22/07/2013

Ouvidos do Entendimento



“Os lábios da Sabedoria estão fechados exceto aos ouvidos do Entendimento.”

Texto extraído de “Caibalion”, livro esotérico e ocultista sobre os sete princípios herméticos, escrito anonimamente por três professores herméticos (Os Três Iniciados) e publicado pela primeira vez em 1908, em inglês. Caibalion refere-se a uma palavra hebraica que significa “tradição ou preceito manifestado por um ente de cima”.




OUVIDOS DO ENTENDIMENTO



Se na noite escura da alma,


Em murmúrios de desespero silencioso,


Afetado por gemidos coletivos,


Procurar soltar a dor


E buscar iluminação,


Deixo a bússola de lado,


Oriento o propósito


E a intuição é o meu guia.


Deixo-me levar pela corrente,


Coloco corpo e espírito


Em franca parceria


E num movimento ascendente


Rumo ao esclarecimento.


No silêncio do mundo interior,


Equilibrado o mental e emocional,


Conecto-me com a fonte,


Algo superior que me transcende


E me coloca em patamar


Acima das limitações.


Impávido, fico na expetativa


De ver os lábios mexer.


Sabendo que nem tudo ouviria,


Talvez por deficiência auditiva


Que dificulta o entendimento,


Resta a esperança de corresponder


E ao menos poder saber ler


Nos lábios da Sabedoria.





© Jorge Nuno (2013)

18/07/2013

Salto Quântico



“Salto quântico é uma alteração súbita de estado de um objecto que classicamente não é permitida. Os electrões no interior de um átomo dão saltos quânticos entre as órbitas, libertando ou absorvendo luz durante o processo.”


Michio Kaku (1947- …)

Físico teórico, professor da Universidade de Nova Iorque e autor de diversos livros de divulgação científica.




SALTO QUÂNTICO



Depois de desviar o olhar

Devido à mágoa invasiva

E sentimentos de impotência,

Procuro agora estar

Em consciência reflexiva,

Em pleno vigor de existência.

Observo bem ao meu jeito,

No modo atento de olhar,

Persistente e inconformado,

Tudo o que há para reparar.

Vejo um país em ebulição

Onde o imobilismo permanece,

Célere, correm notícias controladas

E onde tudo e nada acontece,

Vejo gente que existe

Como se não existisse,

Dominada por medo paralisante,

Facilmente embalada

Por qualquer bem-falante,

Mentes distorcidas, condicionadas,

Sem a ousadia dos saltos quânticos,

Mentes subtilmente formatadas

Por sociedade demente

Que nos quer escravizados.

Já com o cabelo nevado

E os poucos em desalinho,

Inativo, estatisticamente,

Sujeito passivo, para as Finanças,

Vejo-me ativo nestas andanças

A chegar ao ponto de pressão,

Bem próximo da implosão

Em que é possível, arduamente,

Mudar de dentro para fora,

Ter forte decisor interno

Na orientação do bem-estar,

Fluxo de abundância natural

E iluminação do caminho.

E como eu gostaria…

Que o inconformismo dos meus poemas,

Entre ténues gritos pela liberdade

E outros tantos pelo pão,

Acendessem a chama da curiosidade

E levassem o Homem, qual eletrão

Sem algo que o impele,

A querer sair da órbita,

Escapar à engrenagem,

Farto do retrocesso

E estupidez grotesca,

Corrigir a assimetria,

Sentir-se bem na sua pele

E em momentos de evasão,

Sem precisar de ser criativo,

Libertar luz durante o processo,

Gerar corrente gigantesca

Criando bem-estar coletivo.



© Jorge Nuno (2013)

15/07/2013

O Peso de Ser Perfeito



“Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito”


Fernando Pessoa (1888 -1935)

Poeta e escritor português




O PESO DE SER PERFEITO



Nem tudo o que eu faço

Seguindo, sem convenção,

O fluxo natural de vida

Imbuído de pura intenção,

Produz, ao ritmo adequado

O efeito desejado.

No sábio modo de crescer,

Para minha evolução,

É fácil de antever

Que nem tudo é bem feito,

Que imperfeições são perfeitas

Na sua extensão e grandeza

E vejo nelas rara beleza,

Atalhos de correção

Ou formas de entender

O peso de ser perfeito.



© Jorge Nuno (2013)

14/07/2013

Força Anímica



“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”.


William Shakespeare (1564 – 1616)

Poeta e dramaturgo inglês




FORÇA ANÍMICA



Depois de me ver hesitar,

Doseio a força anímica

Para o expectante embate

De diálogos construtivos

Que acho serem positivos

Sob a forma de combate.

Em total ausência de mímica,

Sabendo a condição traidora

Da voz manipuladora,

Entro em espaço privado,

Na zona de desconforto

Da minha personalidade,

Local de arquitetados sonhos

Onde só entra o arrojado.

Decidido no confronto,

Despido de toda a vaidade,

Mantenho firme a coragem

Falo com as partes de mim

Questiono, assumo riscos,

Assumo voz demolidora,

Desfiro o golpe final

E desfaço a sabotagem,

Dúvidas do meu querer.

Nesta aventura destemida,

Sinto o brilho no olhar,

Ganha ânimo o meu ser

Que me leva a avançar,

Sem medo de arriscar,

Nos meus projetos de vida.



© Jorge Nuno (2013)

09/07/2013

Energia de Abundância

“Dei o primeiro passo com um bom pensamento, o segundo com uma boa palavra, o terceiro com uma boa ação, e entrei no paraíso”.

Livro de Arda Viraf (Séc. VI)
Texto religioso zoroastra.


ENERGIA DE ABUNDÂNCIA

Afasto-me, observo o vulcão
E vejo relações emotivas
Que explodem e jorram
Aliviando tensões.
Aproximo-me do pantanal
E vejo energias estagnadas,
Afasto as de carência
E com isso o cruel inferno.
Entro pelo mar sensorial,
Acerto a frequência de onda
E deixo vir à superfície
Toda a emoção afundada.
Olho para o jardim que há em mim,
Deixo as memórias florescer,
Cria-se um aroma bem real
E tenho uma experiência perfumada.
Confio no fluxo da vida,
Abraço-a e fluo com ela,
Qual microscópico aeroplâncton 
Em leveza de consciência.
Sintonizo a minha natureza
Com a natureza maior
E descubro, afinal,
Uma verdade magnetizada.
Vibro em gratidão, por tanta dádiva,
Gero energia de abundância,
Promovo o meu bem-estar
E crio o meu paraíso interno.

Bragança, 08 de julho

© Jorge Nuno (2013)

08/07/2013

Lentes Desfocadas

"Conhecer os outros é inteligência. Conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria".

Lao-Tsé (Séc. VI a.C.)
Filósofo chinês, fundador do taoísmo.


LENTES DESFOCADAS

Quando julgamos ver
E conhecer os outros,
No seu mundo exterior,
Mas não nos vemos
Nem nos conhecemos
A nós próprios,
Temos desfocadas
As lentes do olhar
E míopes, olhamos,
Sem conseguir ver
A fronteira entre dois mundos.

Meknes (Marrocos), 9 de junho
© Jorge Nuno (2013)