05/02/2014

Mulher, Não Sei...

"Pausa na Visita ao Museu Abade de Baçal, Bragança", óleo s/ tela 50x40, Jorge Nuno (2014)



MULHER, NÃO SEI…

Mulher, eu sei…
Entre tantas mulheres,
Fora do tempo
Foste escolhida
E geras no ventre
Sem o teu controlo
(Por mais que quiseres).
Mulher, eu sei…
Coisas do Além…
Algo programado
Numa outra vida.
A caminhada é longa,
Sem dúvida!
Refresca-te na fonte
Repousa na guarida,
Fortalece o teu espírito
E evoluiu o que puderes.

Mulher, não sei…
Se te custa mais
Na hora de nascer,
Os cadilhos no crescer
Ou a dor da partida.
Mulher, não sei…



© Jorge Nuno (2014)

03/02/2014

Pitéus da Terra Fria

"Pitéus Transmontanos II" - óleo s/ tela 40x50, Jorge Nuno (2010)


PITÉUS DA TERRA FRIA

Dizem que nem só de pão vive o homem
E um pouco de queijo sabe bem…
Tal como castanhas que se consomem
Cozidas, assadas… como convém
Regadas por uma pinga também!


© Jorge Nuno (2014)

02/02/2014

Dança Sensual

"Dança Oriental" - óleo s/ tela 70x50, Jorge Nuno (2013)

A dança é a mais espiritual de todas as artes.

Kaled Massud


DANÇA SENSUAL

Pose altiva, graciosa,
Plena de mistério
Encarnado em roupas leves,
Transparentes…
Onde se revêm os sonhos
Em ocultas fantasias.
De cabelos longos,
Respiração lenta e profunda,
Movimentos calmos e circulares,
Segura, em desafio
Sentes a musicalidade
E tornas sinuoso o teu corpo
Num serpentear de encanto.
Na dança do ventre,
De culto à deusa mãe,
Celebração de vida,
Ritual de fertilidade,
Simulas contrações
De movimento pélvicos
Com postura corporal
Estético-sensual…
E a alma estremece.
Na dança da espada,
Mostras equilíbrio,
Calma, confiança,
Mesmo que o teu corpo
Esteja aprisionado,
Pois sabes que o espírito é livre.
Na dança do punhal,
Como luto da perda
Evocas sentimentos
Do filho perdido
Em tempos de escravidão.
Na dança dos sete véus,
Que fazes para quem amas,
Entregas-te docemente
Ao cair do sétimo véu.


© Jorge Nuno (2014)

01/02/2014

Identidade

"Pintor Concentradíssimo [autorretrato] - óleo s/ tela 60x40, Jorge Nuno (2011)

Tudo o que você deve fazer na vida é ser quem você é. Alguns vão amá-lo por você mesmo. A maioria vai amá-lo pelo que você pode fazer por ela, e alguns não vão gostar de você de jeito nenhum.
Rita Mae Brown (1944 - …)
Novelista, dramaturga, poetisa e escritora norte-americana.


IDENTIDADE

Por tudo aquilo que dou,
Fraterno amor sem idade,
Com uma entrega sentida
Sem exigir a cobrança,
Quero a minha identidade,
Sem obrigar a mudança,
Só a partilha de vida,
Aposta em felicidade
Sem sacrificar quem sou.


© Jorge Nuno (2014)

Estranha Perfeição

Imagine uma nova história para a sua vida e acredite nela.

Paulo Coelho (1947 - …)
Jornalista e autor brasileiro de letras para canções e de uma vasta obra bibliográfica, com destaque para livros esotéricos e de autoajuda.

ESTRANHA PERFEIÇÃO

Ai… se a vida na Terra
Fosse estranha perfeição
Sem um erro cometido
Próprio de gente capaz,
Sem uma única desilusão
Por não se estar iludido,
De conhecimento adquirido
Por aprendizagem eficaz,
Entrega franca ao amor
Incondicionalmente assumido,
Gente feliz em liberdade
Mente livre de temor,
Findo o espólio de horror
Que tanta vida desfaz,
Apaziguada a vil guerra
Perpetuado o mundo em paz.

Assim fosse a vida na Terra…
Nesta estranha perfeição
Um mundo como convém,
Bem longe destas lérias
De políticos sem pudor
(Que isto… a cabeça ferra!)
Resgatada a imortalidade  
Em vida humana que jaz,
Digo com muita convicção:
Não voltaria do Além!
Talvez, pensando melhor…
Pelo bem que a Terra tem,
Pelo prazer que satisfaz,
Com anjos em cumplicidade
Regressasse em inação
Para pecar na vaidade
De passar cá umas férias!


© Jorge Nuno (2014)

29/01/2014

Sonho ou Pesadelo?



Sonho ou Pesadelo? - óleo s/ tela, 70x30, Jorge Nuno (2014)


Num certo momento da vida, não e a esperança a última a morrer, mas a morte é a última esperança.

Leonardo Sciascia (1921 – 1989)
Escritor, colaborador de diversos jornais e revistas, ensaísta e político italiano (membro do Parlamento Europeu). Com uma vasta obra de mais de 40 volumes, os seus romances iniciaram com uma sátira ao fascismo e continuaram a tendência de crítica ao poder arbitrário e à corrupção política.

SONHO OU PESADELO?

Sob o céu mesclado
Em fim de tarde perene
Ouve-se marulhar permanente
De um mar agora sereno,
Sente-se a maresia ardente
De partículas de iodo e sal
E a areia húmida,
Que se banha a cada instante,
Faz de cama a um corpo inerte.
Será sonho de desejo?
Fica-se a imagem
De um soltar de coração
Revendo em turbilhão
O que na intimidade
Não consegue exprimir.
Será de libertação?
Não sei se há coragem,
Escape do subconsciente,
Uma atrofia da mente
Prestes a explodir.
Será de precognição?
Que futuro foi previsto,
Com ou sem aceitação,
Na perfídia do sonho
Que virou "pesadelo"…
Ou última esperança
Em viagem de corpo ausente?



© Jorge Nuno (2014)

28/01/2014

Regresso a Casa



"Evasões III" - óleo s/ tela  50x40, Jorge Nuno (2011)

(…) é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê.

Marcelo Camelo (1978 - …)
Cantor, poeta, compositor e músico brasileiro, integrou a banda de rock alternativo “Los Hermanos”, de 2001 a 2007, com voz, guitarra e baixo, prosseguindo depois a carreira a solo. A frase citada consta da sua canção: “Além do Que Se Vê”.


REGRESSO A CASA

Vislumbrei a estrada larga,
Crença de um bom caminho,
Com belo mapa de vida
Elaborado por mim.
Do útero fiz-me à estrada…
Sensação de déjà vu.
Quando o troço a percorrer
Não parece o projetado,
Há levianos descuidos,
Quaisquer memórias perdidas,
Percalços na caminhada
Ou estou equivocado.
Mas posso corrigir rotas,
Parar para descansar…
Escolher de seguida
Cinco pontos de saída
Com atraso na chegada.
E mantenho a consciência
Que estou sempre a caminhar,
A caminhar… caminhar…
No meu regresso a casa.


© Jorge Nuno (2014)