10/04/2016

CRÓNICAS DO FIM DO MUNDO (32) - Crónica: "A Lente Desfocada e a Transparência"

A LENTE DESFOCADA E A TRANSPARÊNCIA


Aceito, e agrada-me saber, que equipamentos públicos obsoletos – e muito bem implantados em zonas de elevado valor comercial – possam vir a ser alienados e substituídos por outros com instalações condignas e com equipamentos de vanguarda, capazes de prestar um bom serviço às populações, fazendo sentir que há retribuição compensatória por esse investimento, que o é naturalmente por via dos impostos. Foi isso que fez o Ministério da Saúde, em 2009. Vendeu, por 111,5 milhões de euros, à Sociedade Estamo, empresa do setor empresarial do Estado que compra imóveis públicos (e é participada da Parpública), os antigos hospitais de São José, Santa Marta, Capuchos e Miguel Bombarda. Segundo o que estaria contratualizado, a não desocupação das instalações no tempo previsto daria lugar a uma renda mensal. Passado cerca de sete anos, tomei conhecimento dos valores envolvidos nessa renda. Bem limpei as lentes dos meus óculos e, também, pelo instante fotográfico, admiti que a lente deveria estar desfocada; é que o absurdo era tal que me fez questionar sobre o modus operandi, ainda mais pelos imensos sacrifícios exigidos aos portugueses. Apercebi-me que apenas três hospitais pagariam, anualmente, cerca de 5,8 milhões de euros de renda, embora outra notícia referisse 7 milhões a pagar por 4 hospitais, que não o Miguel Bombarda, entretanto desativado. Apercebi-me, também, que se poderá perder muita história: motivos arqueológicos de interesse, com mármore e madeira meticulosamente trabalhados; azulejos com centenas de anos; muita arte sacra em igrejas e capelas internas; bibliotecas antigas e arquivos com documentos históricos e únicos; equipamentos e utensílios médicos que fariam as delícias dos visitantes num museu, permitindo-nos escutar o eco de um passado, que parece longínquo, mas que hoje é muito apreciado, desde que o espólio esteja bem conservado. E tudo isto numa altura em que Portugal está, cada vez mais, apontado como um excelente destino turístico.

Passou-se algo semelhante, ao nível das rendas, em mais de uma centena de escolas secundárias [públicas], intervencionadas no âmbito do Programa de Modernização do Parque Escolar. Foi muito agradável constatar a recuperação e melhoria significativa nessas instalações e demais equipamentos, possibilitando melhores condições de aprendizagem para os alunos, e de trabalho para os profissionais da educação. Em bastantes casos, com a sensibilidade própria de cada arquiteto, foram idealizados e utilizados materiais de bonito efeito, com requinte, ar condicionado em todas as salas de aula, laboratórios, oficinas, centros de recursos, auditórios, e obras encarecidas, inflacionadas… para depois não se verificar investimento em “simples” sistemas fotovoltaicos de autoconsumo, que permitiria gerar energia elétrica a partir da energia solar, a custos baixíssimos. Resumidamente, há forma de aquecer e arrefecer os espaços, mas os orçamentos escolares não comportam os custos de eletricidade e das rendas mensais, que ficaram a ser pagas, obrigatoriamente, à ParqueEscolar – entidade a que essas escolas ficaram amarradas, por força de lei.

Este tipo de atividade, em grande medida a envolver quantias significativas de dinheiro, e pior ainda por se se tratar do Estado (que nos impõe deveres e que nos deve garantir direitos), remete-me para 1995. Relembro o caso do conhecido ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, que negociou as condições contratuais da concessão da travessia rodoviária do Tejo (e envolver a pontes “25 de abril” e “Vasco da Gama”), para logo depois assumir o cargo de presidente da empresa concessionária – a Lusoponte, uma Sociedade Anónima de capitais privados –. Este chegou a ser considerado “O Negócio de Ouro”. O Estado português terá pago 364 milhões de euros em indemnizações e a empresa terá arrecadado 746 milhões de euros na cobrança de portagens (valores até 2012). Terá havido, posteriormente, “nove acordos de reequilíbrio financeiro”, e o Tribunal de Contas [baseando-me nos seus Relatórios de Auditorias n.º 31/2000 e 47/2001] considera ter havido “substanciais e pesadas consequências financeiras (…) para o erário público”, tal como foi “penalizador” as renegociações, e recomendou que “o Estado procure ativamente (…) até adotando uma postura criadora, assumir uma posição intransigente e permanente defesa dos interesses financeiros públicos(…)”. O certo é que, até 2019, o Estado vai ter que transferir mais 100 milhões de euros de “compensação” e, praticamente sem contrapartidas, absorve mais riscos, incluindo a manutenção da “ponte 25 de abril”, riscos que deveriam pertencer à concessionária. É o exemplo típico de uma parceria público-privada, altamente rentável para uma das partes – a privada – à custa do dinheiro dos contribuintes.

Recentemente, surgiu o caso da ex-ministra das Finanças que, sendo deputada, foi nomeada administradora não-executiva de uma empresa financeira, que negoceia e gere dívida, com interesses na banca portuguesa. Essa empresa – a Arrow Global, que fez a revelação que geria 5,5 mil milhões de euros – terá lucrado com o arrastamento do caso BANIF, com a forma como foram geridos os seus ativos, continua a lucrar com os ativos que ainda estão nas mãos do Estado (e que o Santander Totta rejeitou), tal como tem vindo a lucrar com o crédito malparado dos bancos e instituições de crédito portugueses. Junta-se o facto de subsidiárias dessa empresa terem vindo a receber benefícios fiscais, que suscitam dúvidas quanto à legalidade da sua atribuição. No mínimo, levantam-se questões ético-políticas, a merecer que haja regulação séria e controlo sobre a atividade dos titulares de cargos políticos e também sobre os titulares dos altos cargos públicos. Com este propósito, a esquerda parlamentar tem vindo a movimentar-se e sabe-se que vai ser apresentada uma resolução na Assembleia da República, pelo partido que sustenta o Governo, “para instalar uma comissão eventual sobre as regras de transparência a que devem estar obrigados (…)” os citados titulares de cargos políticos e públicos.

Já vai sendo tempo de haver uma melhor focagem no essencial, que resulte numa gestão adequada da coisa pública, para bem de todos nós e vindouros. Acima de tudo, tem de haver mais transparência e maior integridade, sem descurar a permanente vigilância, que compete a todos nós.

© Jorge Nuno (2016)

30/03/2016

CRÓNICAS DO FIM DO MUNDO (31) - Crónica: "Na Força da Primavera"

NA FORÇA DA PRIMAVERA 

Dava gosto ver o entusiasmo com que o macho procurava atrair a fêmea. Estando ambos no chão, sobre o passeio toscamente empedrado do jardim, o pombo rodeava-a, incessantemente, até à exaustão. A sua plumagem eriçada fazia com que aparentasse um tamanho bem maior. Evidenciava uma bela estética e graciosidade nos seus movimentos corporais, como se se tratasse de um bailarino do Bolshoi. Destacavam-se os movimentos repetitivos com a cabeça, que inclinava, como que a querer dizer: “Ó p’ra mim tão bonito!”. Devido à distância e à minha falta de audição, não ouvi o natural arrulhar, habitual nestas circunstâncias, nem observei o alisamento das suas próprias penas ou da sua potencial parceira, especialmente à volta do pescoço e na zona da cabeça, sinal carinhoso e próprio do ritual de acasalamento. Mas, se calhar, nem teria que ouvir e ver, pois o entusiasmo ia só numa direção. Ela, parecia mais interessada em seguir um caminho predeterminado, quem sabe, para descobrir umas quaisquer migalhas de pão, deixadas no caminho, e mostrava-se indiferente ao macho atrevido. Este, ao fim de vinte longos minutos, provavelmente zonzo da cabeça, provocado pelo rodopio, ainda teve forças para se afastar, voando uns vinte metros. Fiquei a observá-lo, por breves instantes. Tinha poisado sobre a cobertura da casa dos apetrechos do jardineiro. Estranhamente, parecia calmo e pouco (ou nada) preocupado com o facto de ter falhado a tentativa de corte, sem rendição da fêmea. Pensando bem, ela também deve ter uma “palavra” a dizer, já que estas aves são monogâmicas, e ter borrachos de um pombo (ou estar com alguém) pelo qual não se sente nada, creio que deverá ser desagradável. 

No banco do jardim, talvez influenciado pelo “filme dos pombos” acabado de observar, um indivíduo, que aparenta ser septuagenário e esforçar-se por ter algum vigor, encosta-se à sua companheira de uma vida e, de lábios estendidos, tenta roubar-lhe um beijo, sem sucesso. Ainda não percebi duas coisas: por que será que estas cenas, com casais que já têm umas boas décadas de vida em conjunto, os faz sentir ridículos, quando as experienciam em público; por que será que há uma reação adversa, tendencialmente por parte da mulher. Ela limitou-se a esquivar-se, usando os braços para o afastar e, enquanto exibia um sorriso, repetiu duas vezes, como que a querer justificar-se perante mim, que passava junto do casal: “O homem endoidou… o homem endoidou!”. Naturalmente, não parei nem fiquei a olhar, por razões óbvias. Mas fiquei curioso e, embora isso não me diga respeito, gostaria de ter podido analisar a expressão daquele homem. Admito que ele possa ter ficado, instantaneamente, mais desiludido que o pombo “cortejador”. Afinal, custa assim tanto retribuir um beijo, quando estão presentes duas pessoas que têm muita cumplicidade, companheirismo e partilham a vida a dois, como se fosse apenas uma única vida? 


Mais à frente, noutro banco, encontravam-se duas adolescentes, por volta dos treze ou catorze anos. Uma delas – a mais “espevitada” – tinha cabelo arrapazado, faces excessivamente rosadas, próprio da idade e da brincadeira, e exibia a blusa desapertada e fralda de fora. A outra, de tez clara, tinha cabelos longos, feições mais femininas e um porte ousado para o seu perfil, como quem quer libertar-se da timidez. Ambas desassossegavam um rapaz, que aparentava ser ligeiramente mais velho. Faziam-lhe cócegas; metiam-lhe as mãos no farto cabelo, desgrenhando-o ainda mais; a mais discreta veio por trás e tapou-lhe os olhos, com alguma meiguice; imediatamente, a “Maria rapaz” deu-lhe uns empurrões, como que a querer despertá-lo da letargia e afastar a amiga competidora. Afinal, estavam duas raparigas a dar-lhe uma atenção a que ele parecia não estar minimamente interessado em corresponder. Ele, sempre de olhar fixo no smartphone, que manipulava conforme podia, ia alternando entre sopros dirigidos para o cabelo comprido, que lhe tapava a visão, de modo a afastá-los, e palavras de desagrado, que deixava escapar, praguejando em puro vernáculo (que dispenso aqui a sua reprodução), mas apenas refiro que se a cena estivesse a ser filmada e viesse a ser exibida na televisão, teria, forçosamente, de ter uma bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã, ou muitos piiiiii sobre os imensos palavrões proferidos! Até que ele decide, repentinamente, arrumar o telemóvel no bolso de trás das calças largas e de cinta descida. Já em pé, agarra na mochila e dispara, em passada larga, em direção ao portão do jardim, logo seguido de ambas as raparigas. Estas duas “pombinhas”, numa atitude diferente da do citado pombo rejeitado, denotavam uma atração pelo rapaz, e não pareciam minimamente interessadas em desistir daquele “borracho” ou “pãozinho”. 

Já fora do jardim, num ponto estratégico com muito movimento de peões, encontrava-se um indivíduo de aspeto pouco ou nada cuidado, de barba por fazer, e cuja idade se devia situar nos trinta e pouco, mas até podia andar na casa dos vinte. Estava sentado sobre um cartão e, à sua frente, tinha o fundo recortado de uma garrafa de plástico, contendo poucas e pequenas moedas acastanhadas. De repente modificou-se o seu ar pesaroso, inspirador de piedade. Levantou a cabeça e, sem sair do lugar, seguiu embevecidamente a jovem empregada do café, que trabalha ali perto. Neste dia soalheiro e primaveril, tinha saído à rua sem a bata e sem o casaco, e exibia os seus fortes atributos, despertando os sentidos a qualquer mortal. A menos que se desse uma grande reviravolta, por agora, este jovem, na primavera da vida, apenas poderia sonhar. Não sei se ele sabia quem foi Steve Jobs ou se conhecia a frase inspiradora que proferiu: “Cada sonho que você deixa para trás, é um pedaço do seu futuro que deixa de existir”. Também eu fiquei a sonhar acordado. Tive um desejo fremente para que este jovem arribasse e pudesse reconstruir o que parece torto, preparando [no seu coração] a terra fértil, cultivando o melhor e poder vir a florescer para a vida, com oportunidades, confiança e alegria, consciente da capacidade da mente em operar milagres. É que o desabrochar é espectacular, na força da primavera! 

                                                                                                                              © Jorge Nuno (2016)

11/03/2016

CRÓNICAS DO FIM DO MUNDO (30) - Crónica: "Falar para o Boneco"

FALAR PARA O BONECO

Há uma indesmentível sabedoria popular, a que nem sempre damos o devido relevo, e muitas vezes somos mesmo traídos pela aparência evidenciada por algumas de essas pessoas e temos a tendência mesquinha para as menosprezar.
Creio que terei aprendido uma lição de vida, que não mais esqueci, ao deparar-me com um alentejano que aparentava ter setenta anos (numa altura que eu devia andar pelos trinta). Foi numa noite de verão, num tosco café, um dos poucos abertos na cidade de Elvas, onde eu iria pernoitar. Sentado ao meu lado e talvez por sentir necessidade de conversar com um estranho, que até tinha ares de quem vinha da capital, meteu-se a disparar uma série de questões, algumas que pareciam profundas e filosóficas, apesar do seu ar humilde, e ia, pacientemente, aguardando a minha reação. Primeiramente, senti que ele estava a falar para o boneco, pois não estava a dar-lhe qualquer importância e reconheço que até olhava para ele com alguma altivez. Quando me decidi “ir a jogo”, mesmo tendo eu um curso superior, senti-me completamente vergado pela sua sabedoria.
Uma dessas pessoas que muito admiro, é o poeta António Aleixo, que tendo sido um pobre, “quase analfabeto”, com tragédias familiares, dificuldades e doenças, ficou conhecido como um dos mais importantes poetas populares portugueses – com quem me identifico ao nível da ironia e capacidade de crítica social –, bem patente nas suas quadras, e que ainda hoje fazem a delícia de quem as lê, mesmo tendo passado quase setenta anos sobre a sua morte. Talvez, durante algum tempo, ele tenha sentido que andava a escrever para o boneco, mas ficou uma boa parte do seu legado, que pela aceitação contraria essa ideia.

Mas essa sabedoria popular, não sendo considerado um conhecimento científico, acaba por ser transmitida de geração em geração e revela-se das mais variadas formas, desde as mezinhas para curar algumas doenças, sem recurso aos químicos da indústria farmacêutica, até aos ditados populares. Sobre estes, dou apenas alguns exemplos, para ficarmos apenas na verdade e na mentira: “O dinheiro cala a verdade”; “Ainda que enterrem a verdade, não sepultam a virtude”; “Mais perde em amizades quem mais teima nas verdades”; “Mais vale o calar do mudo do que o falar do mentiroso”; “O mentir exige memória”; “Nada é mais fácil que mentir e mais difícil do que mentir bem”; “Quem a dois senhores quer servir, a um há de mentir”; “A verdade é amarga, a mentira é doce”…  

Fui acumulando alguma dessa sabedoria ao longo de mais de sessenta anos, e ao aperceber-me que tivemos uma longa ditadura no país que durou mais de quatro décadas, admitindo que quanto mais ignorantes são as pessoas mais são facilmente manipuladas, talvez explique porque dediquei mais de metade da minha vida à educação e formação de adultos. Este conceito parecia verdade, até ler num jornal semanal, que colocam gratuitamente na caixa de correio, esta frase do conhecido mágico Mário Daniel: “Quanto mais culta e inteligente for a pessoa, maior a facilidade com que cai no truque”, falando mesmo nos truques para seduzir. Talvez alguns membros destacados da classe política tenham conseguido obter algumas lições, para aumentar o número de votos, já que tinham, como dado adquirido, os votos dos “ignorantes”.

À presente época, ainda se veem alguns cidadãos, provavelmente bem-intencionados, a tentar deixar uma marca e a promover mudanças na sociedade, num apelo à inteligência e à verdade. No entanto, um conhecido bastonário andou a falar para o boneco, tendo como cruzada a crítica aos juízes; agora foi conhecido o caso de um procurador indiciado de ilícitos criminais em que, ao que tudo indica, “o dinheiro calou a verdade”. Há o caso do professor universitário, candidato a presidente da República, que teve a corrupção como tema central da campanha; afinal, “a verdade foi amarga” e obteve 2,16 % dos votos nas últimas eleições, parecendo evidente que andou a falar para o boneco e que as pessoas preferem uma “mentira doce”. Também um conhecido comentador desportivo parece andar a falar para o boneco; enveredou pela defesa da causa “verdade desportiva”, estabeleceu pontes numa abordagem da promiscuidade entre desporto (com predominância do futebol) e política e escreveu, já em 2016, o livro “Mentiras Futebol Clube”, vindo a “perder em amizades por teimar nas verdades”. Estranhamente, até no último filme a que assisti no cinema – “The Boy – Segue as Regras” – vi a personagem Greta, no papel de baby-sitter, que passou quase todo o tempo a falar para o boneco Brahms, de porcelana e no tamanho real de um menino de oito anos, que afinal “não era um mero boneco”… deixando uma pessoa desconcertada, quanto ao que é verdade e mentira.

No dia de tomada de posse do 20.º presidente da República, assisti a uma entrevista de circunstância na TV, feita por um repórter na rua e para “encher chouriços", frente ao Palácio de Belém. À pergunta “Então que espera deste novo presidente?” ouviu-se uma popular responder: “Então… espero que seja melhor que os outros atrasados!”. Será que a esta pessoa fugiu-lhe a boca para a verdade? Fez-me logo lembrar da presidência aberta de Mário Soares em Trás-os-Montes, mais precisamente em Rio de Onor; um repórter perguntou a um ancião o que achava da presença do presidente da República na aldeia e teve como resposta: “Oh… nunca outro tinha cá botado as patas!”. Porque aqui não se precisa de truques, ao ver gente genuína, com tanta simplicidade, bem posso acreditar que este homem estaria mesmo convicto dessa verdade.

       © Jorge Nuno (2016)




09/03/2016

Em Busca das Minhas Pérolas

EM BUSCA DAS MINHAS PÉROLAS

Sonhei novamente… Mais uma dor angustiante, agora prolongada ao ombro, pelo bater da coronha da G3. Acabei de despejar definitivamente o último carregador de balas. Nem me interessa ficar com o tapa-chamas como recordação. Ainda se ouvem ao longe os ecos dos meus disparos e pouco importa se eu consigo, ou não, matar o passado. Basta-me ter a cova aberta, preparada para o enterrar! Fica no ar um “paz à sua alma”, de um passado sem vida e sem cor.

          Sem precisar de ir pelo esgoto, não fujo de terra, em direção ao mar. Simplesmente parto de terra, procurando uma parte funda do oceano, onde irei mergulhar para trazer as minhas pérolas. É aí que está a serenidade que preciso, nesse negro escuro, onde melhor vejo a minha luz interior.

Quando regressar, levitarei sobre as águas, porque eliminei todo o peso que me oprimia. O sal ter-se-á encarregado de diluir as mágoas, desilusões, culpa e emoções reprimidas, numa drenagem psíquica há muito desejada, mas sem a necessária força interior para antes o conseguir.   

Pouco importa a cor do céu, a lua cheia, as tensões de um mundo incerto ou o que possa influenciar ou agitar as minhas águas… Não é preciso ter êxito total nos propósitos e muito menos à custa de favores especiais. Basta pensar e valorizar o esforço despendido na busca das merecidas pérolas. É a dádiva da vida, que se torna abundante, quando nos tornamos gratos.

Quando chegar a terra, carregado de um novo combustível da existência e contigo à minha espera, é hora de saborear. Sei que os problemas não fugiram, mas sei que finalmente ficarás a conhecer o meu sorriso, porque, agora sim, sentirei paz no coração!”

Trecho de um trabalho de prosa poética, elaborado pelo personagem “Filó”, no romance “As Animadas Tertúlias de Um Homem Inquieto” (que completa agora 3 anos), de
© Jorge Nuno


10/02/2016

CRÓNICAS DO FIM DO MUNDO (29) - No Quarto com Ela

NO QUARTO COM ELA

Já há três dias que andava ansioso pelo momento. Não é por acaso que eu tinha estes dois livros na mesa de cabeceira do quarto: “Cérebro – Manual do Utilizador”, obra da Dr.ª Sandra Aamodt (da Universidade de Yale) e do Dr. Sam Wang (da Universidade de Princeton); “Descontrair a Mente”, escrito pelo Prof. Dr. Dietrich Langen, falecido em 1980 e, ao que consta, dedicou “mais de quarenta anos de experiência na área da divulgação médica do treino autógeno”. Com estes, procurava, além de exercitar a mente, obter aprendizagem de técnicas de relaxamento, com alguma sistematização, de modo a fazer melhor uso do cérebro.  

Em boa verdade, há cinco anos que recuso ser um sexagenário, por me considerar um sexalescente – e até há quem diga “sexylescente” –, já que está nos meus planos manter-me ativo, sem preocupações quanto ao passar dos anos. Também é certo que podia sentir-me um pouco mais relaxado quando pegava nos referidos livros, mas não contribuíam para me tranquilizar completamente. Experienciava isso ao ver as notícias na TV, particularmente aquelas que considerava um estímulo à minha capacidade de compreensão e/ou um atentado à minha inteligência. Tinha acabado de ver aquela que se reportava ao vírus Zika, alegando que em Portugal estará “montada vigilância apertada nas fronteiras para detetar a presença de insetos que represente ameaça”. Ora, sendo estes tão minúsculos e… aos milhões, fiquei curioso de saber como será “essa vigilância apertada nas fronteiras” para os insetos, quando nem se consegue controlar a meia dúzia de cavalos à solta [para os animais não há fronteiras] que fazem aumentar a sinistralidade rodoviária. Depois, as notícias da Comissão Europeia (CE) sobre Portugal, a fazer-me lembrar Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, que disse: – O cliente pode ter o carro que quiser, desde que seja preto; assim, também a CE – que é pouco ou nada democrática, pois os seus membros não se submetem a sufrágio eleitoral – toma decisões, que obriga a obedecer (sob a forma de acordo), mesmo quando não se concorda com as decisões concretas, e argumenta com a “regras europeias” dizendo, sub-repticiamente, que Portugal pode escolher e adotar as políticas que quiser, desde que seja a política definida pela União Europeia.   

Nestas minhas deambulações, para minha satisfação, o tal momento especial chegou. Aguardava-a, pacientemente, no quarto. Reconhecia que me sentia em desvantagem, antes e depois da sua entrada. Logo após ter-me perguntado se estava bem-disposto, apressei-me (não sei se desajeitadamente, pelo modo brusco com que o fiz) a perguntar-lhe onde é que ela queria: – Na cama ou no cadeirão?
Reparei no seu ar jovial, e a sua movimentação indiciava grande à-vontade, como quem está habituada a estas lides. A sua resposta deixava transparecer que estava confiante e, por ser dada de modo delicado, fez com que me sentisse menos constrangido: – Pode ser onde quiser; na cama ou no cadeirão. É onde se sentir mais confortável. Escolha, pois por mim tanto faz.   
Ainda não sei bem por quê, impulsivamente, escolhi o cadeirão. Há dias assim…
Então sente-se e descontraia – disse-me, enquanto exibia um sorriso tranquilo e baixava-se mesmo à minha frente, bem próxima de mim.

Vi então aumentar, exponencialmente, os meus níveis de ansiedade, fazendo agarrar-me com firmeza aos braços do cadeirão, como se estivesse no consultório dentário e já ouvisse o silvar da broca a aproximar-se da minha boca, sem estar anestesiado! Nestas circunstâncias, tudo indiciava que os ensinamentos do Prof. Dietrich Langen não iriam ser absorvidos por mim. De pouco me valeu que este tivesse feito tanto esforço a apregoar como “Descontrair a Mente” e, em vez disso, houve lugar a um turbilhão de ideias, por instantes sem controlo, quando seria suposto sentir alguma tranquilidade, por antecipação. Genuína e estranhamente, admiti que, em vez daquela jovem com atributos, nem me importaria que estivesse ali uma outra mulher, mesmo que quarenta anos mais velha, de corpo disforme, com peito muito grande e descaído, e até aceitaria que ela fosse uma rezingona mal-humorada, verrugosa, de cabelo desgrenhado e aspeto descuidado. Mas, não… tinha bem próximo uma jovem, dinâmica e confiante, e acreditava que esta iria fazer-me soltar. Com esta idade nunca, mas mesmo nunca, tinha passado por situação semelhante.
Perante o meu ar receoso, bem evidente, volta a dizer: – Incline-se para trás, abra mais um bocadinho as pernas e descontraia.
Ela foi de tal modo eficaz que em menos de três minutos, já com os preliminares incluídos, zás!... Estranhamente, acabou por ser muito rápido, entre um misto de uma ligeira dor e de um imenso alívio. Finalmente… a jovem enfermeira retirou-me a algália!

© Jorge Nuno (2016)

      

09/02/2016

CRÓNICAS DO FIM DO MUNDO (28) - No Meu Galho em Noite Fria de Inverno

As nossas escolhas geram o inferno na Terra ou o Céu na Terra.

Santa Hildegarda de Bingen (1098 – 1179)
Monja e abadessa beneditina alemã, mística, teóloga, pregadora, escritora de livros de medicina natural, poetisa e compositora, proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Bento XVI, em 2012.


NO MEU GALHO, EM NOITE FRIA DE INVERNO

A tarde fria de inverno transforma-se rapidamente num sombrio lusco-fusco, ao ver desaparecer de vez os últimos raios de sol por detrás da serra de Nogueira. Caminho a pé, em direção a casa, olho ao longe e ainda consigo descortinar os picos mais altos da Sanábria, tingidos de branco sujo, de uma neve que teima em ficar por muitos meses. Ajeito o cachecol em volta o pescoço, como se olhar para a neve me fizesse sentir ainda mais o desconforto do frio, ou como se a minha voz interior me avisasse para não facilitar, para evitar problemas futuros, sabendo que eu encaro as vacinas, incluindo a da gripe, como uma treta, por me julgar um super-homem, acima de qualquer doença. Olho instintivamente para o relógio. Mas são ainda dezassete horas e já é de noite!

Enquanto caminho, sinto no ar o agradável cheiro a lenha queimada nas lareiras e, de repente, lembro-me de questionar por onde andará agora o imenso bando de estorninhos que me habituei a ver em todos os fins de tarde de verão, vindos dos campos para pernoitar nas velhas e bem cheirosas tílias da praça Cavaleiro de Ferreira, mesmo no centro da cidade, entre alegre e aguerrido chilrear. Coisa fina, pernoitar na cidade! Para novamente, pela alvorada, partirem para os campos, ricos em alimentos. Dizem que os estorninhos-malhados estão por cá no inverno e os estorninhos-pretos permanecem todo o ano, mas por que será que só me dou conta deles, qualquer que seja a espécie, ao crepúsculo, durante o verão? Não é meu hábito andar distraído, mas algo se passou. Mas por que me lembro agora desta espécie de comportamento gregário? Será pelo fascínio dos seus movimentos coletivos de rara beleza, com mudanças rápidas de direção, como que a prepararem-se para a grande viagem sazonal, à procura de outro habitat, num jogo de sobrevivência e procura de bem-estar coletivo?
Entre deambulações mentais, vejo-me mecanicamente a marcar o memorizado código para abrir a porta do prédio. Pouco depois… a jantar, e ainda são só dezoito horas! E eu que tantas vezes, intimamente e sem o referir, criticava os mais idosos por jantarem tão cedo!

Tal como um dos estorninhos, hoje apetece-me ir cedo para o meu galho e adormecer logo para começar cedo o meu novo dia, com energias renovadas para os próximos atos criativos, sejam eles quais forem. Estranho, pois sei que não precisaria de partir cedo para os campos em demanda de alimento, nem obrigatoriamente ficar na cidade, ir para o emprego, picar o ponto e dar, profissionalmente, o meu contributo ativo. Mas não me sinto estorninho, porque não tenho a companhia contagiante dos outros estorninhos. No entanto, hoje, no meu galho, rejeito o computador, a internet e as redes sociais (com canários, papagaios, cegonhas, abutres, melros, gaviões, cisnes, pelicanos, patos, beija-flores, avestruzes, caturras, gaivotas, corujas, pavões… mas muito poucos estorninhos para formar um bando estonteante). Rejeito também o televisor, a rádio, o leitor de CD’s, o MP 3, o instrumento musical com dois teclados, pedaleira de baixos, caixa de ritmos e orchestral conductor, ou um ou mesmo dois livros.
Baixo as persianas térmicas até meio, para poder deixar entrar os primeiros raios de sol de inverno, que surgem do lado de Babe, e servirão de natural despertador, já que os galos não abundam nas redondezas e os vidros duplos abafam qualquer ruído exterior. Deito-me, apago a luz e reflito sobre as aprendizagens do dia e, por fim, poder agradecer ao Universo por essas aprendizagens.

Vêm-me à mente, em catadupa e sem nada forçar, uma série de coisas. Curiosamente, as perguntas parecem melhores que as respostas. Por que razão no escuro vejo melhor? Sim, comigo parece resultar, no escuro muitas vezes faz-se luz! No escuro dou mais importância à luz. E como se fez uma noite negra, mesmo sem estarmos em lua nova, e como negro se transformou o meu país! Queixas? Não, não é meu timbre. Prefiro acender a candeia, do que me queixar da escuridão. Mas sinto que tenho que ir mais fundo. Serão o medo e a culpa os dois principais inimigos do homem? O que acontece quando o homem se libertar de sentimentos de culpa, que lhe foram inculcados durante séculos e, decididamente, perder os medos? As sociedades, os governos e modelos económicos vigentes continuarão a agir como até aqui? Por que será que a nossa maior fraqueza é a dependência, do que quer que seja ou de quem seja, permitindo, passivamente, que sejam cometidos abusos? Por que razão não agimos de uma forma mais interdependente, numa relação recíproca, de tratamento igualitário, não para criar lucro a alguns mas para gerar verdadeira riqueza, que reverterá em benefício de todos? Será que eu não serei mais do que uma forma de vida, mas uma experiência mais ampla de vida, como energia em movimento? E que essa energia, num plano vibracional mais elevado, trará mais autoconsciência? E que essa energia afetará, inevitavelmente e por simpatia, outra energia que esteja próxima? E que essa vibração em ascendente conduz à mudança? Estaremos mesmo a aproximarmo-nos rapidamente da Idade de Ouro da Iluminação? Então por que razão fica a perceção que tudo nos parece tão negro neste planeta em expiação, que aparenta ficar pior a cada dia que passa? Não estará cada vez mais gente a conseguir ver no escuro? Não estaremos já numa fase de mudança de consciência coletiva, pela evolução natural de tanto olhar e não aceitar indefinidamente a escuridão? Até que ponto a cocriação, que advém da paixão, será a força motriz para alterar o statu quo? Quanto custa ir da apatia à empatia? Precisarei de evocar o meu lado sagrado, o que me conduz à minha verdade mais íntima, para dar contributos nos atos criativos comuns e estimular a mudança? A vontade ou necessidade de que a verdade interior esteja de acordo com a vivência exterior não levará as pessoas ao questionamento e a querer corrigir assimetrias? É aqui que entra o conceito de que a vida é um processo de andar em círculo, mas pensando nisso como uma espiral ascendente?

Estranhamente, um aperto de bexiga leva-me a esfregar os olhos e a “despertar” lentamente, como quem acaba de acordar de um sonho não menos estranho. Viro-me para a direita e fixo o olhar no relógio luminoso. Faltam três minutos para a meia-noite. Levanto-me, vou à casa de banho e logo me sinto um pouco mais aliviado. Espreito pela janela, sem esperar ver nada de especial a essa hora da noite, numa cidade que fica quase deserta a partir do fecho do comércio, mas no ar sinto o persistente cheiro agradável a lenha queimada e o frio cortante, com reflexos no vidrado do asfalto, visível sob o número reduzido de candeeiros acesos da rotunda e, contíguo, através do arraial luminoso que provém do túnel.
Dirijo-me novamente para a cama e reparo que é precisamente meia-noite. Começa um novo dia. Hesito, por momentos, entre o adormecimento ou ficar desperto. Mesmo desperto, posso decidir se quero prolongar a noite negra ou se quero antecipar a alvorada e ver raiar, entre as barras das persianas, os raios de sol que indiciam um novo dia, uma nova oportunidade. E como tudo seria mágico e simples, se um enorme bando de estorninhos saísse dos seus galhos e se juntasse, com as suas mirabolantes danças aéreas, para dar corpo à visão coletiva do ansiado novo dia.   


© Jorge Nuno (2013)

16/01/2016

CRÓNICAS DO FIM DO MUNDO (27) - A Pedra de Amolar da Vida

A PEDRA DE AMOLAR DA VIDA

Em cada mudança de ano repetem-se sorrisos, abraços, um extremar de simpatias com amigos reais e virtuais, e a manutenção de alguns rituais apelidados de tradições. Entre estes, estão as doze passas de uva e a manifestação de desejos ocultos (ou não), na esperança milagrosa, para não lhe chamar ilusão, que “agora sim, neste novo ano, se realizem…” para, tendencialmente, daí a poucos dias se entrar, novamente, nas rotinas habituais. Afinal, já passaram quinze dias e quanto à dieta, para reduzir o peso… nada; é aquela atividade física salutar em grupo, arrastada (propositadamente) para ter início logo após a passagem de ano, a pretexto de se aproveitar para queimar calorias… ficando agora a desculpa de não haver tempo, sequer, para se ir fazer a inscrição no ginásio; ficou a vontade de mudar de emprego, por falta de realização pessoal e por já não se suportar mais a arrogância do chefe, assim como ficou o C.V. por enviar para outras empresas… por não se ser capaz de ousar e preferir “não trocar o certo pelo duvidoso”; quanto ao deixar de fumar… apenas se acaba de mudar de marca de tabaco, já que a Tabaqueira resolveu, para já, extinguir quatro marcas, a juntar a algumas dezenas já descontinuadas, prevendo-se alterações a curto prazo no SG Gigante e SG Filtro, assim como novo aumento no preço do tabaco (que poderia ser tão ou mais encorajador para deixar de fumar do que a genuína vontade intrínseca).

Parece evidente não haver fórmulas mágicas, mas creio que esse alcançar dos objetivos depende da “fibra” de cada um: há pessoas que definem os seus objetivos e tudo fazem para os alcançar, com imenso esforço pessoal; outras manifestam uma ténue vontade, na expetativa que as coisas aconteçam, e ficam o resto do tempo a queixar-se, ou a desculpar-se, pelo facto de tudo ter ficado na mesma, ou pior; encontram-se, também, algumas excepções de quem consegue muito, parecendo que tudo lhe cai do céu, com um dispêndio mínimo de esforço, seja com recurso a deploráveis atropelos indiscriminados, à frequente exibição do emblema partidário ou apenas deixar fluir, e esperar que as coisas, simplesmente, venham a acontecer (sem conotação com passividade). Essa “fibra” – que se traduz no perfil de cada um, e que varia, naturalmente, de pessoa para pessoa – ficou muito bem expressa por George Bernard Shaw (e que me serve de guia há muitos anos): “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos”.

Sempre me vi um lutador e ao fim de mais de 60 anos questiono-me se estive certo, quando me via, em limite de esforço, a “remar contra a maré”, mesmo com bastantes vezes a obter sucesso, o que me fazia experienciar, depois da “tormenta” uma sensação agradável de alívio, por achar que teria chegado a “porto seguro”. É que a vida ensinou-me muita coisa e agora vejo as coisas sob outro prisma. Adoro a palavra “fluir”, e nesta fase da vida é o que me apetece – deixar fluir – podendo dar-me ao luxo de, mesmo sabendo aquilo que quero, acreditar que aquilo que acontece é o melhor para mim. É que há coisas estranhas, que tantas vezes nos escapam. É a mulher que faz um esforço tremendo para engravidar, sem conseguir, para logo após ter desistido de lutar por esse objetivo, sem ansiedade e a fazer a sua vida normal, acabar por receber a boa-nova, através do teste de gravidez positivo; é o homem, que fez tudo ao seu alcance para obter aquele lugar a que tanto aspirava, vê-se desalentado ao ver esse cargo ser ocupado por outra pessoa, e quando já está conformado, surge-lhe uma oportunidade de emprego ainda melhor. Os exemplos poderiam ser muitos…

Quando em 2012 criei um dos meus blogues, neste caso com o endereço http://jorgenuno-art.blogspot.pt/, fiz questão de colocar na capa os seguintes pensamentos orientadores:
– Tal como Paulo Coelho... gosto de "imaginar uma nova história para a minha vida e acreditar nela";
– Tal como Kant... gosto de "acreditar em milagres, mas não depender deles";
– Tal como Júnior Montalvão... admito que "a inspiração vem de outros [de aquém e do Além], mas a motivação vem de dentro de mim";
– Tal como Albert Schweitzer... admito, por experiência própria, que "se amar o que faço, então serei bem sucedido" e que "o êxito não é a chave da felicidade, mas a felicidade é a chave do êxito";
– Tal como Madre Teresa de Calcutá... gosto de pensar que "a Vida é um sonho, daí que o procure realizar" e que "a Vida é mistério, daí que o procure aprofundar";
– Tal como Santo Agostinho de Hippo... admito que "a fé significa acreditar naquilo que ainda não vejo, e que a recompensa por essa fé é ver aquilo em que acredito";
– Tal como Wallace Watles... admito que "a mente grata espera continuamente coisas boas e a expetativa torna-se fé";
– Tal como Lao-Tsé... admito que "quando perceber que não há falta de nada, o mundo pertencer-me-á";
– Tal como Joemar Rios... gosto de pensar que "o tamanho das minhas bênçãos são determinadas pela grandeza das minhas virtudes";
– Tal como Michael Neill... admito que "estar totalmente atento ao que existe é estar contente e estar contente é ser abençoado por tudo o que acontece na vida"
– Tal como Osho... gosto de "usar as minhas energias para tornar um mundo mais belo, mais poético e mais saudável" e admito que "não se pode ser um criador se não se for um meditador";
– Tal como Mahatma Gandhi... tenho consciência que "precisamos de nos tornar na mudança que desejamos ver no mundo."
– Tal como Fernando Sabino... admito que "no fim de tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim".

Pode ser que contribua para nos transformar positivamente, conseguir uma melhor dosagem dos desejos e objetivos, obter um pouco mais de sucesso pessoal e profissional (com um pouco menos esforço), ajudar a enfrentar a pedra de amolar da vida e fazer-nos rejubilar por ela nos afiar, quando anteriormente nos desgastava.


© Jorge Nuno (2016)