19/06/2012

Poem for the English to see (Poema para Inglês ver)




POEM FOR THE ENGLISH TO SEE
(Poema para Inglês ver)

You know, my friend, you certainly do!...
Our countries have something in common in the Guinness.
I mean the world’s oldest diplomatic allegiance.
Which dates back to the war of Aljubarrota, fought against Castela!
You also know that since then not everything has been a bed of roses.
There have been clever opportunistic men in this country,
Wanting to connect Angola and Mozambique
And they called it the pink map.
Your ultimatum called them to reason and put an end to their plan
(no wonder, you owned the world’s biggest Empire!)
That Allegiance and the African colonies forced us into a World War
Against the German expansion,
Taking the lives of 10.000 Portuguese citizens.
Putting that aside and forgetting the competition for global economic interests.
Today, there’s the sun and the beaches in the Algarve,
The tourism and hotel business,
In the most representative Portuguese places,
Nightlife, beer, plenty of beer and football!
Perhaps I didn’t like you that much…
And I criticized you, I called you conservative for keeping the pound.
 Damn… you surely were right!

Bragança, 17 de junho de 2012
Jorge Nuno

Quadra, sem título


Loucura, antecâmara da genialidade?
Não me importaria de assumir a loucura.
Porque, louco, entrava na imortalidade,
Ultrapassando, assim, a vulgaridade pura!

In As Animadas Tertúlias de um Homem Inquieto, de Jorge Nuno, 
p.28, ISBN 978-989-8629-25-8 , 1.ª ed. 2013

Ai...



                                                      AI…

Ai… se El-Rei D. Dinis tivesse gira-discos!…
Passava a todo instante a sua poesia trovadoresca.
- Seu grande sucesso na altura -
No único vinil riscado…
 “Ai, Deus, e u é?”... “Ai, Deus, e u é?”... “Ai, Deus, e u é?”...

Ai… se o Camões tivesse telemóvel…
Passava o dia a falar, em tarifário TAG,
Com a casada e adorada Violante,
Com a idílica Dinamene,
Com um vasto rol de damas da corte e plebeias
E até com as suas Tágides e Nereidas,
Não tendo tempo para escrever “Os Lusíadas”…
Para regalo dos estudantes!

Ai… se o Bocage tivesse webcam!…
Passava o dia a observar as damas da corte,
Em poses íntimas, em jardins palacianos.
Não lhe faltariam argumentos…
Mas ficaria sem tempo para versejar,
Coisas sérias ou brejeiras!

Ai… se o Drummond tivesse iPad!…
Seria um relâmpago a divulgar “A Revista”,
O “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”
E o “Movimento Modernista”!
Virava as costas aos jesuítas,
Era mais cedo cidadão do mundo,
E ficava logo com as obras pirateadas!

Ai… se o Pessoa tivesse Facebook!...
Fazia logo convite aos heterónimos,
Punha em rede, a comunicar em chat,
O Alberto Caeiro, o Ricardo Reis e o Álvaro de Campos,
E o ortónimo Pessoa ia para os copos, na Brasileira!

Ai… se o Mário Viegas tivesse videojogos!...
Não jogava tão bem com as palavras,
Já não se lhe ouvia a “Cantiga dos Ais”…
Tão bem escrita por Armindo Mendes de Carvalho:
“(…) Ai os ais de tanta gente…
Ai que já é dia oito
Ai o que vai ser de nós”!

Ai… se o Saramago tivesse megafone!...
Nem esperava, viria mesmo agora do além!
Invadiria as Rádios, TV´s, Tablets e PC’s…
E das grandes avenidas ao interior do país,
Berraria bem alto, para finalmente acordar…
E desassossegar o povo!

Ai… se eu tivesse Karaoke!...
Depois de cantar mais de uma dúzia de vezes,
Mesmo com voz desafinada…
“Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai se eu te pego”
Mas com animação tremenda,
Passaria o resto da vida
A escrever exclusivamente poesia alegre!
Por isso é que eu não tenho sistema de karaoke!

            Bragança, 19 de junho de 2012
                        Jorge Nuno

Uma Poderosa Mão


UMA PODEROSA MÃO

Uma poderosa mão, dá!
Uma poderosa mão, tira!
Oh ilusão
De quem se julga com poder,
Que o recebendo dessa mão poderosa,
Iludido, não reconhece,
Que se não fizer bom uso do poder,
Não vai conseguir justificar-se,
A quem lhe estendeu a poderosa mão!

Bragança, 19 de junho de 2012
                Jorge Nuno

18/06/2012

Mais poemas, não! Que chatice!


Foto "MostrarImagem.php", de projetoelos.com.br


 Mais Poemas, não! Que chatice!

 Ai, mais poemas, não!... Que chatice!
Porquê as rimas, quadras, sonetos, écoglas, odes,
Tenções, pranto, lais, gestas e até cantigas de vilão…?
Porquê a poesia existencial, lírica, social e até mística?
Abordar o amor… amor… amor…
Como tanta gente faz!
Ou cantar a Natureza, as crianças, os animais,
A alegria, a gratidão, a bondade, a felicidade,
A fé e a divindade, numa poesia celestial infinita,
Ficando de paz com os anjos e com os homens!
Sei que o mau-humor não modifica a vida.
Que a minha irritação não resolve problemas.
Sei que a minha dor não impedirá que o sol brilhe,
Nem a minha tristeza iluminará caminhos!
Lembro-me da oração de S. Francisco,
Das sábias palavras de Gandhi,
De Madre Teresa, de Luther King…
E do efeito das do Zeca, em tempos de escuridão.
Mas porque sei que o grito que espalho é paz que sinto,
Mesmo que me afaste dos homens,
Porque não admito a supremacia do mal
E porque a sensibilidade me agita…
Raios… mais poemas, sim!

Bragança, 18 de junho de 2012
Jorge Nuno

In "Horizontes da Poesia IV", Coletânea 2012, Ed. Joaquim Sustelo. ISBN978-989-95626-8-4

17/06/2012

Dores de Parto


DORES DE PARTO

Oh poesia do desassossego…
Que, sendo homem,
Me provocas dores de parto!
Agora vejo porque tenho tantos filhos!...
Não me deixas dormir de noite!

Bragança, 17 de junho de 2012
    Jorge Nuno

16/06/2012

Abrenuntio Satanae! (Ou o Poema do AB)


ABRENUNTIO SATANAE! (OU O POEMA DO AB)

Povo absorto, pareces abajoujado…
Precisas de um abanão! Abalança-te!
Há abandalhamento do teu país
E tu abandonaste o teu posto de vigia!
Não vês que para uns é abastança
E para outros é abastardamento?
Não te sentes abatido com isso?
Eu sei que o abcesso é profundo…
O pus virulento alastrou e decerto te abalou.
É que tu abdicaste…
E a abdominia dos graúdos instalou-se,
Abocanhando o que deixaste abocanhar!
E não digas que te estou a abesoirar!...
Para que saias, em absoluto, da abstinência
E tenhas um pouco mais de abundância,
Renuncia à abstenção!
Deixa de andar abstrato…
Pois é absurda essa atitude.
Acaba de vez com os abutres,
Senão isto não abranda.
Reconheces que há diferenças abismais entre ti e eles!
Podem não parecer, mas sabes que eles são gente abjeta,
Abalroam a tua casa e levam os teus bens,
Ficando tu um sem-abrigo
E eles com os bolsos a abarrotar!
E pior, abastecem-se quanto e quando querem!
Aqui, a abnegação é o desapego, a renúncia.
Não abdiques dos teus valores.
Não deixes que haja abolição dos seus crimes.
Age, tem abertura mental.
Lembra-te do abraço fraterno ao cantar a Grândola.
Precisamos doutra abrilada
Para abrilhantar a mudança.
És um povo abençoado,
Podes ter o céu aberto,
Mas assim não há absolvição!
Não abrandes o passo…
Deixa esse ar de queixume silencioso e aborrecido
E faz a abordagem correta ao problema,
Porque viste que isto não vai lá com abaixo-assinados!
Decididamente, abre a boca, mesmo de forma abrupta ou abrutalhada.
Mexe-te, atua, abana-os… que estando podres caem.
Faz abortar os projetos mafiosos
Senão eles, definitivamente, abotoam-se com tudo!
(Abrenuntio Satanae!)

Bragança, 16 de junho de 2012
              Jorge Nuno