16/07/2012

Cultivo da Alegria


Foto: Extraída de plantas-jardins.blogspot.com


CULTIVO DA ALEGRIA

Se eu cultivar…
Uma atitude de alegria interior,

Se eu a regar…
Com energia positiva e substrato de amor,

A hora da colheita está a chegar…
E não me faltará, para distribuir, milhões de sorrisos
E em cada sorriso uma flor!

Almada, 15 de julho de 2012
            Jorge Nuno

In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012).
ISBN: 978-989-680-078-9 

15/07/2012

Viagem Intergalática


VIAGEM INTERGALÁTICA

Avisto ao longe a supergigante Bételgeuse,
E os distantes e monstruosos quasares.
Vejo rastos da implosão de outra estrela gigante,
Dando origem, com a matéria, a uma nebulosa
E à formação de mais uma supernova.
Uma anã branca acaba de se tornar visível…
Até um dia que a parceira se torne gigante vermelha!...
São estrelas a morrer para dar vida a outras!
Vejo o espetacular efeito visual de biliões de galáxias,
Umas elípticas, outras com os seus braços em espiral.
Vindo de Andrómeda, passo pelas Nuvens de Magalhães
E aproximo-me da nossa Via Láctea!

Já estou com vontade de regressar! …

Já estou com vontade de regressar…
A um país bendito, maravilhoso…
Com orçamento, anualmente retificado,
Que é um imenso buraco negro
Fazendo dos muitos mil milhões um eclipse.
Um país onde há muita estrela cadente.
Estrelas, sem estilo, que passam como cometas.
Estrelas, sem brilho, que se julgam galáxias.
Satélites naturais, a resplandecer com o brilho de outrem.
Um país que em ebulição, tem muita gente
A lembrar "quarks", por formarem protões
E neutrões, como partículas a chocar,
Incessantemente, sem parar,
Agitadas umas contra as outras.
E uma classe política que se julga dona do Universo
E maravilha a vida do povo com uma nebulosa.
Uma classe atenta, que age com acuidade,
Que governa orientando-se pela estrela Polar
E que se governa consultando o Zodíaco.
Que apesar da sua visão a anos-luz da realidade,
Tudo vai fazendo, de forma diligente e à velocidade da luz
Para aumentar o número de pobres e sem-abrigo,
Na expectativa de estes poderem esquecer
A decadente e promíscua vida mundana
E garantir-lhes o elixir da eterna felicidade
Ao sentirem na face os ventos solares,
Observarem no horizonte a refração da luz,
E, com sorte, à noite, a aurora boreal,
As diversas fases da lua e os movimentos das marés,
A iluminação dos céus com uma chuva de meteoritos
E a contemplação, única, das verdadeiras estrelas no céu!

Quando finalmente chegar ao meu país,
No exercício de plena cidadania ativa,
Irei sugerir a substituição de computadores Magalhães
Por telescópios, mesmo de média potência,
Para os atingidos por estas medidas de eterna felicidade
(Verdadeiros laboratórios de Ciência-Viva)
Pedirem a equivalência a doutorados em Ciência
E engrandecerem o país com a magia da Astronomia!

Algures nas Nuvens de Magalhães, 14 de julho de 2012
     (sem indicação do ano estelar, por falta de pilha)
                                 Jorge Nuno

14/07/2012

A Margem do (Des)Equilíbrio


Foto: Extraída de http://www.123rf.com/photo_5586373_a-large-group-of-red-convertible-toy-cars-going-in-one-direction-with-a-single-car-going-in-the-oppo.html



A MARGEM DO (DES)EQUILÍBRIO

Baloiço-me no romantismo emotivo
E crio impulso para chegar
À outra margem – a do equilíbrio –
Sabendo que é ousadia arriscar,
Como é ousadia continuar
Neste desequilibrado mundo.

Mas como qualquer criativo,
Hei de chegar à outra margem,
Nem que tenha que abdicar
Do romantismo emotivo…
E já ciente do meu corpo e sentidos,
Hei de encontrar solução
Para me equilibrar e manter equilibrado
Neste desequilibrado mundo.

E quando já estiver equilibrado…
Pela adrenalina em aceleração,
De vidros abertos e olhos fechados,
Com alta música a tocar,
Carregando prego a fundo…
Será um louco prazer viajar
Na autoestrada dos desequilibrados,
Com a pura e estranha sensação
De ser diferente neste estranho mundo
E movimentar-me em contramão!

Almada, 14 de julho de 2012
            Jorge Nuno

Poema declamado por Joaquim Sustelo, na Rádio Horizontes da Poesia, mais tarde convertido em vídeo por Cida Vasconcellos. 
Poema publicado no livro "Horizontes da Poesia IV", Coletânea 2012, edição de Joaquim Sustelo. ISBN: 978-989-95626-8-4

13/07/2012

O Ego Brinca Comigo

Foto de Rafael Nuno (2012), com Jorge Nuno no lançamento do livro "Ocultos Buracos"


O EGO BRINCA COMIGO

O ego brinca comigo
Quando me acho vulneravelmente forte.
Mete-se em tudo e desorienta-me!
Eu tento trocar-lhe as voltas…
E digo-lhe, meio em tom de brincar:
Não vou aceitar manipulações!

O ego brinca comigo
Quando me acho vulneravelmente fraco.
Mete-se comigo e atormenta-me!
A mente dá voltas e mais voltas…
E digo-lhe, sem vontade de brincar:
Não vou pactuar nestas condições!

E neste trôpego balancear
Entre vulneravelmente forte e fraco,
Ambos sinais de fraqueza,
Implacável na honestidade
Crio a minha fortaleza,
Parto em busca da verdade…
E está na hora de dizer a sério
Que vou mandar o ego brincar com outro!

Almada, 13 de julho de 2012
            Jorge Nuno


12/07/2012

O Meu Espelho Tem Razão!


 Foto: Jorge Nuno no 4.º Encontro de Poetas de Horizontes da Poesia (2012)

O MEU ESPELHO TEM RAZÃO!

O meu espelho
Sussurra-me baixinho
Que estou de semblante carregado!
Como não hei de estar
Se aprendi de dentro para fora
Com diálogos mentais frequentes,
Se preservo a minha integridade
Feita de caminhos coerentes,
Se estou desperto para a realidade
Sofrendo em lutas ardentes!?

O meu espelho tem razão!
Tenho mesmo um ar tenso.
Um sobrolho sobressai ao franzir-se.
Os lábios parecem sumir-se.
Os olhos parecem incrédulos.
O rosto denuncia desilusão.

O meu espelho tem razão!
É demais a incoerência
De braço dado com indecência,
A querer tirar o país do caos
E arrogar-se a salvação,
Em atos de pura demência!

Almada, 12 de julho de 2012
            Jorge Nuno

Modo de Olhar

Foto: http://www.free2use-it.com/gallery/photo/l3/797/Fogo_de_artif%C3%ADcio


MODO DE OLHAR

Ao fixar o olhar no céu
Posso ver de tudo um pouco…
Céu em tons caramelizados,
Um breve rasto de avião,
Um bando de patos em V,
Uns cirros bem alinhados,
Um parapente em progressão...
Ou manter
Olhar vazio… não sei para quê!...

Mas se contemplar melhor,
Sinto espiritualidade que explode
Como fogo de artifício
Em noite quente de verão,
Céu que cintila em múltiplas cores
Numa cadência harmoniosa,
Regalo para os sentidos,
Passagem para outro plano.

Os morteiros no final
Lembram o clímax do êxtase,
Alertam que tudo tem um fim
E que até o fim pode ser belo.

O modo como fixo o olhar
Faz-me contemplar o belo,
Ou manter
Olhar vazio… não sei para quê!...

Almada, 12 de julho de 2012
             Jorge Nuno

In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012)

ISBN: 978-989-680-078-9 

11/07/2012

Os Medos


OS MEDOS

Medo do escuro
Medo do papão
Medo do lobo mau
Medo do homem do saco
Medo de não agradar
Medo de não ser capaz
Medo da tentação
Medo de ousar
Medo de atuar
Medo da verdade
Medo do futuro
Medo de amar
Medo de arriscar
Medo do ridículo
Medo do passado
Medo de não concluir projetos
Medo de não arranjar emprego
Medo de casar
Medo de fracassar
Medo de desiludir
Medo de investir
Medo de si próprio
Medo da própria sombra
Medo de perder o emprego
Medo de ter filhos
Medo da crítica
Medo da multidão
Medo de sair de casa
Medo de ficar em casa
Medo de ficar sem casa
Medo do medo que nos querem impor
Medo de lutar
Medo das doenças
Medo da solidão
Medo da velhice
Medo da morte
Medo dos fantasmas
(…)

Rejeitemos
Os pesadelos de uma noite
Revividos a vida inteira!

Exorcizemos
Os nossos fantasmas internos
Que nos escravizam a vida inteira!

Lutemos
Contra o fantasma do medo
E, libertos, viveremos
O que resta da nossa vida!

Almada, 11 de Julho de 2012
             Jorge Nuno