25/08/2013

Ser Quem Sou!

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro".

Clarisse Lispector [Haia Pinkhasovna Lispector] (1920 – 1977)
Escritora e jornalista de origem judaica, nascida na Ucrânia (durante o Império Russo) e naturalizada brasileira. Começou a escrever muito cedo, mas foi na Faculdade de Direito, no Rio de Janeiro, que “descobriu” a sua tendência para a literatura, editando o seu primeiro conto com 19 anos. Foi colunista e romancista, com várias obras publicadas, tendo sido apelidada “a grande bruxa da literatura brasileira”.


SER QUEM SOU!

Sinto dentro de mim
Incómoda voz crítica,
Que não apenas me julga
Como faz julgar os outros.
Na procura incessante
De manter o poder,
Como voz castigadora,
Mecanismo de controlo,
Intimida-me com antipatia.
Eis chegado o momento
De esvaziar o crítico interior,
Deixar a simpatia fluir,
De ser simpático comigo
E autorizar a mim mesmo
Ser, simplesmente, quem sou!

 
© Jorge Nuno (2013)

24/08/2013

Na Rota da Felicidade

"Acho que tenho medo de ser feliz, porque sempre que fico contente acontece algo de mau!"

Charles Schulz [Charles Monroe Schulz] (1922 – 2000)
Desenhador / Cartoonista norte-americano, com mais de 50 anos de atividade, criador da série Peanuts e dos personagens Charlie Brown e o seu cachorro da raça beagle chamado Snoopy, entre outros. A frase mencionada, com ironia, colocou-a na personagem Charlie Brown.

NA ROTA DA FELICIDADE

Revejo-me em vários tipos de felicidade:
Seja no estado de contentamento
Pela quietude, em tranquilidade;

Nas evasões do divertimento,
Criando espontâneo humor
Ou pelo contágio, num bom evento;

No contrariar do efeito dissuasor,
Pelo prazer de vencer a porfia
Depois da entrega e suor;

Após sentir aperto, atrofia,
No alívio da contrariedade
Pela ação que me desafia;

Mesmo apesar da idade…
Deixo-me envolver pela emoção,
Excitado com a novidade;

No que é digno de admiração,
Sinto espanto e especial prazer,
Feliz com o contemplar da doação;

No uso de cada um dos sentidos,
Sinto múltiplos prazeres sensitivos,
De roupagem de felicidade vestidos.


© Jorge Nuno (2013)

23/08/2013

Cultivo do Equilíbrio Emocional



“As emoções destrutivas servem necessariamente alguma função adaptativa vital na evolução. (…) Cada tradição de sabedoria incita-nos a afirmar algum controlo sobre essas emoções, desde a Bíblia, a Confúcio, ao Alcorão e a textos budistas, bem como a filósofos morais, desde Aristóteles, a Mill, Kant e muitos outros. (…) Apesar de algum ceticismo entre os neurocientistas acerca da plasticidade, «abundam provas de que somos plásticos» e, portanto, potencialmente capazes de exercer o autocontrolo emocional que as tradições religiosas têm encorajado".



Daniel Goleman (1946 – …)

Psicólogo, jornalista da ciência, professor universitário, investigador e escritor norte-americano de renome internacional. É o introdutor do conceito de Inteligência Emocional, nome dado a um dos seus livros, tendo vários outros publicados nesta área, com destaque para Emoções Destrutivas e Como Dominá-las.



Cultivo do Equilíbrio Emocional



Será como doença passageira

Que não me deixa dormir

Em noites intempestivas,

Que encaro com a relutância

De quem quer viver em equilíbrio.



Na procura de encontrar maneira

De dissolver ou reduzir

As emoções destrutivas,

Vejo-me a retirar importância

Ao meu lado sombrio.



Distancio-me da negatividade,

Torno-me mais objetivo,

Afirmo o que quero que aconteça,

Aumento a capacidade de resistência

E desamarro-me, prazenteiro.



Construo a minha identidade,

Baseada em sonho projetivo,

Para que a doença desapareça.

Apenas fica dela a aparência

E o meu “eu” verdadeiro.



© Jorge Nuno (2013)

O Poder Vibracional da Música



"Elixir Musical" - Técnica Mista s/ tela 70x50, Jorge Nuno (2008)


A música junta as pessoas. Permite-nos viver as mesmas emoções. Em qualquer local, as pessoas estão ao mesmo nível em coração e espírito. Seja qual for a nossa língua, a nossa raça, a nossa crença política, o nosso amor ou fé, a música prova-o: somos todos iguais.

John Denver [Henry John Deutschendorf, Jr.] (1943 - 1997)
Cantor, compositor, músico e ator norte-americano. Compunha e cantava temas de country music, pop e folk. Ficou também conhecido pelo seu trabalho humanitário, em projetos de conservação de fauna, no Alasca, assim como em iniciativas contra a fome, em África.


O Poder Vibracional da Música



Abrir de portas diferentes…

Entrada alternativa para o cérebro,

Eis a música nas suas vertentes!



Com a vibração emocional dos sons,

Com ou sem palavras fundidas,

Os deuses ecoam os seus dons.



Há altas vibrações musicais

Em ressonâncias terapêuticas,

Com a harmonia dos instrumentais.



Tal como cordas dedilhadas,

Pensamentos e emoções vibram

Em espiritualidades partilhadas.



Milagres da cura ecoam no ar

Na libertação de lembranças,

Na socialização e até no dançar.



Múltiplos tons, ritmos, harmonia,

Da música, os componentes…

E emoção na pausa e melodia.



Percussão promove cura,

Como diapasão que ressoa

E aumenta a vibração na candura.



Harpas aliviam a ansiedade,

Atenuam a carga depressiva

E despertam atos de bondade.



Ouvir Mozart, com ou sem auriculares,

Produz melhoras em perturbações…

E alivia contrações musculares.



Andamento de 60 batidas por minuto

Modifica o estado de consciência

E promove o bem-estar absoluto.



Sons prolongados e lentos,

Respiração pausada e profunda…

Apaziguados os tormentos.



Na partitura de “Sonata ao Luar”

O Beethoven transcende-se…

E faz-nos por momentos sonhar.



Delícia dos sons da primavera,

Superiormente recriados por Vivaldi,

É a paz de além estratosfera.



Sentem-se os mágicos ritmos da vida

E seguem-se os seus intensos fluxos

Com invulgar paixão lânguida.



Envolto em terapia de magia,

Descubro que vive no meu corpo

Uma maravilhosa sinfonia...



E que apesar dos estilos musicais,

Em qualquer local do planeta,

No sentir emoções… somos todos iguais!



© Jorge Nuno (2013)

21/08/2013

O Criador de Ilusão



Todos vivemos com a ilusão de que os outros, por fora, nos vejam como nós imaginamos ser por dentro. 

Luigi Pirandello (1867 - 1936)
Poeta, romancista e dramaturgo italiano, com vasta obra publicada. Foi um grande renovador do teatro, com profundo sentido de humor e grande originalidade. 
Obteve o Prémio Nobel da Literatura (1934).



O Criador de Ilusão



Ai… a firmeza na negação

E o medo da revelação,

A mentira como culto

Mantida em cofre oculto,

A vergonha dos defeitos

Sabendo-nos todos imperfeitos,

A culpa do que se fez

Transferida com desfaçatez,

O manto da ignorância

Bordado com rendas de elegância,

O rejeitar da fraqueza

Escondido com subtileza,

A crítica acirrada

De moralidade mascarada,

A falsa beatitude

Como uma pública virtude,

A passagem ao isolamento

Como um bom comportamento,

Uma montra de vaidades

Travestidas de qualidades,

O preconceito e a emoção

A minar a perceção,

A criação de aparência ilusória

Revivida com glória.



Ai… o criador de ilusão

Enganado pela sua criação!



© Jorge Nuno (2013)