11/07/2012

Os Medos


OS MEDOS

Medo do escuro
Medo do papão
Medo do lobo mau
Medo do homem do saco
Medo de não agradar
Medo de não ser capaz
Medo da tentação
Medo de ousar
Medo de atuar
Medo da verdade
Medo do futuro
Medo de amar
Medo de arriscar
Medo do ridículo
Medo do passado
Medo de não concluir projetos
Medo de não arranjar emprego
Medo de casar
Medo de fracassar
Medo de desiludir
Medo de investir
Medo de si próprio
Medo da própria sombra
Medo de perder o emprego
Medo de ter filhos
Medo da crítica
Medo da multidão
Medo de sair de casa
Medo de ficar em casa
Medo de ficar sem casa
Medo do medo que nos querem impor
Medo de lutar
Medo das doenças
Medo da solidão
Medo da velhice
Medo da morte
Medo dos fantasmas
(…)

Rejeitemos
Os pesadelos de uma noite
Revividos a vida inteira!

Exorcizemos
Os nossos fantasmas internos
Que nos escravizam a vida inteira!

Lutemos
Contra o fantasma do medo
E, libertos, viveremos
O que resta da nossa vida!

Almada, 11 de Julho de 2012
             Jorge Nuno

O Ato da Criação e a Genialidade


 
Foto: Extraída de http://www.oktiva.net/oktiva.net/1209/nota/160898


O ATO DA CRIAÇÃO E A GENIALIDADE

A mente tranquila, relaxada,
Acede à fonte de inspiração,
Escuta a voz interior
E dá-se início ao ato da criação.

Inconsciente
E consciente,
Independentes,
Numa ação cooperativa
Fazem surgir a ideia criativa.
O inconsciente
Origina-a.
O consciente
Reconhece-a.
O inconsciente
Protege-a.
O consciente
Valida-a (ou rejeita-a).

A meditação
Favorece a criatividade
Manifestada na poesia e pintura.
As atividades criativas
Como a poesia e a pintura
Favorecem a meditação.

Neste intrincado, mas explicado,
Ciclo vicioso e viciante
(Pelo gozo da viagem)
Ao deixar-se a expressão
Escrita e plástica jorrar,
Esta assume o controlo
E ganha forma de realidade.
Mas ainda resta a dúvida!...
Seja ou não reconhecida…
De onde vem a genialidade?

Almada, 10 de Julho de 2012
           Jorge Nuno

10/07/2012

Bênçãos


Foto de Jorge Nuno (2012), Fachada principal de igreja ortodoxa em Tallinn, Estónia.

 

BÊNÇÃOS

Com a bênção da contemplação,
Sinto o fogo da vida
No ato de meditar.

Com a bênção da oração,
Sinto o fluxo da vida
No ato de respirar.

Com a bênção do coração,
Sinto a força da vida
No ato de amar.

Com a bênção da inspiração,
Sinto as dádivas da vida
No ato de criar.

Com a bênção da criação,
Sinto as alegrias da vida
No ato de partilhar.


Almada, 10 de Julho de 2012
            Jorge Nuno


In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012).
ISBN: 978-989-680-078-9 

09/07/2012

A Mente e os Sonhos



 Foto de Jorge Nuno (2012), Saída do Cais de Helsínquia, Finlândia.

A MENTE E OS SONHOS

Tenho uma vida cheia
Feita de sonhos lindos!
Os que ficaram pelo caminho
(Agora sei porquê!...)
Não mereciam ser sonhados!
Com erros e sucesso
Aprendi a orientar a mente,
A projetar e aceitar
Os sonhos alcançáveis.

Hei de continuar a sonhar,
Com enfoque no presente.
Não quero viver para um futuro
Projetado de belos sonhos
(Cruéis, por não realizáveis!...)
E esvaziar o presente,
Fazendo dele uma vida cheia
Feita de sonhos vazios!

Almada, 9 de Julho de 2012
           Jorge Nuno

08/07/2012

Não Há Fórmulas Mágicas


NÃO HÁ FÓRMULAS MÁGICAS

Em estado meditativo
Procuro não pensar.
Apenas procuro manter a mente
Silenciosa, em consciência desperta,
Sem ideias preconcebidas,
Sem um objetivo definido,
Sem metas a alcançar,
Sem distrações externas...
Não sei se iludo os sentidos…
Apenas deixo a mente
Funcionar livremente,
Evadindo-me da prisão do meu corpo.
Todo o meu ser medita e flutua.
Aumento a leveza interior,
Reduzo a zero
As sensações desagradáveis,
Carga pesada do quotidiano,
E atinjo um equilíbrio
A cheirar a paz.

Aos poucos vou descobrindo…
Que o papel que desempenho
Depende de mim,
Que não há fórmulas mágicas,
Ou se as houver…
Terei que as procurar 
E descobrir sozinho!

Almada, 8 de Junho de 2012
              Jorge Nuno

Desejos Insaciáveis


 Foto de Jorge Nuno (2012), Cadeados, Vilnius, Lituânia.


DESEJOS INSACIÁVEIS

Na ilusão,
Andamos… corremos na vida,
Numa procura incessante
De atingir desejos insaciáveis.
Como se o êxito
Seja a expressão máxima do ser,
E atestar o depósito de esperança
A melhor forma de o alcançar.

Na ilusão,
Esquecemo-nos, facilmente,
Que nessa procura incessante
Apenas atravessamos desertos
Em busca de uma miragem.

Com lucidez,
Continuemos a procura incessante
De alcançar os legítimos desejos:
Os que são superáveis,
Os que são saciáveis.
E afastaremos, temporariamente,
A sombra da infelicidade,
Que por esta via
Tanto teima em nos acompanhar!

Almada, 8 de Julho de 2012
            Jorge Nuno

06/07/2012

Aviso à Navegação


AVISO À NAVEGAÇÃO

Eu procuro
Ser faroleiro e farol,
Ser luz e ser aviso,
Ser aviso à navegação
Em tempos de escuridão.

Tanto mar…
Tanta gente…
Tanta gente muda…
Tanta gente muda à deriva,
Guiada por cegos e surdos…
E tanta gente a naufragar!...

Hei de continuar a procurar
Ser luz e avisar
Na esperança de alcançar
Os incautos navegantes!

Coimbra, 5 de Julho de 2012
              Jorge Nuno