionista, com minicurrículo,
Não sou antipatriota e nem estou mal-humorado,
Sou capaz de bem-dizer… o que para outros é maldizer.
Posso ter muitas dúvidas, mas sei neste exato momento:
- Que estamos a perder o comboio, como o comboio perdeu o acento,
- Sei que o meu gato Jacob, também se pode chamar Jacó,
- E sei também, perentoriamente, que na corrupção não se mexe,
Porque os corruptos continuam, debaixo da bandeira desfraldada ao vento!

Bragança, 24 de maio de 2012
Jorge Nuno

20/05/2012

Agora Sim!


Foto: Extraída de http://www.fotosearch.com.br/fotos-imagens/rel%C3%B3gio.html


Quando o coração está bem orientado a vida pessoal é cultivada. Quando a vida pessoal é cultivada, a vida a casa está regrada. Quando a vida da casa está regrada a vida nacional está em ordem. Quando a vida nacional está em ordem, o mundo está em paz.



Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.)

Filósofo chinês, sublinhou o papel da moralidade pessoal e governamental, também os procedimentos corretos nas relações sociais, a justiça e a sinceridade.


Agora Sim!



O céu apresenta sucessivas nuances.

De rosa passa a cinza,

Passando pelo escuro carregado.

Eis que surgem os tons laranja-âmbar,

Próprios da refração da luz, em fim de tarde.

Agora sim! Paira no ar natural expetativa.

Já se sente uma imensa alegria de viver.

Com toda a máquina bem oleada… agora sim!

- Os senhores do Tribunal Constitucional

Não deixam passar inconstitucionalidades,

Acabando com a ideia da letra morta;

- Os senhores da bandeirinha na lapela

Sabem o rumo, e de forma exímia,

Navegam a toda a força, para salvar o país;

- Os senhores deputados da Nação

São o motor do progresso;

- Os senhores das entidades reguladoras,

Finalmente regulam os seus setores;

- Os senhores dos “polvos”

Respondem pelos crimes e

Já não há Tomazes na Presidência…



Agora Sim! Há motivos para grandes festejos!

- Os problemas socias estão resolvidos;

- Foi reposto o produto do roubo

Nos subsídios e salário;

- Os impostos agora são justos

E não há exceções quanto àquele

Que se diz ser solidário;

- Os trabalhadores já não caem

No conto do vigário;

- O serviço prestado aos doentes

Foi melhorado;

- O valor do trabalho

Cada vez mais respeitado;

- Há pão sobre as mesas

E muitos rostos risonhos…



Trrrrriiiiiimmmmmm……



Acordo estonteado!...

Desfiro um tremendo murro no relógio

E escavaco-o todo!

Não, não sou pessoa com mau feitio, a sério!

Não aceito é que me estraguem os sonhos!



© Jorge Nuno (2013)