17/11/2014

Reação a um "input"



REAÇÃO A UM “INPUT”



Surgem estímulos do exterior,

Há ligações em constante mudança,

Cérebro que se agita em contradança

Ao ritmo de emoções, plenas de amor.



Grupo de neurónios, na vizinhança,

Ilumina-se com tal esplendor

No fluir de mensagens com vigor,

Que ficam retidas, como lembrança.



Novas ligações surgem num segundo,

Enquanto procuro dizer ao mundo

Como é fantástico pensar em ti.



Sinto que o sistema límbico ri…

P’la forma mental em que me envolvi

Na captação do teu olhar profundo.



© Jorge Nuno (2014)

14/11/2014

Libertação de Um Poema (ou Homenagem aos Meus Neurónios)



LIBERTAÇÃO DE UM POEMA
(OU HOMENAGEM AOS MEUS NEURÓNIOS)

Entre estímulos intelectuais,
Desafios do cérebro, frenéticos,
Ocultos, ágeis poderes mentais
Transformados em impulsos elétricos

Tecem fortes ligações neuronais,
Redes complexas, sem compassos métricos,
Amálgama de massa em tons rosais,
A surpreender até os mais céticos.

Com biliões de possibilidades,
Os axónios transmitem sinais
Nervosos, idos às extremidades

Banhados nas sinapses, junto ao cais,
As dendrites captam as novidades
E libertam poemas naturais.

© Jorge Nuno (2014)

30/10/2014

O Milagre do Linho

O MILAGRE DO LINHO

Cultivado o “galego” no florir
Com legumes e amor de permeio,
“Mourisco” no outono quer partir
Na vizinhança do trigo e centeio.

“Chão das hortas” sofre trato, gradeio,
Sementeira, rega, monda, parir…
(Arrancado p´la raiz sem receio),
Ripar, enriar em leito a fluir.

Secar ao sol, enérgico malhar,
Macerar, acamar, usar espadela,
Assedagem, fiação e barrela…
Entre luta tenaz e terno olhar.

Meadas suspensas, a ondear,
Dobadas sem pressa, devagarinho…
Enformam-se novelos de carinho,
Mágico fio de ir ao tear.

Há esforço hercúleo p’ra ter o miminho
(Após urdidura, saber, cautela…),
Mera vontade de pintar na tela
Esse espantoso milagre do linho.


© Jorge Nuno (2014)

Poema a declamar pela poetisa amiga, Teresa Almeida, durante o evento "Linho & Poesia", que irá decorrer na Casa da Cultura de Sendim (Miranda do Douro), no próximo dia 8 de novembro, pelas 15h30, e que envolve também o lançamento do livro "Poemas de Linho", do poeta amigo José Alberto Rodrigues.

11/09/2014

Sela Meus Olhos



SELA MEUS OLHOS

Que seria deste meu quarto de estudante
Se não houvesse o teu sorriso doce,
Se não existisse o teu olhar brilhante,
Se perto de mim a tua presença não fosse
A única alegria com que posso contar.
Mas só tu conheces o mar de tristeza em que navego,
Só tu conheces a minha angústia, meu desesperar…
E o Deus que renego e a quem me entrego.
Por isso, só tu sentirás desgosto
Quando a estricnina me matar.
E quando a morte puser em meu rosto
Aquela serenidade, sem algo a perturbar,
Sela então meus olhos com dois beijos
Dos tantos que em vida te quis dar.

© Jorge Nuno
Obs.: Uma raridade perdida, na altura ainda sem título – datada de 26 de maio de 1971, pelas 11h39 – e agora reencontrada. Obrigado, Diana.