19/10/2012

Quadras humorísticas (I)


QUADRAS HUMORÍSTICAS (I)

QUADRAS FEITAS INSTANTANEAMENTE E COLOCADAS EM HORIZONTES DA POESIA, EM QUADRAS ENCADEADAS*
·         *O primeiro verso de cada quadra é o mesmo do último verso da quadra anterior, feita por outra pessoa.

Com quadras p’lo tempo fora
Siga a roda em contradança.
Venham poetas agora
Mostrar a vossa pujança!

Ele vale mais que o ouro,
Quem fala assim não é gago.
Usa-se pra cá do Douro…
É o caráter, carago!

Pra deixar a bater mal,
Bate, bate… até esfolar.
Se chegar ao carnaval
Em alguém vou martelar.

Chego-te a mim de mansinho,
Não vás tu querer fugir.
Olhas pra mim com carinho…
Dá-me vontade de rir.

Neste almoço luxuoso
Cada um come o que quer.
Não sou nada preguiçoso,
Embarca… o que vier!

Que pede meu coração…
Ai valha Nossa Senhora!
Eu queria um leitão
E até já ia agora!

Quadras humorísticas (II)


QUADRAS HUMORÍSTICAS (II)

QUADRAS FEITAS INSTANTANEAMENTE E COLOCADAS EM HORIZONTES DA POESIA, EM QUADRAS ENCADEADAS*
·         *O primeiro verso de cada quadra é o mesmo do último verso da quadra anterior, feita por outra pessoa. 

Sinto gosto em brincar,
Qual criança no jardim.
É só correr e saltar…
Coisa de loucos… enfim!

Para dar aos meus amores
Há muito que ofertar.
Ando cá com uns calores…
Abro a janela… ai o ar!...

Eu bem vi, eu bem o sei…
O quanto gostas de mim
Sei que o caldo entornei…
Toma o ramo de jasmim!

Vá dormir uma soneca,
Pode o diabo tecê-las…
Quando virou a bejeca
Já não foi capaz de vê-las!

Não se encoste à bananeira
Não que isso seja foleiro.
Mas à parte a brincadeira…
Pior? Abane o coqueiro!



13/10/2012

Reflexos no Fervença I


Reflexos no Fervença I, Bragança. Óleo s/ tela 41x33, Jorge Nuno (2006) 


Reflexos no Fervença I

Reflexos sejam teu brilho,
Oh Fervença renascido.
Margens com cheiro a junquilho
Outrora campos de milho,
Hoje, de lazer vestido.

Jorge Nuno (2012)

Reflexos no Fervença II



Reflexos no Fervença II, Bragança. Óleo s/ tela 46x55, Jorge Nuno (2007) 


Reflexos no Fervença II

Reflexos sejam clamor,
Oh Fervença cor de jade.
Que teus lamentos de dor
Sejam hinos de louvor
Ao Senhor da Piedade.

Jorge Nuno (2012)

11/10/2012

Acho bem... Acho mal...



ACHO BEM… ACHO MAL…


Foi anunciado que “O que é Nacional é bom!”
Era um possível rumo, uma onda positiva em que alinho.
Viram-se bandeiras nas janelas, cantou-se o hino em alto tom.
Em torno de um desígnio, alimentou-se a esperança do Algarve ao Minho.
Achei bem, porque eu amo a minha Pátria.

Agora as bandeiras estão nas lapelas, mas no povo ausente.
Os ventos tomam outros rumos, muito sai mal, pouco sai bem.
Mesmo assim quero ajudar, remando contra a corrente,
Ajusto as velas, tomo iniciativa, alerto, como convém.
Acho mal e acho bem, porque eu amo a minha Pátria.

Vende-se ao desbarato, tudo o que dá lucro.
Pagam-se altíssimos juros, que são um estupro!
Como as minas estão paradas e o setor do aço foi embora…
Até para fazer a vil moeda… o metal vem de fora!
Acho mal, porque eu amo a minha Pátria.

É julgado o sem-abrigo que furtou polvo para comer,
São ilibados magnatas de outros “polvos”, que desviam até mais não querer.
Encerram-se escolas, acaba-se com o emprego, desertifica-se o interior,
Como solução, manda-se emigrar… nem cá fica o senhor prior!
Acho mal, porque eu amo a minha Pátria.

Destrói-se o setor das pescas e o pescado é importado,
Criam-se planos para a agricultura… e o campo está despovoado.
A cebola vem de França, o alho vem de Espanha,
Tal como os morangos, as verduras e a castanha.
Acho mal, porque eu amo a minha Pátria.

Temos moldes em Leiria e o plástico vem do Oriente,
O trigo e a carne vêm das Américas, de trás do sol poente.
As confeções vêm da Ásia, não do Vale do Ave.
Quem vivia menos bem… já nem sequer tem a cave!
Acho mal, porque eu amo a minha Pátria.

Sou homem de fé, as aparições deram-se cá, mas é para eles uma mina…
Pois até a imagem da virgem que brilha no escuro… vem da China!
Sou crente e acredito no meu País. Não sou homem que desiste!
No entanto, das duas uma: ou eu não estou na minha Pátria,
Ou a minha Pátria já não existe!

                                                                                                                                                                                                       Jorge Nuno [2012]

25/09/2012

Poema Sem Pés Nem Cabeça



POEMA SEM PÉS NEM CABEÇA

Posso ser cabeça de vento
Ou cabeça-de-alho-chocho,
Posso atirar-me de cabeça,
Enfiar o barrete na cabeça
E algumas vezes perder a cabeça.
Posso dar cabo da cabeça,
Dar com a cabeça nas paredes,
Andar com a cabeça à roda
Ou pôr a cabeça de molho,
Meter o que quero na cabeça,
Meter a cabeça onde quero,
Dizer o que me passa pela cabeça,
Dizer o que não me passa pela cabeça
E escrever sem pés nem cabeça!
Sabendo que cada cabeça sua sentença…
Vou para a cabeça do touro!
E assim, de cabeça levantada…
Mantendo a cabeça fria
E porque a poesia não é bicho-de-sete-cabeças…
Digo o que não passa pela cabeça dos outros
Com a certeza que serei cabeça de cartaz!

Almada, 24 de setembro de 2012
                  Jorge Nuno 

Obs: Este é um trabalho feito pelo Filó - o homem "inquieto" - personagem central do romance de ficção que desenvolvi, com a designação "As Animadas Tertúlias de Um Homem Inquieto" - romance a não perder!

16/09/2012

Sopro de Vida



 Foto de Jorge Nuno (2012), Riga, Letónia


SOPRO DE VIDA

Sublime sopro de vida…
À reflexão nos convida!
Flui no ar a harmonia,
Sons espelhos da beleza,
Novas frequências d’energia,
Simplicidade e pureza,
Elevação, sintonia
Com o tom da Natureza!

Almada, 16 de Setembro de 2012
               Jorge Nuno