17/07/2012

Um Mundo com Alma


UM MUNDO COM ALMA

Prazeres passageiros,
Recompensa do ego,
Alívio temporário.
Sentimentos ligeiros
(Re)criados de apego
E um mundo ao contrário.

Liberdade da mente,
Leveza interior
Purificada de calma.
Muita luz presente,
Uma vida de amor
E um mundo com alma!

Almada, 17 de julho de 2012
            Jorge Nuno

Abrir o Coração



 Foto de Jorge Nuno (2012), Mater Misericordae, Vilnius, Lituânia.

ABRIR O CORAÇÃO

Abrir o coração
É dissipar bloqueios
É absorver intuição
E criar novos esteios.

Abrir o coração
É criar luz interior
É abrir a inspiração
E criar atos de amor.

Almada, 17 de julho de 2012
              Jorge Nuno

O Lançador de Sementes e o Requiem Adiado


O LANÇADOR DE SEMENTES E O REQUIEM ADIADO

Desta vez,
Falta-me a coragem!
É um caso de sensatez,
Não uma questão de imagem
Ou querer navegar em mar chão
Deslocando-me, seguro, à vela
Com o ar dos aplausos!

Sei que devo acarinhar
O poeta da leveza da escrita,
Mas não consigo enterrar
O poeta da causa maldita!

Não lhe faço elogio fúnebre
(E tantos o têm sem merecer!...)
Porque se o fizesse
Admitia a sua partida.
Digo apenas, para nós,
Que ele é como o Zeca…
Não queria ovações… palmas…
Apenas que ouvissem a sua voz!
Contentava-se com o lançar de sementes,
Sabendo que umas caíam na terra
E outras eram levadas pelo vento!

Dos trigémeos fui o primeiro.
Conheço-lhe a causa maldita,
Conheço-lhe o ideal do celeiro,
Conheço-lhe a veia erudita.
Comparar-me, não mereço…
Mas conheço-lhe o sentir de poeta,
Desde que eu me conheço!

E como dói só a ideia de pensar…
Com apoio de amigos presentes
Levar um irmão a enterrar,
Um lançador de sementes!

Só tocarei o “Requiem” de Mozart
E lhe direi “descansa em paz”,
Se eu retomar a luta mal sucedida
E a todos os níveis ser capaz…
Transformar o ideal da causa maldita
Na realidade da causa vencida!

Almada, 16 de julho de 2012
             Jorge Nuno

16/07/2012

Leveza de Escrita ou Causa Maldita



LEVEZA DE ESCRITA
OU CAUSA MALDITA

Posso criar
Atmosfera leve
No meu pequeno mundo
Com o poder das emoções
E…
Posso revigorar
Os meus sentidos
Contagiando o mundo
Com o contágio das emoções.

Ganha-se o poeta
Com leveza de escrita
E…
Perde-se o poeta
Da causa maldita!

Jorge Nuno (2012)

Cultivo da Alegria


Foto: Extraída de plantas-jardins.blogspot.com


CULTIVO DA ALEGRIA

Se eu cultivar…
Uma atitude de alegria interior,

Se eu a regar…
Com energia positiva e substrato de amor,

A hora da colheita está a chegar…
E não me faltará, para distribuir, milhões de sorrisos
E em cada sorriso uma flor!

Almada, 15 de julho de 2012
            Jorge Nuno

In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012).
ISBN: 978-989-680-078-9 

15/07/2012

Viagem Intergalática


VIAGEM INTERGALÁTICA

Avisto ao longe a supergigante Bételgeuse,
E os distantes e monstruosos quasares.
Vejo rastos da implosão de outra estrela gigante,
Dando origem, com a matéria, a uma nebulosa
E à formação de mais uma supernova.
Uma anã branca acaba de se tornar visível…
Até um dia que a parceira se torne gigante vermelha!...
São estrelas a morrer para dar vida a outras!
Vejo o espetacular efeito visual de biliões de galáxias,
Umas elípticas, outras com os seus braços em espiral.
Vindo de Andrómeda, passo pelas Nuvens de Magalhães
E aproximo-me da nossa Via Láctea!

Já estou com vontade de regressar! …

Já estou com vontade de regressar…
A um país bendito, maravilhoso…
Com orçamento, anualmente retificado,
Que é um imenso buraco negro
Fazendo dos muitos mil milhões um eclipse.
Um país onde há muita estrela cadente.
Estrelas, sem estilo, que passam como cometas.
Estrelas, sem brilho, que se julgam galáxias.
Satélites naturais, a resplandecer com o brilho de outrem.
Um país que em ebulição, tem muita gente
A lembrar "quarks", por formarem protões
E neutrões, como partículas a chocar,
Incessantemente, sem parar,
Agitadas umas contra as outras.
E uma classe política que se julga dona do Universo
E maravilha a vida do povo com uma nebulosa.
Uma classe atenta, que age com acuidade,
Que governa orientando-se pela estrela Polar
E que se governa consultando o Zodíaco.
Que apesar da sua visão a anos-luz da realidade,
Tudo vai fazendo, de forma diligente e à velocidade da luz
Para aumentar o número de pobres e sem-abrigo,
Na expectativa de estes poderem esquecer
A decadente e promíscua vida mundana
E garantir-lhes o elixir da eterna felicidade
Ao sentirem na face os ventos solares,
Observarem no horizonte a refração da luz,
E, com sorte, à noite, a aurora boreal,
As diversas fases da lua e os movimentos das marés,
A iluminação dos céus com uma chuva de meteoritos
E a contemplação, única, das verdadeiras estrelas no céu!

Quando finalmente chegar ao meu país,
No exercício de plena cidadania ativa,
Irei sugerir a substituição de computadores Magalhães
Por telescópios, mesmo de média potência,
Para os atingidos por estas medidas de eterna felicidade
(Verdadeiros laboratórios de Ciência-Viva)
Pedirem a equivalência a doutorados em Ciência
E engrandecerem o país com a magia da Astronomia!

Algures nas Nuvens de Magalhães, 14 de julho de 2012
     (sem indicação do ano estelar, por falta de pilha)
                                 Jorge Nuno

14/07/2012

A Margem do (Des)Equilíbrio


Foto: Extraída de http://www.123rf.com/photo_5586373_a-large-group-of-red-convertible-toy-cars-going-in-one-direction-with-a-single-car-going-in-the-oppo.html



A MARGEM DO (DES)EQUILÍBRIO

Baloiço-me no romantismo emotivo
E crio impulso para chegar
À outra margem – a do equilíbrio –
Sabendo que é ousadia arriscar,
Como é ousadia continuar
Neste desequilibrado mundo.

Mas como qualquer criativo,
Hei de chegar à outra margem,
Nem que tenha que abdicar
Do romantismo emotivo…
E já ciente do meu corpo e sentidos,
Hei de encontrar solução
Para me equilibrar e manter equilibrado
Neste desequilibrado mundo.

E quando já estiver equilibrado…
Pela adrenalina em aceleração,
De vidros abertos e olhos fechados,
Com alta música a tocar,
Carregando prego a fundo…
Será um louco prazer viajar
Na autoestrada dos desequilibrados,
Com a pura e estranha sensação
De ser diferente neste estranho mundo
E movimentar-me em contramão!

Almada, 14 de julho de 2012
            Jorge Nuno

Poema declamado por Joaquim Sustelo, na Rádio Horizontes da Poesia, mais tarde convertido em vídeo por Cida Vasconcellos. 
Poema publicado no livro "Horizontes da Poesia IV", Coletânea 2012, edição de Joaquim Sustelo. ISBN: 978-989-95626-8-4