22/01/2014

Mapa de Vida

Costumo pensar que as pessoas caem num dos três grupos: o daqueles que em nada acredita para além dos seus cinco sentidos, o dos que estão abertos à possibilidade de poder haver mais qualquer coisa para além desses sentidos e o dos que acreditam na existência de alguma coisa mais.

Eric Pearl ( ? – …)
Médico quiroprático norte-americano, um dos mais importantes curadores da atualidade, introdutor do conceito de “Cura Reconectiva” e autor de obras literárias neste âmbito.


MAPA DE VIDA

Posso sentir o pulsar
Do relógio biológico
Que marca o tempo
Do tempo que me parece fugir
Num espaço difícil de entender,
Posso fazer por dissipar
Pesadas emanações fluídicas,
Afastar estranho orgulho
Do que se pensa saber
E ultrapassar a ignorância
Que nem se tem conta.
Tal como lembrança onírica,
Creio apenas entender
Que os cinco sentidos não chegam
Para aferir a realidade
E ganhar consciência
Que tempo e espaço
Nada significa
Perante o oculto mapa de vida
Que dá pistas, orienta e me liga,
Como cordão umbilical,
A correntes de energia
Em afinidade vibratória,
Reconectando-me
Ao circuito de convivência cósmica,
Mantendo eterno e evolutivo
O meu currículo existencial.


© Jorge Nuno (2014)

Eu Sou a Fonte

O relacionamento é uma estrada de duas vias. Não se trata apenas de receber e dar e receber o que queremos, também é sobre dar. Eu gosto de dizer que cada pessoa devia ser 100% responsável pela qualidade do seu relacionamento. Se só tivermos 50 – 50, quando algo não funcionar, serão os 50% do seu companheiro que não estão a funcionar (…)”.

Jack Canfield (1944 - …)
Autor e orador motivacional norte-americano, cocriador de “Canja de Galinha para a Alma”, bestseller com cerca de 112 milhões de cópias em 40 línguas diferentes.


EU SOU A FONTE
 
Tenho o poder de criar,
De fazer jorrar
Da fonte do meu ser,
Alegria, felicidade e plenitude,
Para experienciar e partilhar
Mesmo que aquilo que crie
Esbarre na incompreensão
Ou falta de entendimento,
Como se não fosse sensato
Sentir e vivê-las.
A alegria está em mim,
Retira o vazio,
Preenche um espaço,
Fica comigo, na intimidade.
Ao irradiar felicidade
Recrio a fonte cristalina
Que jorra com mais vigor.
Não faço contas
Do tipo “deve – haver”.
Sei que apenas recebo
O que estiver disposto a dar
E que, dando ao outro,
Preencho em plenitude
Toda a minha existência.


© Jorge Nuno (2013)

Naufrágio (Com Norte)

A maior glória de viver não está em jamais cair, mas em levantarmo-nos de cada vez de cada vez que caímos.

Nelson Mandela (1918 – 2013)
Advogado dos direitos humanos, líder da resistência não-violenta, prisioneiro e presidente sul-africano, considerado como o mais importante líder africano, Pai da Pátria [África do Sul livre] e um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo. A ONU instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia. 
Obteve o Prémio Nobel da Paz (1993).


NAUFRÁGIO (COM NORTE)

Tendo perdido o norte
Fruto de derrapagem,
Deixei-me levar pelo mar
Tal era a minha mágoa.
Vi um corpo a flutuar
Prestes a naufragar
Em mar alto tortuoso.
Vi olhos lavados pela água,
Alma purificada pelo sal,
Vida que deixou aviso,
Que deu uma resposta,
Um ponto de viragem,
Momento de aprendizagem
E conforto angelical.
Afinal, o mar do desnorte
Sempre foi generoso:
Devolveu-me à costa,
Com novo modo de olhar,
E ao pisar o areal
Vi que esboçava um sorriso,
Vi que estava mais forte.


© Jorge Nuno (2014)  

18/01/2014

O Loiro de Massarelos



Viva, ria e ame. Brilhe como a estrela que é.

                                                 Greg Heart



O LOIRO DE MASSARELOS



Está na casa dos trinta

Um loiro de médio porte,

Uma figura apagada.

A timidez bem o finta

A este rapaz do norte,

Ainda sem namorada.



Trabalha na Fundição

Percebendo do metal

Que faz os muitos talheres.

Fechou sempre o coração

Nem viveu amor carnal…

Nem percebe de mulheres.



Ouviu na rua Vilar

Um piropo da vizinha

Que faz corar qualquer um:

“Oh febra… bais debágar…

Tu tães tãota carninha

E eu aqui em jejum!”



E continuou na rua

Com seu forte desafio

Que o fez atrapalhar:

“Habias de me ber nua,

Isto num cheira a bafio…

E não te bais lamentar!”



Meteu-lhe o braço a preceito,

Qual casal a passear

E ele ficou sem voz.

Via-se que tinha jeito…

No chaço viu-se levar

Conduzida até à Foz.



De tanto olharem o mar…

Cansada de estar em branco

Diz-lhe com ar destravado:

“Hoube lá!... Tães c’abãoçar!

Nãe q’encoste aqui o bãoco,

P’ra ficar em rebuçado!”



Quando ouve em avançar,

O loiro de Massarelos

Mete a mão na manete.

Ao joelho vai parar

Sobre collants amarelos…

Dá um “ai” a Graciete.



E no calor do momento…

“Bês, carago!... Tu abãoça!...

Bêe… num importa p’ra onde!”

Põe o carro em andamento

E diz ele, sem pujança:

“Bamos a Bila do Conde?”



© Jorge Nuno (2014)

16/01/2014

Sons do Meu Pouso



O sorriso que ofereceres, a ti voltará outra vez.



Guerra Junqueiro (1850 – 1923)

Político/deputado, diplomata, jornalista e escritor português, mas acima de tudo um poeta de enorme talento, cuja poesia terá contribuído para o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. O seu corpo repousa no Panteão Nacional.



(Com um toque de humor e o meu sorriso :-)



SONS DO MEU POUSO



No quintal do outro lado,

Com mais um dia a raiar…

Começa o galo Marcelo

Esganiçado a cantar.

Dias de limpeza a fundo

São manhãs de desagrado,

Solta a voz a dona Inácia

Para assassinar o fado.

O palerma do vizinho

Não dá sossego ao martelo,

Ainda me diz no focinho:

São obras de Sant’Engrácia!

O Chico, na oficina,

Faz um barulho infernal,

Ainda vai prò outro mundo

A rebarbar o metal.

No rés do chão, o Romeu,

Aluno de percussão,

Faz duas horas de treino

Que me levam à exaustão.

É o mais novo da Tina…

E tem bicho-carpinteiro,

Arrasta, pula à maneira,

Uiva o santo dia inteiro!

Ai o senhor Magalhães

Que devia dar exemplo!...

Pois sendo ele o porteiro

Nunca cala os seus cães.

São as horas de Maria…

Relógio do campanário

D’altifalante ligado

E as “meias”… d’agonia!

Não fui eu quem assim quis…

A cada cinco minutos

Há comboio de passagem,

Estridentes… seus carris.

Até bem perto de mim,

Após risada sarcástica,

Da boca sai a estalar

Bola de pastilha elástica.

Há ideias criativas!...

Mas por que raio fui dar

A passar de três mil euros

Por próteses auditivas?



© Jorge Nuno (2014)