26/11/2012

Evasões em Demanda de Paz



Evasões IV, oléo s/ tela 50x40, Jorge Nuno (2012)

EVASÕES EM DEMANDA DE PAZ

Parto em demanda de paz
Num formigueiro de inquietação.
Hei de procurar navegar
Em sãos momentos de evasão.
Posso até estar equivocado
E ver o meu sonho adiado,
Como posso voltar para trás
Depois de me ter encontrado.

© Jorge Nuno (2012)

25/11/2012

Crianças Soldado e Uns Passos Atrás



Foto: http://www.chongas.com.br/2010/03/galeria-de-fotos-criancas-soldados/

CRIANÇAS SOLDADO 
E UNS PASSOS ATRÁS

Crianças Soldado,
Recrutadas à força,
Doutrinadas para obedecer e matar,
Combatentes, espias,
Mensageiras, transportadoras,
Escudos humanos,
Escravas sexuais…
Cedo deixam a inocência
E carregam o medo nos seus braços,
Num estado temporário de barbárie
Ao serviço dos Cartéis
E dos Senhores da Guerra,
Joio das más tendências.
São uns passos atrás.
Com a infância assassinada,
Vítimas da pobreza,
Da propaganda
E interesses ideológicos,
Cedo deixam esta dimensão,
Dissolvem véus de ilusão,
E carregam consigo os males do mundo,
A resgatar em próximas vidas,
Em recicladas experiências humanas.

© Jorge Nuno (2012)

Crianças Estrela e os Novos Passos em Frente

 Foto: Extraída de http://www.caminhosdeluz.org/a-251.htm



CRIANÇAS ESTRELA 
E OS NOVOS PASSOS EM FRENTE

Vivenciamos a amarga sensação
Dos muitos passos atrás,
Em aparente desordem cósmica,
Que nos impulsiona
Para novos passos em frente,
Numa evolução transformista,
Após múltiplas dores de parto.

Venham Crianças Estrela
De doze cadeias de ADN ativas!
Acolhemo-vos e saudamos
A mudança de vibração
E onda de iluminação,
Num alinhamento de forças
Em sintonia com o Universo.
Que brilhem e ancorem
Novas frequências de energia,
Num reforço de luz e informação.
Que com a vossa sensibilidade transcendental
Remoldem a capacidade
De aumentar a consciência coletiva.
Que ao reconectarem cordas
Aumentem as frequências vibracionais,
Levando ao crescimento
Da frequência planetária.
Bem-vindas Crianças Estrela
Ao despertar da Nova Idade de Ouro.

© Jorge Nuno (2012)

22/11/2012

Até uma simples ervinha...

"Poetando em Quadras"
Tema/mote: "Até uma simples ervinha..."
Iniciativa de Jardim de Poesia.

Sai de uma simples luzinha
Cresce até à estratosfera
Até uma simples ervinha...
Brota onde menos se espera.



© Jorge Nuno (2012)


In http://jardimsorrisosdepoesia.blogspot.pt/p/blog-page.html

22/10/2012

Lágrimas ou Suor? Solução do Puzzle II



Solução do Puzzle II, óleo s/ tela70x50, Jorge Nuno (2012)


LÁGRIMAS OU SUOR? SOLUÇÃO DO PUZZLE I

Dúvidas
Encruzilhadas
Nós atados
Contrariedades
Desânimo
Dor
Sofrimento
Lágrimas.

Lágrimas de dor ou
Lágrimas de Felicidade?
Lágrimas ou suor?

Suor…
Na busca incessante,
No desbravar de caminhos,
Na ultrapassagem dos medos,
Na partilha, dádiva e na entrega,
Suor em benefício da própria felicidade
Que amortece a carga da encruzilhada.
Porque mesmo em momentos escuros,
Encaixando as peças do puzzle,
É possível sentir
A explosão de alegria e cor
Oferecida diariamente pela vida.

Jorge Nuno (2012) 

21/10/2012

No Rasto de La Fontaine ou o Mágico Reino dos Burros

Burros -Imagem retirada da Internet



NO RASTO DE LA FONTAINE
OU
O MÁGICO REINO DOS BURROS

Era uma vez… um mágico reino dos burros. Era um reino faz-de-conta como muitas tantas repúblicas com democracia faz-de-conta em que, apesar de tudo, como burros foram espertos ao dividir o planeta ao meio e querer ficar com metade.  
Nesse reino, havia um rei chamado Tomásio e um simpático e desconhecido burrinho pequenino, chamado “Doce”. O Doce foi crescendo e quando chegou à fase de adolescência houve uma situação conturbada no mágico reino, tornando-o ainda mais mágico.
Os burros andavam todos eufóricos e durante um curto período de tempo, passaram vários reis pela cadeira do trono. Nessa altura o Doce esteve dois anos sem ir à escola e teve passagem administrativa. Como aquilo era um tédio, fez-se membro da Juventude Nacional [JN], que sustentava um dos partidos que alternava na governação do reino e continuava a passar as tardes a jogar às cartas, com muitos amigos, onde faziam campeonatos de king e sueca, debaixo de grande animação.
Mais tarde, após liderar a JN, o nosso simpático Doce foi eleito para as Cortes e viria a arranjar sucessivos empregos (e até em simultâneo) bem remunerados, em empresas de amigos ligados ao partido, o que lhe fazia aumentar ainda mais o número de amigos.
Ainda ao tempo da JN, fez uma sólida amizade com outro jovem chamado Prado. O jovem burro Prado era uma personagem muito curiosa, senão vejamos: pertence a uma sociedade secreta e frequentou três universidades privadas, em quatro cursos superiores diferentes e numa dessas universidades até ficou a dever dinheiro das propinas.
– Eh pá, então não te safas nas notas? – Diz o jovem Doce para o amigo.
– Deixa-me lá, aquilo é demais para a minha cabeça – Lamenta-se o Prado, embora não seja de estranhar no reino de burros.
– Eh pá, a gente arranja aí um esquema, tudo legal!... Está descansado. Eu na escola passei também em dois anos, administrativamente, e não houve problema nenhum. Tudo legal! – Lembrou o Doce.
Passado pouco tempo o Prado já era, administrativamente, doutor.
Foi parlamentar, fez carreira em vários cargos e, espante-se, até foi presidente da Assembleia-geral de uma Associação de Folclore! Reformado de parlamentar, voltou ao ativo para um cargo governativo, como braço direito do amigo Doce.
O Doce chegou a primeiro-ministro deste mágico reino, com quase metade de abstenções, com os burros muito satisfeitos pelo outro anterior primeiro-ministro ter saído do país e em que terá ficado com muito dinheiro num offshore. Tudo legal, neste mágico reino!
Garantem os guardiões do templo que têm a constituição bem guardada na gaveta, não vá alguém mal-intencionado querer molestá-la.
Moral da história? Bem, podem tirar-se muitas, mas fiquemo-nos apenas por uma:
– Se este tipo de burros chegam a tão altos cargos no reino e se se mantêm lá, não é de admirar. É porque todos os outros são mesmo burros!

Jorge Nuno (2012)


19/10/2012

No Rasto de La Fontaine ou a Alquimia da Felicidade


Mãos Sagradas, foto recolhida de FotoSearch - Banco de Imagens

NO RASTO DE LA FONTAINE
OU A ALQUIMIA DA FELICIDADE

Era uma vez… no reino distante do Chumbo, quando predominava a noite escura da alma. O corvo “Black”, o veado “Chifrudo”, o peixe “Escamudo”, o pardal de telhado “Beirão”, o leão verde “Green” e a salamandra “Sandra”, fartos das queixas dos humanos, eternamente relacionadas com as suas dolorosas experiências de vida e, desta, com muitos pedaços perdidos, resolveram analisar a situação de modo a possibilitar transformação interior e fazer com que os humanos se sentissem mais felizes.
            Sempre que se fala em crise, os humanos ficam cheios de medo, mas é preciso entender que ela traz as necessárias sementes da transformação. Só vejo uma solução: Temos que pensar na fase de putrefação do processo alquímico. Há que começar por fazer a necessária alquimia transformadora, mudando algum chumbo no ouro da consciência de cada um Diz o Black, parecendo mostrar-se à vontade para falar deste assunto.
            Como elemento água, não sei se haverá tábuas de salvação, mas eu posso dar uma ajuda… um jeitinho para banhar a matéria-prima Diz o Escamudo, com a convicção que poderia não ser assim tão fácil, mas havia que tentar.
            Atalha logo o Chifrudo Como elemento terra, estou como diz o Escamudo, porque nos trilhos não há indicação do caminho, mas vamos tentar fazer alguma coisa.
            Separemos o trigo do joio, o que queremos e depuramos, pois há que clarificar as coisas com menos sofrimento Diz o Beirão, convencido que mesmo sem tabuletas a indicar o caminho, estaria no caminho certo para a solução do problema.
            Retemperem-se os sinais do desafio pelo fogo, pois só assim haverá renascimento da vida Diz a Sandra, muito senhora do seu focinho.
            Eu acho que chegou mesmo a hora de rever conceitos e não tenho dúvida que os humanos vão ter que fazer um trabalho profundo com o ego. Vocês sabem que eu represento o sal, como dissolvente universal, para outros sou o arsénico, mas independente disso eu estou ligado à energia vital, que une corpo e alma. Temos um árduo trabalho pela frente e de nada vale pedirmos que autorizem uma comissão de trabalho e esgotar tempo com a questão de liderança. E que tal começarmos já por utilizar o princípio volátil, inerte, que tem propriedades de combustão e corrosão de metais, juntando-o ao princípio fixo, ativo? Diz o Green, começando logo a afiar as unhas, para se atirar ao trabalho.
            Enquanto a Sandra começava a esboçar um esforço para atiçar o fogo, fez-se algum silêncio. Um deles olha instintivamente para o céu e depois olha para os restantes e diz Há aqui qualquer coisa errada… não acham? Os outros abanam a cabeça, negativamente, pois não estavam a ver qual era o problema. E continua Podemos estar cheios de boas-intenções mas não veem o que nos falta? Continuou o abanar negativo das suas cabeças Então? É a matéria-prima! Conclui.
            Ahhh… pois é! Dizem quase todos ao mesmo tempo.
            Assim, não dá… pois não Diz desconsolado o Green, mas levanta logo ânimo e continua Parece que a solução é ser mesmo o humano a fazer a sua própria experiência, para provocar a sua transformação interior. E se a fizer bem feita, não parece haver dúvidas que resulta. Estou mesmo a vê-lo a sentir os raios dourados que se soltam do cadinho, em processo de síntese interna e que emergem após a conexão do eu consciente e o self divino. Depois disso é fácil captar energia, cocriar novas experiências necessárias à condução do seu destino. Feito o renascimento espiritual, o homem poderá dizer que fez a alquimia da felicidade e viverá feliz para sempre… nesta e noutras vidas.

Jorge Nuno (2012)