16/08/2012

Brincadeira Cósmica

    Foto Grand Universe, de Gary Tonge / Urantia Foundation


BRINCADEIRA CÓSMICA

Quero exercitar o domínio da ansiedade
Mas estou ansioso demais para o fazer,
Pois dou poder àquilo em que foco atenção.
Quero exercitar o domínio da paciência
Mas estou impaciente demais para o fazer,
Esquecendo que a paciência aceita-me como sou.
Quero acabar com o poder dominador da autoimagem
E tantas vezes me vejo dominado por ela,
Na luta incessante para ser eu mesmo.
Quero estar sempre do lado da verdade,
Mas como posso insistir na sua procura
Se é difícil saber onde está e o que ela é?
Procurei manifestações visíveis de coisas invisíveis
E, como numa espantosa brincadeira cósmica,
Foi-me dada a oportunidade de sair deste plano… e voltar!

Almada, 16 de agosto de 2012
                Jorge Nuno

15/08/2012

Embelezar o que é belo?

Foto de Jorge Nuno (2012), Riga, Letónia

EMBELEZAR O QUE É BELO?

Tantas vezes tenho pensado
Escrever um poema de amor
E tantas vezes tenho adiado!
Agora que tenho o ensejo,
E estou com todo o vigor…
Eu quebro e já não o desejo!
É que não vou querer
Nem banalizar a poesia
Nem muito menos o amor!
Há quem confunda este sentimento
Com cartões de rosas e corações,
Rituais em volta da beleza,
Promessas eternas e devoções,
Lutas de ingenuidade e esperteza,
O lacrimejante com o hormonal,
Num misto de dor e prazer,
Luas de mel e vidas de sal,
Vil apego e pura demência
No ato de seduzir e de submeter.
E nada disto capta a sua essência!
Escrito assim, parece um flagelo…
Só não quero embelezar o que é belo!

Almada, 15 de agosto de 2012
    Jorge Nuno

Cuidados dos Pensamentos Erráticos

Foto obtida em FotoSearch, Banco de Imagens - o arquivo mundial de fotografias

CUIDADOS DOS PENSAMENTOS ERRÁTICOS

Surgem do nada,
Sem os encomendar
Ou sem os esperar…
São pensamentos erráticos
Sem trela ou sem controlo,
Como fragrâncias trazidas pelo vento.
Uns, no seu movimento ondular,
Chegam e dissolvem-se,
Sem se propagar.
Outros, mais “aromáticos”,
Parecem permanecer em círculo,
A rodopiar insistentemente sobre mim
Como criança a pedir atenção
Ou a precisar de cuidados.
Parece algo que flui do Universo
Assemelhando-se a uma dádiva.
A estes, só me resta dar-lhe forma,
Refinar as ideias-chave
E transformá-lo em algo positivo!

Almada, 13 de agosto de 2012
Jorge Nuno

In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, 
Ed. Esfera do Caos (2012). ISBN: 978-989-680-078-9

A Efemeridade


Foto extraída de miguitarrablusera.blogspot.com


A EFEMERIDADE


O metrónomo oscila,

Ritmado, austero, inflexível…

Como inflexíveis parecemos caminhar

Num ciclo incessante de insatisfação,

Sem a noção da efemeridade.

No trajeto, vamos encontrando tabuletas

Que nos poderiam dar orientação…

Mas não ligamos aos sinais!

Caminhamos por estrada indevida

Ou simplesmente caminhamos, caminhamos…

E o metrónomo monótono

Continua implacável

Na medição do compasso…

E nós sem acertar o passo!

Há tempo que parece fugir

E há que enxergar a efemeridade!

Pois se o que é importante é efémero

É urgente ativar a bússola interior,

Elevar a mente e abdicar de apegos,

Seguir a verdade do coração,

Aproveitar a oportunidade de existir

E partilhar o milagre da vida.


© Jorge Nuno (2012)

Cultura dos Sentidos


CULTURA DOS SENTIDOS

Há quem cultive os sentidos
Feitos de prazeres externos.
Os sentidos não despertam
Pois são grãos adormecidos.

Mas sentidos cultivados
Em franca solidez interna,
Brotam da mente e germinam
Como cravos bem tratados.

Costa de Caparica, 25 de julho de 2012
                       Jorge Nuno

26/07/2012

Poção do Renascimento


Foto: Poção, extraída de magiadobem.blogspot.com


POÇÃO DO RENASCIMENTO

Uso na vida um caldeirão
Onde vou juntar sentimento
(sem proporção definida)
Ao consciente despertado.
Faço por ligar corpo e mente,
E inteligência a guiar-me
Com firmeza e nobreza ética
Ao meu pensamento velado.

Longe de viver ilusão…
Sei que este condimento
Me vem dar sabor à vida,
Meu doce néctar dourado,
Qual poção do renascimento
Feita de luz a elevar-me
Em abundância energética,
Agora… segredo revelado!

Costa de Caparica, 25 de julho de 2012
                     Jorge Nuno

24/07/2012

A Representação dos Falsos Problemas


Foto: Painting Problems, extraída de Pixmac.com


AREPRESENTAÇÃO DOS FALSOS PROBLEMAS

Quando a confusão me assola,
Gosto de me observar,
De mergulhar nesse mar
Sem me imiscuir no que observo,
Como quem assiste a representação teatral,
Feita de diálogos internos em conflito.
Gosto de avaliar experiências,
De analisar sentimentos
(Sem fazer uso de filtros)
E sem esperar que desapareçam
Pois não quero o palco vazio.
Gozo o pulsar dos pensamentos
Com a mente algo disciplinada
E sem viver deslumbramentos.
Como no pós-duche refrescante...
Descubro, afinal, que os problemas
Localizados na cabeça e coração
Estão longe de ser reais,
Que a solução está no mesmo lugar
E que os supostos problemas
Apenas foram criados por mim!

Almada, 24 de julho de 2012
   Jorge Nuno

In "Palavras Nossas Vol. II", Coletânea de Novos Poetas Portugueses, Ed. Esfera do Caos (2012). 
ISBN: 978-989-680-078-9