22/09/2013

Raiar do Dia Libertador



“Recomeça… se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcançares não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”



Miguel Torga [Adolfo Correia da Rocha] (1907 — 1995)

Influente poeta e escritor português do século XX, destacando-se também como contista, memorialista, romancista, dramaturgo e ensaísta.



RAIAR DO DIA LIBERTADOR



Há uma força coletiva trágica

Reforçada pelo medo, indiferença

E pelo pensamento sem amor

Que à vivência amarga conduz,

Como há a chama piloto mágica

Que aciona o milagre da renascença

No raiar do dia libertador

E que, em amor, fará brilhar a luz.



© Jorge Nuno (2013)

21/09/2013

À La Carte



Ninguém nos aconselha tão mal como o nosso amor-próprio, nem tão bem quanto a nossa consciência.



Mariano da Fonseca [Mariano José Pereira da Fonseca], Marquês de Maricá (1773 – 1848)

Escritor, filósofo, intelectual e político brasileiro, tendo exercido os cargos de ministro da Fazenda, conselheiro de estado e senador do Império do Brasil, de 1826 a 1848.



À LA CARTE



Honestidade é transparência

Ideal é sedução

Culpa é tormento

Imobilismo é paralisia

Ganância é demência

Negatividade é projeção

Aceitação é desprendimento

Intolerância é fobia

Assertividade é firmeza

Coragem é magnificência

Tédio é vazio

Ousadia é mudança

Generosidade é nobreza

Negação é cegueira

Egoísmo é usurpação

Dádiva é alegria

Ódio é sufocante

Entusiasmo é criação

Meditação é calmante.



Refeição não é menu

E não é “à la carte”

Que me alimento

No sentido de paz.

No vórtice da criação

Aceito-me como sou,

Com virtudes e defeitos,

Sem esperar ganhar

Nem recear perder.

Mantenho pensamentos de vigília,

Visão interior de perceção,

Disponibilidade de aprendizagem

Sem sabedoria forçada

Ou encapuzado de zelote.

Como ser integral

Quero consciência sem escolha,

E simplesmente…

Libertação de endorfina

Na conectividade com a fonte,

Agradecendo o que sou

Pelo equilíbrio conseguido.



© Jorge Nuno (2013)

Acordar do Transe



O melhor trabalho político, social e espiritual que podemos fazer é parar de projetar as nossas sombras nos outros.

Carl Gustave Jung (1875 – 1961)
Psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Propôs e desenvolveu os conceitos da personalidade extrovertida e introvertida e o de inconsciente coletivo.

ACORDAR DO TRANSE

No apontar crítico do dedo
Demonizamos comportamentos
Que nos outros detestamos ver
E que exibimos em negação.
No olhar ao espelho, sem medo
Catalisamos deslumbramentos
E descobrimos partes do ser
Ao acordar do transe da projeção.

© Jorge Nuno (2013)

Raiva Libertadora

Prefiro ser integral que ser bom.

Carl Gustave Jung (1875 – 1961)
Psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica. Propôs e desenvolveu os conceitos da personalidade extrovertida e introvertida e o de inconsciente coletivo.

 
RAIVA LIBERTADORA

Preciso do que não gosto em mim,
Rastilho que flameja em frenesim,
Algo que me impulsiona e atiça
Nas lutas contra a injustiça,
Fogo de raiva libertadora
Ateado à tirania opressora,
Meu catalisador profundo
Na procura de melhor mundo.

Preciso do que não gosto em mim,
Nas lutas pelo trabalho e pão,
Desiludido, mas não cansado.
Pois se em democracia há fome
E uma classe em permanente festim
A democracia é uma ilusão
E se, impávido, fico parado
Sei que é o fogo que me consome!


© Jorge Nuno (2013)

13/09/2013

O Papel de Homem Total



O ganso da neve não necessita de tomar banho para se por de branco. Também você nada necessita de fazer excepto ser você mesmo.



Lao-Tsé (Aprox. Séc. IV a.C.)

Mítico filósofo chinês, alquimista, fundador do taoísmo.




O PAPEL DE HOMEM TOTAL



No palco, o homem-ator

Representa várias personagens

E quase sem se aperceber

Atira as inconvenientes

Para fora de cena,

Restringindo papéis

Na expetativa de ludibriar,

Impressionar o público

E na espera de obter encómios,

Ao não dar corpo ao vilão

Que poderia mudar

O rumo e final da história.



Como pano de fundo…

O cenário da evolução,

A alma em resgate

E um papel a representar.

Por opção pessoal,

Em suposta representação perfeita,

Como se não houvesse história

Repleta de conflitos,

Reprime sentimentos,

Oculta emoções

Mesmo debaixo dos holofotes

E, preso na narrativa,

Mascara os defeitos

Em impulsos descontrolados

Provindos do seu lado obscuro

E dá realce, com jeito,

Aos defeitos dos outros.



À boca de cena,

Com saberes construídos,

Na aceitação como é

Já vestido de autenticidade,

Há transformação do ator

Que em pose descontraída e de pé

Convida as personagens excluídas

A regressar ao palco da vida

E ajudar a desempenhar

O sábio papel,

Não de herói nem de vilão,

Mas de homem total.



© Jorge Nuno (2013)