17/07/2012
O Lançador de Sementes e o Requiem Adiado
O
LANÇADOR DE SEMENTES E O REQUIEM ADIADO
Desta vez,
Falta-me a coragem!
É um caso de sensatez,
Não uma questão de imagem
Ou querer navegar em mar chão
Deslocando-me, seguro, à vela
Com o ar dos aplausos!
Sei que devo acarinhar
O poeta da leveza da escrita,
Mas não consigo enterrar
O poeta da causa maldita!
Não lhe faço elogio fúnebre
(E tantos o têm sem merecer!...)
Porque se o fizesse
Admitia a sua partida.
Digo apenas, para nós,
Que ele é como o Zeca…
Não queria ovações… palmas…
Apenas que ouvissem a sua voz!
Contentava-se com o lançar de
sementes,
Sabendo que umas caíam na terra
E outras eram levadas pelo vento!
Dos trigémeos fui o primeiro.
Conheço-lhe a causa maldita,
Conheço-lhe o ideal do celeiro,
Conheço-lhe a veia erudita.
Comparar-me, não mereço…
Mas conheço-lhe o sentir de poeta,
Desde que eu me conheço!
E como dói só a ideia de pensar…
Com apoio de amigos presentes
Levar um irmão a enterrar,
Um lançador de sementes!
Só tocarei o “Requiem” de Mozart
E lhe direi “descansa em paz”,
Se eu retomar a luta mal sucedida
E a todos os níveis ser capaz…
Transformar o ideal da causa maldita
Na realidade da causa vencida!
Almada, 16 de julho de 2012
Jorge Nuno
16/07/2012
Leveza de Escrita ou Causa Maldita
LEVEZA DE ESCRITA
OU CAUSA MALDITA
Posso criar
Atmosfera leve
No meu pequeno mundo
Com o poder das emoções
E…
Posso revigorar
Os meus sentidos
Contagiando o mundo
Com o contágio das emoções.
Ganha-se o poeta
Com leveza de escrita
E…
Perde-se o poeta
Da causa maldita!
Jorge Nuno (2012)
Cultivo da Alegria
Se eu cultivar…
Uma atitude de
alegria interior,
Se eu a regar…
Com energia
positiva e substrato de amor,
A hora da colheita
está a chegar…
E não me faltará,
para distribuir, milhões de sorrisos
E em cada sorriso
uma flor!
Almada, 15 de julho
de 2012
Jorge
Nuno
In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012).
ISBN: 978-989-680-078-9
In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012).
ISBN: 978-989-680-078-9
15/07/2012
Viagem Intergalática
VIAGEM INTERGALÁTICA
Avisto ao longe a
supergigante Bételgeuse,
E os distantes e
monstruosos quasares.
Vejo rastos da implosão
de outra estrela gigante,
Dando origem, com a
matéria, a uma nebulosa
E à formação de
mais uma supernova.
Uma anã branca
acaba de se tornar visível…
Até um dia que a
parceira se torne gigante vermelha!...
São estrelas a
morrer para dar vida a outras!
Vejo o espetacular efeito
visual de biliões de galáxias,
Umas elípticas,
outras com os seus braços em espiral.
Vindo de Andrómeda,
passo pelas Nuvens de Magalhães
E aproximo-me da
nossa Via Láctea!
Já estou com
vontade de regressar! …
Já estou com
vontade de regressar…
A um país bendito,
maravilhoso…
Com orçamento,
anualmente retificado,
Que é um imenso buraco
negro
Fazendo dos muitos
mil milhões um eclipse.
Um país onde há
muita estrela cadente.
Estrelas, sem
estilo, que passam como cometas.
Estrelas, sem
brilho, que se julgam galáxias.
Satélites naturais,
a resplandecer com o brilho de outrem.
Um país que em
ebulição, tem muita gente
A lembrar "quarks", por formarem protões
E neutrões, como
partículas a chocar,
Incessantemente,
sem parar,
Agitadas umas
contra as outras.
E uma classe
política que se julga dona do Universo
E maravilha a vida do
povo com uma nebulosa.
Uma classe atenta,
que age com acuidade,
Que governa
orientando-se pela estrela Polar
E que se governa
consultando o Zodíaco.
Que apesar da sua
visão a anos-luz da realidade,
Tudo vai fazendo,
de forma diligente e à velocidade da luz
Para aumentar o
número de pobres e sem-abrigo,
Na expectativa de estes
poderem esquecer
A decadente e
promíscua vida mundana
E garantir-lhes o
elixir da eterna felicidade
Ao sentirem na face
os ventos solares,
Observarem no
horizonte a refração da luz,
E, com sorte, à
noite, a aurora boreal,
As diversas fases
da lua e os movimentos das marés,
A iluminação dos céus
com uma chuva de meteoritos
E a contemplação, única,
das verdadeiras estrelas no céu!
Quando finalmente chegar
ao meu país,
No exercício de plena
cidadania ativa,
Irei sugerir a substituição
de computadores Magalhães
Por telescópios,
mesmo de média potência,
Para os atingidos
por estas medidas de eterna felicidade
(Verdadeiros
laboratórios de Ciência-Viva)
Pedirem a equivalência
a doutorados em Ciência
E engrandecerem o
país com a magia da Astronomia!
Algures nas Nuvens de
Magalhães, 14 de julho de 2012
(sem indicação do ano estelar, por falta
de pilha)
Jorge
Nuno
14/07/2012
A Margem do (Des)Equilíbrio
Foto: Extraída de http://www.123rf.com/photo_5586373_a-large-group-of-red-convertible-toy-cars-going-in-one-direction-with-a-single-car-going-in-the-oppo.html
A MARGEM DO (DES)EQUILÍBRIO
Baloiço-me no
romantismo emotivo
E crio impulso para
chegar
À outra margem – a
do equilíbrio –
Sabendo que é
ousadia arriscar,
Como é ousadia
continuar
Neste
desequilibrado mundo.
Mas como qualquer
criativo,
Hei de chegar à outra
margem,
Nem que tenha que
abdicar
Do romantismo
emotivo…
E já ciente do meu
corpo e sentidos,
Hei de encontrar
solução
Para me equilibrar
e manter equilibrado
Neste
desequilibrado mundo.
E quando já estiver
equilibrado…
Pela adrenalina em
aceleração,
De vidros abertos e
olhos fechados,
Com alta música a
tocar,
Carregando prego a
fundo…
Será um louco
prazer viajar
Na autoestrada dos
desequilibrados,
Com a pura e
estranha sensação
De ser diferente neste
estranho mundo
E movimentar-me em
contramão!
Almada, 14 de julho
de 2012
Jorge
Nuno
Poema declamado por Joaquim Sustelo, na Rádio Horizontes da Poesia, mais tarde convertido em vídeo por Cida Vasconcellos.
Poema publicado no livro "Horizontes da Poesia IV", Coletânea 2012, edição de Joaquim Sustelo. ISBN: 978-989-95626-8-4
Poema declamado por Joaquim Sustelo, na Rádio Horizontes da Poesia, mais tarde convertido em vídeo por Cida Vasconcellos.
Poema publicado no livro "Horizontes da Poesia IV", Coletânea 2012, edição de Joaquim Sustelo. ISBN: 978-989-95626-8-4
13/07/2012
O Ego Brinca Comigo
Foto de Rafael Nuno (2012), com Jorge Nuno no lançamento do livro "Ocultos Buracos"
O EGO BRINCA COMIGO
O ego brinca comigo
Quando me acho
vulneravelmente forte.
Mete-se em tudo e
desorienta-me!
Eu tento trocar-lhe
as voltas…
E digo-lhe, meio em
tom de brincar:
Não vou aceitar
manipulações!
O ego brinca comigo
Quando me acho
vulneravelmente fraco.
Mete-se comigo e atormenta-me!
A mente dá voltas e
mais voltas…
E digo-lhe, sem
vontade de brincar:
Não vou pactuar
nestas condições!
E neste trôpego balancear
Entre
vulneravelmente forte e fraco,
Ambos sinais de
fraqueza,
Implacável na
honestidade
Crio a minha
fortaleza,
Parto em busca da
verdade…
E está na hora de
dizer a sério
Que vou mandar o
ego brincar com outro!
Almada, 13 de julho
de 2012
Jorge Nuno
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