20/08/2013

Salpicos de Felicidade



"Na caminhada procuro aprender a encontrar o que me faz feliz, pois a felicidade é a escolha dos pensamentos".

Louise L. Hay (1926 - …)
Escritora motivacional, oradora e empresária de sucesso norte-americana, fundadora da Hay House (publicações com livros de autoajuda) uma das fundadoras deste tipo de literatura e do conceito de “autoajuda”. O seu primeiro livro - “Cure seu corpo ”, foi publicado em 1976, bem antes da discussão sobre a conexão entre o corpo e a mente virar moda, sendo este livro bestseller em muitos dos 33 países em que foi publicado, em 25 idiomas diferentes.
Através das técnicas de cura e da filosofia positiva, influenciou milhões de pessoas incluindo o seu bem-estar (corpo, mente e espírito).

Salpicos de Felicidade

Encontro salpicos de felicidade
Na minha ligação ao exterior
Sem obsessão pelo futuro,
Ao libertar-me do passado
E fixar-me no presente,
Nas muitas escolhas que faço
Guiado pelo coração,
Ao ver e sentir beleza
Nas coisas simples da vida,
Nas francas dádivas e partilhas
Com retorno do Universo,
Ao ter palavras, sentimentos
E pensamentos alinhados
E ao saber que tudo o que preciso
Está dentro de mim.

© Jorge Nuno (2013)

19/08/2013

O Bem, O Mal, a Sombra e "Eu"



Caso as crianças fossem ensinadas a tomar consciência da sua sombra, partilhando até mesmo os seus pensamentos mais sombrios, perdoando-se por não serem “boas” o tempo todo, aprendendo a libertar os seus impulsos sombrios através de escapes saudáveis, infligir-se-iam muito menos danos à sociedade e ao ecossistema.

Deepak Chopra (1946 - ...)
Médico endocrinologista indiano, escritor e professor de Ayurveda (conhecimento médico desenvolvido na Índia há cerca de 7 mil anos, o que faz dele um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade), espiritualidade e medicina corpo-mente. Autor de mais de 25 livros de autoajuda (bestsellers), traduzidos em mais de 35 idiomas, tornou-se o mais conhecido divulgador da filosofia oriental no mundo ocidental.



O Bem, o Mal, a Sombra e “Eu”



Dos tempos do Gil Vicente ao atual,

Do Auto da Barca do Inferno

Aos infernos em que embarcamos,

Foi-me lançada a ideia

Impregnada de sistemas de valores

Na simplicidade da forma dualista,

Transformada em culpa terrível.



Se olho para o “bem” e “mal”

Como um problema eterno

(Se neles acreditamos),

Posso ver penumbra que medeia

A luz dos meus feitos criadores

E a minha sombra fatalista

Como uma oponente temível.



Tenho sim, o meu lado sombrio,

Aquilo que não quero ser, mas sou,

Aquilo que expõe as minhas falhas

E iludindo, me embala e seduz,

Faz-me até de mim próprio fugir,

Pelos destroços de ideais falhados

Alojados em espaço difícil de se viver.



Tenho sim, o meu lado de elogio,

Aquilo que sou… porque sou,

Aquilo que aviva, feito acendalhas

E atiça o meu recanto de luz,

Faz-me olhar de frente e sorrir

Pelos troféus de ideais conquistados

Alojados em espaço bonito de se ver.



Sei que a sombra ganha poder

Pelo poder que eu lhe confiro,

E tenho o poder de assumir

Que essa força não persiste.

Ponho fim à contrariedade…

E irei fazê-la resplandecer,

Com a força que o Universo me deu.



Se o “bem” e “mal” não reconhecer,

Deixo de sentir o que transfiro

E fico simplesmente a sentir

Que a dualidade já não existe,

Que encontro nova identidade

Reconvertida em novo ser

E asseguro que tenho apenas um “eu”.



© Jorge Nuno (2013)

30/07/2013

Chama Viva



          Uma palavra liberta-nos de todo o peso e dor da vida. 
          Essa palavra é amor.


Sófocles (496 – 406 a.C.)

Dramaturgo grego, importante escritor e inovador de tragédia, 
tendo escrito 123 peças.


Chama Viva



Descasco o passar dos anos

Com enfoque no presente

E quando olho para trás

Tudo parece diferente!

Reparo que uma letra

Separa o fútil do útil

E que um imenso mar

Separa amar de amarrotar.

Se com as futilidades

Bem mais tarde eu aprendi,

Ao criar utilidades

O meu mundo construí.

O amarrotar… já passou

E, simplesmente, esqueci.

Mas quanto ao amar…

Olho debaixo da casca,

Não hesito em sentir-me grato

Pelo bem que eu vivi,

Na entrega, na partilha,

Em dar e receber,

Sabendo que tudo que vai… volta

E prolongar no presente,

Com solidez interior,

O que o coração sente:

- A chama viva do amor.


 © Jorge Nuno (2013)

25/07/2013

Ondas de Aceitação no Mar do Inconformismo



“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...

Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...

E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”



Oração atribuída a São Francisco de Assis [Giovanni di Pietro di Bernardoni] (1182-1226)

Italiano, fundador da ordem mendicante dos Frades Menores (franciscanos).





ONDAS DE ACEITAÇÃO NO MAR DO INCONFORMISMO



Sempre houve recuos e avanços,

Silêncios e estridentes gritos audíveis,

Desleixo, aceitação e resistência,

Vis predadores e cordeiros mansos,

Agiotas, corruptores e corruptíveis,

A cunha e quem move influência,

Traidores, abusadores e abusados,

Insensatez, estupidez, inteligência,

Feira de vaidades, com pavões dourados.



Sempre houve delinquentes intocáveis,

Mestres e doutorados em incompetência,

Quem não abdique de viver com ganância,

Falta de carácter nas decisões irrevogáveis,

Promoção de injustiças, atos imorais,

Governantes fora da lei em acção,

Assim como os seus compadres notáveis,

Quem prefira viver na ignorância

Nem se importe com usura ou fuga de capitais.



Sempre houve inquietação e inquietados

E para cada acção uma reação,

Uns a viver bem, outros… mal de mais.

Perante atos feios de humilhação,

Vítima de estupro na condição humana,

Ajo extremamente preocupado

Ao ver tanto acomodado e mente insana.

Não capitulo, vergado, resignado,

Nem me entrego ao status quo, isso não!



Na ânsia de tanto querer lutar

Vejo o pêndulo da emoção descontrolado

E a proximidade do abismo.

Alinho a ação no compasso do tempo,

Acerto o ritmo no fluxo da vida,

Relaxo de toda a inquietação

E, por momentos, após serenar,

Consciente do que não posso alterar,

Visualizo uma ilha perdida

Nos confins do mar do inconformismo

E vejo-me a surfar nas ondas da aceitação

De aquilo que posso e quero mudar.



© Jorge Nuno (2013)