07/05/2020

Crónicas Leves: ESTRANHO MUNDO - Parte II


ESTRANHO MUNDO

Parte II


Uma visita ao site Global Firepower[1] permite-nos tomar conhecimento das maiores potências militares do planeta. Os primeiros seis países, por ordem decrescente, são: Estados Unidos da América [EUA]; Federação Russa; República Popular da China [RPC]; Índia; França e Reino Unido. Os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas [ONU], que têm direito a veto, são, precisamente, cinco dos seis países mencionados com maior poder bélico, com exclusão da Índia.
A indústria militar está a gerar três milhões de dólares por minuto, registando-se um aumento substancial das despesas mundiais com o esforço de guerra, superando, em muito, os tempos da chamada Guerra Fria, em que houve desenfreada corrida ao armamento.
Já em 2007, Joseph Stiglitz – Nobel da Economia 2001 – e Linda Bilmes – economista de Harvard – chegaram ao custo real bélico dos EUA no Iraque, no Afeganistão e num outro projeto associado ao “combate ao terrorismo”, cifrando-se nos 600 biliões de dólares[2].
Como é possível que os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU queiram a paz na Terra se são eles têm interesse na promoção da guerra, e basta o veto de apenas um para abortar qualquer esforço de paz?
Líderes que querem alterar a constituição para eternizar um poder absoluto, com projetos megalómanos de globalização, sem opositores internos – que silenciam – e que, perante situações externas que ainda não controlam, compram o silêncio de outros líderes menos poderosos.
Um líder a sugerir, frente às câmeras de televisão, numa sala cheia de jornalistas, que fosse injetado um desinfetante no corpo das pessoas, como forma de eliminar o novo coronavírus, a fazer disparar o número de pessoas que acorreram às urgências, por intoxicação. Coisa menor… por se tratar de “notícias falsas”, disse.
Loucos, ganância, contrainformação, acusações de vírus criado em laboratório, seja em Kansas [EUA] ou em Wuhan [RPC], e população infetada em 195 países do mundo.

Isto, faz-nos lembrar a peça dramática “O Rei Lear”, de William Shakespeare, em que um dos temas principais desta obra-prima – escrita com o seu ideal de justiça e humanidade[3] – é a cobiça, apresentando-nos, na parte final, um rei que enlouqueceu. Fiquemo-nos por quatro ideias:
– o bobo diz a verdade ao rei e ele não percebe;
– é uma infelicidade da época que “os loucos guiem os cegos”;
– “essa é a maravilhosa tolice do mundo: quando as coisas não nos correm bem (…) coloca-se a culpa no sol, na lua e nas estrelas, como se fôssemos tolos por compulsão celeste, velhacos, ladrões e traidores pelo predomínio das esferas (…) sendo toda a nossa ruindade atribuída a influência divina”, e nunca o próprio assume a culpa, pois será sempre alheia;
– no bosque, o rei Lear pergunta ao cego, o conde de Gloucester: “Como é que você vê o mundo?” e Gloucester responde: “Eu vejo-o com todo o meu sentimento”.

Estranho mundo com tanta cegueira! Se o povo de alguns desses países é obrigado a não ver, noutros, mais livres, é incompreensível a cegueira.
Três dos países, considerados potências militares e que integram o Conselho de Segurança da ONU, estão no Top5 de óbitos pela Covid-19!

Ainda se vai conseguindo extrair algumas revelações, um pulsar… que apesar de intenso, acabam por ser poucos a conseguir discerni-lo com lucidez. Temos tido agora muito tempo para refletir e fazer-nos desejar, ardentemente, que surja o “milagre” da visão, em cada um de nós, e colocar essa visão e todo o nosso sentimento – positivo, espera-se – ao serviço da humanidade, para uma existência mais consciente, fraterna e justa, sem loucos ao leme.

(Continua na Parte III)

© Jorge Nuno (2020)


[1] dados de 2018.
[2] um bilião equivale a 1 seguido de doze zeros [1 000 000 000 000].
[3] por volta de 1605.

09/04/2020

Crónicas Leves: A IDADE... PESA!


A IDADE… PESA!

Desde o início da fase de pandemia, temos assistido, com alguma estupefação, à “partida” de muitas pessoas acomodadas em lares de idosos – agora designados residências seniores –, onde era suposto estarem em segurança. Cresceu tanto a indignação, como a preocupação de particulares, instituições e autarquias, que levou a um acelerar de processos, para proteger e salvar vidas neste grupo etário de portugueses.

Até há poucos meses travou-se uma luta, ruidosa, contra e a favor da legalização da eutanásia… silenciada pela força das circunstâncias atuais, como tantos outros assuntos considerados extremamente importantes para a sociedade portuguesa e que, de um momento para o outro, deixaram de o ser. Mas terá, forçosamente, de ser debatida a situação crítica das pessoas de mais idade, por estarem numa situação de fragilidade e por serem muito vulneráveis ao contágio, devido ao seu sistema imunológico – criado naturalmente para defender o corpo contra “invasores” – apresentar menos defesas, nesta fase da vida. Mais do que isso, terão de ser encontradas, rapidamente, soluções duradouras e fiáveis, para um futuro próximo mais tranquilo e risonho.   

Há oito anos atrás, em 2012, encontrava-se a Troika instalada em Portugal e, no Governo, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Vítor Gaspar, com os cargos mais importantes e a ser apelidados pela Troika como “alunos exemplares”. Na terceira avaliação regular, feita pela Troika, afirmava-se em comunicado que “as políticas estão, em geral, a ser executadas como planeado e o ajustamento económico está em curso”. Precisamente nesse ano, foi colocada a questão do direito à proteção da saúde – que, como era de esperar, estava a entrar no “esquecimento” –, querendo o Governo minimizar custos com a não presença de idosos em hospitais públicos e racionar medicamentos a doentes com cancro, SIDA e doenças crónicas, entre outros. Lembra-se o documento produzido pela Associação Portuguesa de Bioética [APB], assinado em 24 de novembro de 2012, relacionado com “racionamento em saúde”, tendo como relator Rui Neves. Diz o seguinte, em determinada parte: “O direito à proteção da saúde é, hoje, considerado como uma conquista civilizacional, o que implica que a salvaguarda deste direito é uma responsabilidade da sociedade e das suas instituições democráticas”. A pág. 5, do mesmo documento, tem um capítulo sobre “Discriminação e Estigmatização”. Vejamos: “(…) a mudança de paradigma proposta – mudança que preconiza a adoção de utilitarismo como doutrina base no acesso à saúde – permite a limitação do fornecimento de cuidados de saúde apenas com base neste critério. Para além de ser eticamente inaceitável a limitação de cuidados de saúde a uma pessoa apenas pelo facto de se ser idoso (sendo aliás impossível determinar com clareza a linha a partir da qual se é idoso) (…) e isso é contrário à doutrina de igual dignidade de todas as pessoas”. No ponto 3 – “Recomendações” – é referido: “Assim, face ao exposto, a Associação Portuguesa de Biomédica recomenda:
a)      Que o Ministério da Saúde suspenda a aplicação das recomendações do parecer 64/CNECV/2012, dado que algumas inferências – nomeadamente o racionamento com base na idade – são eticamente questionáveis e de constitucionalidade duvidosa.
b)      (…) garantindo o exercício de igualdade de acesso e impedindo práticas discricionárias e arbitrárias por parte dos hospitais públicos portugueses”.
   
Nos dias de hoje, é conhecida a espantosa dedicação das equipas médicas e do pessoal de enfermagem, assim como os demais profissionais da área da saúde que, apesar de exaustas e saberem que têm diariamente a sua vida em risco, mantêm-se firmes no seu posto de trabalho, procurando salvar o maior número possível de vidas humanas. Como não há “mãos a medir”… e impotentes para tratar um número anormal de pessoas infetadas, particularmente as de idade mais avançada, estas equipas médicas acabam, inevitavelmente, por “selecionar” quem deve viver e ser deixado para trás, de certo modo, abandonado à sua sorte. Aliás, replica o exemplo de outros países civilizados da União Europeia, ainda com maior tragédia humana. Na prática, tiveram “carta branca” da mesma APB que, embora desconhecendo-se a existência de protocolo, terá recomendado agora o oposto do que preconizava em 2012, e que “encapotadamente” está a ser levado a efeito.

Lembremos alguns factos, estudos e afirmações de há dois anos atrás, para que se faça uma analogia com a atualidade. Os números oficias da DGS, em 8 de abril de 2020, apontam para 380 óbitos em Portugal, provocadas pelo novo coronavírus, sendo maioritariamente pessoas com 65 ou mais anos. Lembra-se que o número de mortes só em dois dias – precisamente os dias 5 e 6 de agosto de 2018 – foi de cerca de mil mortes, em que, mais uma vez, a população mais idosa não resistiu às temperaturas acima de 40º C. Com dados consolidados em dezembro de 2018, ficou-se a saber que o número de mortes em Portugal, em 2016, foi considerado o maior de sempre, com 110.573. Apontaram-se causas como envelhecimento da população e os fenómenos como a onda de calor, resultado das alterações climáticas. Tendo como fonte o INE – Instituto Nacional de Estatística, em 2019, mas referente a 2017, o número total de óbitos foi de 110.187 e o de pessoas com 65 ou mais anos foi de 49.477, sendo as doenças respiratórias a terceira causa de morte – um pouco acima de média europeia. O ano de 2018 voltou a ser considerado aquele com mais mortes em Portugal – 113.000 (números “redondos”), havendo mais 3% do que em 2017). Sabe-se que foi registado, nos últimos anos, um pronunciado envelhecimento da população, quando não havia um evidente aumento do risco de mortalidade.

Disse a diretora da Pordata – Maria João Valente Rosa – que “o envelhecimento da população é um facto, veio para ficar e é pelas melhores causas, é porque conquistámos espaço à morte”. Também a presidente da Sociedade Portuguesa de Demografia – Maria Filomena Mendes –, disse, ao Diário de Notícias, que é “inevitável” ter um aumento da mortalidade em idades tardias, já que estamos a empurrar a idade da morte até cada vez mais tarde, com muita população próxima dos 100 anos. Há mesmo um estudo do Instituto para as Métricas e Avaliação, ligado à Universidade de Washington, com publicação em outubro de 2018, que aponta Portugal no TOP5 dos países com maior esperança média de vida dentro de 20 anos [agora, dentro de 18 anos], passando a esperança de vida de 81 para 84,5 anos. Maria João Valente Rosa ainda preconiza: “temos de decidir se queremos acordar”, avançando com a ideia que atualmente os serviços de saúde estão centrados nos hospitais e urgências e defende “cuidados de mais proximidade, para responder a pessoas cada vez mais com doenças crónicas, com doenças degenerativas e com menor mobilidade” 

Compreende-se como a idade… pesa, particularmente no Orçamento de Estado! Mas após uma vida de trabalho, as pessoas merecem viver os muitos anos que ainda têm pela frente, em segurança, com qualidade e dignidade.

© Jorge Nuno (2020)

Crónicas Leves: DE REPENTE...


DE REPENTE…

De repente… os casos fraturantes no país, causadores de polémicas e descontentamento aguerrido, desaparecem como que por magia.

De repente… deixa de se falar:
– na extração de lítio em áreas protegidas, que apresenta consequências nefastas para populações e ambiente;
– no futuro aeroporto internacional do Montijo, a criar na Reserva Natural do Estuário do Tejo, e nos restantes aeroportos do país, que habitualmente nos picos de tráfego, e até em condições normais, “rebentam pelas costuras”;
– nos transportes públicos, como motivo de queixa sistemática, por serem suprimidos, insuficientes, obsoletos ou sem condições para absorver tantos passageiros, após redução dos custos dos passes sociais;
– no preço dos combustíveis, pelas piores razões, que subia paulatinamente e era fruto de receita fiscal abusiva, tornando-o dos mais caros da Europa;
– nas cidades sobrelotadas de veículos automóveis, com custos de estacionamento e fiscalização provocatórios e exagerados, e nos efeitos decorrentes da poluição atmosférica;
– nas cobranças elevadas nas portagens das autoestradas, incluindo aquelas em que era suposto, desde o início, serem “sem custos para o utilizador”, mas que levam milhões de euros diários para os bolsos de alguns, que em nada contribuem para a riqueza do país;
– na construção desordenada junto à orla costeira, com projetos aprovados sob suspeita de corrupção, mesmo sabendo da inevitável subida da água do mar;
– no consumismo desenfreado e a viver-se acima das possibilidades, com um crescente aumento de famílias endividadas;                                                                            
– na eutanásia, que tem inflamado a sociedade portuguesa e a vida política num esgrimir de argumentos, ficando agora como que num silêncio de casa mortuária;
– no futebol e violência correlacionada, que arrasta paixões exacerbadas, a ocupar imensas horas de programação diária nos canais de televisão noticiosos e desportivos;
– nos lóbis que imperam e comandam nos gabinetes da democracia representativa;
– nos preços especulativos na habitação, hotelaria e restauração, entre outros, em boa parte por Portugal ser considerado o melhor destino turístico europeu, pelo terceiro ano consecutivo;
– nos casos mediáticos de políticos, banqueiros, gestores, juízes, militares, agentes desportivos, hacker Rui Pinto (que trouxe à luz do dia negócios escuros)… todos com processos a decorrer na justiça;
– nos muitos milhares de milhões de euros engolidos, pela banca, aos vários Orçamentos de Estado e esses bancos a ser engolidos por tubarões;
(…)

Por enquanto, ainda não se descobriu qual a resposta para as seguintes questões: e agora, banca, qual vai ser o teu papel? entras em cena, pelas melhores razões, és engolida por tubarões ainda maiores, abres insolvência, ou esperas esta oportunidade para continuar a sangria?  

Mas de repente… com alguma incredibilidade, descobre-se que:
– já não há atividade cultural e desportiva; hotéis estão às moscas; alguns restaurantes só funcionam em regime de takeaway; comércio, indústria e serviços públicos e privados encontram-se encerrados; adotam-se e criam-se regras para o teletrabalho; suprimem-se transporte públicos, que ficam confinados a um terço da lotação; cancelam-se ligações aéreas; fecham-se fronteiras… em suma: o país para;
– as pessoas “imprescindíveis”, com empregos seguros, afinal ficam na contingência de não o serem, podendo engrossar as listas de desempregados, ou as suas empresas entrarem em situação temporária de lay-off, com redução de horário e perda parcial de vencimento;     
– há fragilidades grosseiras nos serviços públicos de saúde, por falta de investimento e de preparação para lidar com situações epidémicas, negligenciando a saúde e a vida, não só dos cidadãos, como dos próprios profissionais de saúde;
– a valiosa Constituição da República Portuguesa, em parte, é metida na gaveta, passando a considerar-se crime de desobediência quando qualquer pessoa não respeite o isolamento social com caráter obrigatório, logo, quando é metida compulsivamente em casa;
– as pessoas, a solidariedade e a família passam a ser o mais importante e, finalmente, já há tempo para a família, pese embora a constatação de dificuldades no relacionamento prolongado dentro de portas e da incompreensão, por parte de crianças, do por quê da falta de beijos e abraços, ou da razão de não poderem ir a casa dos avós;
– apesar da debandada de muitos voluntários, houve acolhimento, mesmo que temporário, em abrigos para os sem-abrigo, continuando a ser-lhes prestado auxílio;
– prolifera o bom-humor nas redes sociais, aligeirando a carga emocional;
– é evidente o reconhecimento da população pelo trabalho dos profissionais de saúde;
– a vida é um bem a preservar e cada um de nós tem, igualmente, o dever de preocupar-se com o bem-estar coletivo;
– após o enorme esforço de vários países da União Europeia [UE] que levou à criação do Tratado Schengen, com abolição do controlo de fronteiras internas dos Estados-membros e de outros Estados Associados, é a Comissão Europeia [CE] que se vê obrigada a mandar encerrar todas as fronteiras, perante os efeitos deste inimigo invisível. De repente… quando até há poucas semanas entravam, diariamente no espaço europeu, milhares de migrantes oriundos do Médio-Oriente e África, agora, com perplexidade e aflição, veem-se barrados cidadãos comunitários nas fronteiras dos mesmos Estados-membros a que pertencem; 
 – é nesta ambiência de mar revolto que se descobrem os verdadeiros timoneiros e espera-se que caiam, desmascarados, os líderes mundiais, estúpidos, populistas e inconscientes.

O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente referiu, em 2015, com base em estimativas da OMS, que “todos os anos a poluição do ar causa sete milhões de mortes prematuras no mundo”. Sabe-se que destes, um milhão de mortes prematuras ocorria na China e, em França, cerca de 48.000. É afirmado também que “para limitar o aumento da temperatura global [no planeta] a 1,5 º C acima da era pré-industrial, seria preciso reduzir em 7,6% ao ano as emissões de gases com efeito de estufa”. Os especialistas entendem que em 2020 esse número pode ser atingido, baseado em estudos e imagens de satélite da NASA e da Agência Espacial Europeia. Estas imagens mostram-nos, claramente, quais os efeitos colaterais desta pandemia do Covid-19 e das medidas drásticas adotadas pelos países mais atingidos: a despoluição “forçada” pela inatividade do setor industrial e descida drástica da circulação aérea, marítima e terrestre.

François Gemenne[1] faz uma afirmação que, até certo ponto, parece surpreendente: “Por incrível que pareça, acho que o número de mortes devido ao coronavírus pode acabar por ser um mal menor, dadas as [possíveis] mortes por poluição do ar”.

Anthony William, refere[2]: “No século XX, a medicina fez grandes progressos na área da virologia… mas tudo isso foi varrido para baixo do tapete. Como não havia financiamento para levar essas descobertas até ao nível seguinte, deixaram esses médicos espantosos à deriva quando as suas descobertas acerca de certos vírus foram, em grande medida, ignoradas”.

De repente… a CE, que tudo tem feito para ter um controlo absoluto sobre os orçamentos de cada Estado-membro, fazendo imposições, algumas mesquinhas e inadequadas à realidade do país, agora dá carta branca a cada um desses Estados para gastar o que for preciso no combate ao novo coronavírus. Por antecipação, seria bem mais vantajoso, económica e socialmente, que a estratégia de investimento da UE tivesse abrangido a adequada investigação em virologia.

De repente… a população, apesar de preocupada, tem melhor qualidade do ar; e a mãe natureza agradece.

De repente… questionamo-nos:
– não estaria mesmo a ser necessário este momento de paragem forçada, para pensar?
– não se estará a escrever direito por linhas tortas?

Tudo será diferente pós Covid-19. E a solução passa por cada um de nós. Renasçamos com maior consciência cívica, mais interventivos, mais solidários, mais humanos!

© Jorge Nuno (2020)


[1] Diretor do Observatório Hugo.
[2] In “Médico Médium – Segredos da Cura de Doenças Crónicas e Misteriosas”, Ed. Pergaminho.

10/03/2020

Crónicas Leves: A DONA PRUDÊNCIA FOI AO ENTERRO


A DONA PRUDÊNCIA FOI AO ENTERRO

Há várias décadas conheci uma senhora que, quando falava, tinha a tendência de aproximar a mão da boca, chegando mesmo a tapá-la com frequência. Desde sempre, com o habitual desejo em tentar descodificar a linguagem corporal, fiz algumas conjeturas: resquícios da condição da mulher durante a ditadura do Estado Novo; insegurança pessoal, perante um interlocutor com quem não tinha um relacionamento de proximidade e pretendia deixar boa impressão ou, pelo menos, não defraudar expetativas; forma inconsciente de suprimir palavras enganosas, na tentativa de ocultar uma ou mais mentiras – o que, honestamente, não me parecia ser esta a situação.

Lembro-me de ter lido algo semelhante na interessante obra literária ”Conquistadores – Como Portugal criou o primeiro império global”, de Roger Crowley[1], sobre Vasco da Gama, capitão-mor da frota portuguesa envolvida na descoberta do caminho marítimo para a Índia. Aquando da chegada a Calecute, em 1498, em representação do rei D. Manuel I, Vasco da Gama foi recebido pelo samorim – o monarca indiano –, e foi previamente instruído: “[deveria] usar os gestos corretos, não aproximar-se demasiado, e falar com a mão diante da boca”. Com o desenrolar da leitura, concluí que se tratava simplesmente de uma questão de educação e um aspeto cultural daquele país, a respeitar. Mas também poderia resultar de um eventual conhecimento da peste negra na Europa, que terá vitimado um terço dos europeus[2], levando o samurai a ser previdente.  

De há uns anos para cá, tem-se visto, seja os deputados e membros do governo na Assembleia da República, ou jogadores de futebol e equipas técnicas em campo, a falar com a mão à frente da boca. Neste caso, estará longe de significar educação, embora, pela repetição insistente, este gesto parece ter deixado de ser censurável; no fundo e mais uma vez, é tudo uma questão de prudência, face à capacidade de leitura labial através das imagens televisivas. 

Ainda em relação às mãos, é ancestral o tipo de saudação nas culturas indianas e nepalesas. Intitula-se “namastê” e consta em juntar as palmas mãos, próximas do peito, com os dedos a apontar para cima, acompanhado de uma ligeira vénia, significativa de respeito. Não há contacto físico nessa saudação entre duas ou mais pessoas.  

Na cultura ocidental, instituiu-se o aperto de mão, o abraço e beijo, como forma de cumprimento. Lembra-se o encontro de 2017, entre Donald Trump e Angela Merkel, em que, perante as câmaras de televisão, ela estendeu-lhe a mão educadamente e ele ignorou, deixando-a “pendurada” durante uns bons segundos. Este gesto descortês do presidente americano correu mundo. Três anos depois, uma peça jornalística na TV mostrou a chanceler alemã a estender a mão a um eurodeputado, em Bruxelas, com ele a recusar o cumprimento, mas fazendo questão de sorrir e dizer algo não traduzido. Afinal, era uma forma de prevenir a propagação do surto do novo coronavírus, ainda em fase inicial na Europa, e não houve lugar a desconforto nem polémica.
Por cá, a diretora-geral de Saúde, logo no início da “crise”, fez recomendações para que os portugueses evitassem os beijos e abraços. Só faltou usar a estratégia de um funcionário auxiliar, contratado por uma escola secundária da região de Lisboa, nos anos oitenta do século passado, que vinha dos serviços prisionais e tinha como tarefa espontânea separar à força os jovens estudantes enamorados, que se beijavam no recinto escolar.

Até a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que tanto têm apregoado o fair-play – associado à ética no desporto – fizeram recomendações para que não houvesse apertos de mão entre agentes desportivos em campo, nem dar as mãos às crianças que acompanham os jogadores e equipa de arbitragem no início de cada jogo; sugeriram que jogadores e árbitros se cumprimentassem apenas com um toque de cotovelo. Num jogo da primeira Liga, viu-se o respeito por essa orientação; no final do mesmo, acabaram todos aos abraços e apertos de mão, mas antes assim do que aos murros e empurrões.  Ao longo de anos, após a apreciação de processos disciplinares instaurados por atos reprováveis de adeptos, os respetivos Conselhos de Disciplina aplicaram o castigo de jogos à porta fechada. Alguns desses castigos nunca foram cumpridos pelos clubes, que recorreram até onde foi preciso, ficando os castigos para as calendas gregas... Ambas as entidades e os clubes, acataram agora, parcialmente, as recomendações da DGS e da ministra da Saúde, para a suspensão ou adiamento de eventos com mais de 5 mil pessoas em áreas abertas ou, no caso do futebol, as várias competições prosseguirem, mas com estádios vazios, tanto na primeira e segunda Ligas, e também em alguns jogos do Campeonato de Portugal. A finalidade é evidente:  evitar o contágio de milhares de espetadores no mesmo recinto.

Marcelo Rebelo de Sousa – o presidente dos afetos – que tanto se desdobrava em abraços e beijos, veio dizer que só passaria a dar beijos a quem pedisse. Pouco depois, anunciou que, por ter estado em contacto com estudantes de um concelho do Norte, onde se registaram casos “positivos” e, embora não tivesse sintomas nem contraído o COVID-19, iria ficar em casa, de quarentena. Estaria a fazer a apreciação do Orçamento de Estado, e sobra-lhe algum para tempo para se dedicar à leitura – que, como se sabe, tanto gosta! Afirmou que este isolamento social voluntário serviria de exemplo para os portugueses.

Como diz o ditado português: “O seguro morreu de velho e a dona prudência foi ao enterro”.

© Jorge Nuno (2020)   


[1] Da Editorial Presença
[2] Estimativa pouco fiável, atendendo à época.

27/02/2020

Crónicas Leves: QUANDO BRILHA O SOL


QUANDO BRILHA O SOL

Um ranking, de 2018, aponta-nos a Finlândia como tendo o povo mais feliz do mundo. No entanto, existe um relatório intitulado “Na Sombra da Felicidade”, elaborado pelo Conselho de Ministros Nórdicos e do Instituto de Pesquisa da Felicidade, que revela dados surpreendentes, muitos deles associados à saúde mental, indiciando que não se sentem mais felizes quando são jovens. Há um destaque para a faixa etária entre os 16 e os 24 anos, pelas piores razões, já que têm vindo a aumentar os pedidos de ajuda no âmbito da saúde mental, sendo o suicídio responsável por 35% de todas as mortes de jovens naquele país.

Pode ler-se, num artigo disponível no site da BBC News Brasil[1], que a Finlândia, com 5,5 milhões de habitantes, “é uma nação de mentalidade melancólica, algo ligado aos seus longos e escuros invernos. De facto, não é um lugar onde você vê regularmente manifestações de alegria ou outras emoções positivas”, referindo mais à frente que “as taxas de suicídio na Finlândia de hoje são 50% menores do que na década de 1990 e caíram em todas as faixas etárias – uma mudança associada a uma campanha nacional de prevenção e a tratamentos melhores para a depressão”.

Numa viagem de comboio, há cerca de 48 anos, entre Coimbra e Lisboa, em conversa com uma jovem turista finlandesa, ao perguntar-lhe o que mais gostava de Portugal, respondeu de imediato: “O sol!”. Confesso, na altura fiquei surpreendido. Fui-me apercebendo, com o decorrer dos anos, que os países nórdicos teriam um elevado nível de vida, comparado com Portugal, mas, na verdade, falta-lhes o sol.

Há poucos meses atrás, os vários canais de TV em Portugal, generalistas e de notícias, noticiavam a preocupante saúde mental dos portugueses. O site do Correio da Manhã[2] apresentava o título: “Portugal é o segundo país da Europa com maior prevalência de doenças mentais”.  Nesse artigo, pode ler-se, em jeito de conselho: “Angústia ou tristeza prolongada, dificuldade em adormecer ou manter o sono, pensar que é inútil, sentir-se um peso para os outros ou ter vontade de morrer, são sinais a que deve estar atento e, segundo os especialistas, são razões para procurar ajuda médica (…) estima-se que mais de um quinto dos portugueses sofra de perturbação psiquiátrica”. Quase a concluir o artigo, é referido o relatório “Health at a Glance 2018”, deixando a ideia que Portugal está entre os países com maior prevalência de demência: “20 em cada mil habitantes sofrem de doenças mentais”.

Quais serão as razões que levam a que um país, nestas circunstâncias, seja rotulado como tendo o povo mais feliz do mundo? Serão estereótipos criados ao longo de anos? É que não bate certo quando se fala de mentalidade melancólica, não haver manifestações de alegria, com uma forte prevalência de suicídio (embora em fase de abrandamento), sendo um facto o pouco sol durante o ano. Por outro lado, genericamente, o povo português, a par da tendência para a nostalgia – não será por acaso que o fado tem vingado –, manifesta uma genuína alegria, particularmente no Norte, mesmo estando longe do nível de vida e dos apoios sociais existentes na Finlândia. E por que será que tendo Portugal muito sol, existe tão elevada prevalência de doenças mentais?

Este inverno tem sido muito chuvoso, com demasiado tempo nublado – tendencialmente a Norte –, levando a que haja registo de imensas semanas sem se ver o sol. Admitamos que este tempo deixa as pessoas neuróticas, afetando o equilíbrio emocional, o sono, a produção, em suma, a vida de cada um. Como se não bastasse o tempo, há preocupações extra com: a rápida difusão do coronavírus; a ambiência da corrupção generalizada e, particularmente, no seio da justiça a envolver juízes; casos pontuais de racismo, violência, xenofobia e intolerância, amplificados com demasiado ruído… A discussão e aprovação na Assembleia da República da despenalização da eutanásia, também não terá ajudado, quando era suposto o foco estar na resolução da falta de cuidados paliativos.

Finalmente, surgiu o esplendoroso sol, mesmo que apenas por alguns dias seguidos!

Parece que ganhámos alma nova e passámos a encarar a vida com outro olhar e um sentimento de maior leveza. Até já se repara no desabrochar das flores. E é nesta nova ambiência que extravasa a alegria. Imagine-se a seguinte cena caseira, quando uma pessoa, até então afetada negativamente pela falta de sol, começa a cantarolar brejeirices da música tradicional/popular portuguesa do Quim Barreiros, Augusto Canário  Rosinha, logo que o sol mostra o seu ar sorridente (tal como as crianças o imaginam e pintam):
– “Ponho o carro, tiro o carro, à hora que eu quiser / Que garagem apertadinha, que doçura de mulher / Tiro cedo e ponho à noite, e às vezes à tardinha / Estava até mudando o óleo na garagem da vizinha…”
Admirada com esta mudança de humor, ela tenta ironizar e lança umas farpas:
– Ó homem, o que é que te deu? Deixa lá o carro e vai mas é de bicicleta, para ver se queimas as banhas!
Ele, aproveita a deixa e prossegue com outra cantiga encadeada:
– “Andam todos loucos para montar / Na bicicleta da Mariazinha / Eu também estou doido p’ra falar com ela / Se ela me deixar também dou uma voltinha…”
– Olha este!... Dar uma voltinha… tu nem podes com um gato pelo rabo!
– “Mas o que eu amo de paixão /São gatinhas, podem crer / São mais doces, mais ternurentas / são lindas de morrer. Às vezes até à noite / É de gatas que acabo de falar / Pode até parecer estranho / Mas não tenho culpa de gostar. É de gatas, é de gatas que eu gosto…”
– Olha lá… e de ratas, não gostas?
– “Sempre gostei de mulher / Que não me dê chatice / Porque há aí muita menina / Que tem muita ratice. Namorei uma cachopa /Por simples brincadeira / E quando quis sair / Estava preso na ratoeira. Era uma songa-monga / Boazinha e sensata / Tinha cara de anjinho / Mas fina como uma rata…”
– Ai, ai!... Isso é comigo ou o sol queimou-te os fusíveis? É que essa cabecinha deve estar a delirar!
– “Pezinho com pezinho, ai, ai, ai / Perninha com perninha, ai, ai, ai / Encosta a cabecinha, encosta, encosta /Do roça, roça é que a malta gosta…”
– Desisto! –  diz ela, por não conseguir acompanhar a pedalada do marido.  

Acredito que com esta nova mudança de tempo – muita chuva e céu cinzento de volta –, já não daria vontade de cantar, em ritmo de samba: “Chupa Teresa! Chupa Teresa! Qu’este gelado gostoso / É feito de framboesa! Há gelado de morango / Baunilha e abacaxi / As garotas do meu bairro / Vêm todas chupar aqui!”. Provavelmente, alguém não acharia graça e faria chover ainda mais críticas por metro quadrado do que a própria água da chuva, exigindo que se seja “politicamente correto”. Viu-se neste Carnaval – época em que se diz que “ninguém leva a mal” –, onde há temas tabus, com abordagem proibida, tal como a está a ser na sociedade, de forma doentia, ao longo de todo o ano.

Segundo Almada Negreiros: “A alegria é a coisa mais séria da vida”.

Alheio a tudo isto, quando brilha o sol a vida passa ter mais fulgor!

© Jorge Nuno (2020)
  


[1] 29 de setembro de 2019.
[2] 5 de outubro de 2019, com artigo assinado por Elsa Custódio e Edgar Nascimento.

Crónicas Leves: GENTE QUE NÃO VAI À BOLA

GENTE QUE NÃO VAI À BOLA

Sinto-me tentado a recuar vinte anos, quando monitorizava “Formação Pessoal e Social”. Num dos módulos, criei a atividade “As profissões que admiro”, tendo como objetivo “refletir sobre os valores pessoais e conhecer os valores do grupo, relativamente ao prestígio atribuído a determinada profissão”. No fim, comentava-se o que é o prestígio e que valores lhes era atribuído, para depois estimular a autoestima, caso necessário. Para o efeito, criei uma lista com 15 profissões[1] para hierarquizar, deixando um campo aberto para inclusão de outra profissão, anotada livremente. Com uma amostra superior a 150 formandos adultos, a primeira escolha recaiu quase na totalidade sobre a profissão de “juiz”.

Em duas décadas muito tem mudado, incluindo os valores éticos e deontológicos, tal como a perceção do prestígio dos juízes. Reconheço que seria interessante “medir” o desvio verificado, já que há, cada vez mais, estupefação em relação a despachos, sentenças e acórdãos proferidos por juízes, deixando-nos um sentimento de que a justiça não funciona, ou só funciona para alguns, deixando-a fragilizada.

Uma notícia do JN[2] dá-nos conta de que o “Modelo de Braga no combate à violência [no desporto] alarga-se ao país – juízes e procuradores andam nos estádios a conhecer a realidade do desporto. Projeto já sancionou 60 adeptos”. Os referidos adeptos estarão proibidos, pela via judicial, de aceder a recintos desportivos, de várias modalidades. Tal, resulta “de um projeto-piloto [na comarca de Braga] desde a Liga das Nações, no verão de 2019]”. O coordenador do Ministério Público do Distrito Judicial de Braga, terá referido: “Temos vindo com este pleno de ação a aplicar mecanismos legais com magistrados a seguir todas as fases dos policiamentos, antes, durante e após os jogos, para avaliarem a complexidade do fenómeno. Ao conhecer melhor o meio em que se desenvolvem as situações terão, pelo menos, decisões mais adequadas aos casos concretos, tendo resultado na interdição judicial de adeptos, aplicada ao fim de poucas horas dos casos”. Ao que tudo indica, estes juízes e procuradores foram à bola, e terão tomado consciência do flagelo da violência no desporto e da necessidade de agilizar a sua erradicação.

No mesmo jornal[3] pode ler-se: “Juízes recuam na proibição de cargos no futebol”. O líder da Associação Sindical dos Juízes terá estado na origem da proposta de proibição de juízes desempenharem funções em órgãos de clubes desportivos e/ou respetivas Sociedades Anónimas Desportivas [SAD]. Clubes mais relevantes e a própria Federação Portuguesa de Futebol têm juízes nos seus órgãos sociais. Fazem-no, normalmente, na Mesa da Assembleia Geral, Conselho Fiscal e Disciplinar, Conselho de Justiça… muitos são juízes conselheiros, com alguns deles jubilados. O Conselho Superior da Magistratura [CSM] deliberou não proibir, de imediato, a participação de juízes nas estruturas dos clubes e SAD, e permite que quem esteja a exercer funções termine o seu mandato em curso. É de acreditar que estes juízes, com a sua paixão clubística, irão mesmo à bola.

Um artigo do JN[4] lembra: “Megainvestigação do Fisco ao mundo do futebol já decorre há vários anos – Os principais negócios do futebol português começaram a ser escrutinados pela Autoridade Tributária [AT] em 2016, e vários deles levaram à abertura de inquéritos por parte do Ministério Público [MP], mas nenhum foi ainda concluído com acusação, não tendo ocorrido, também, liquidação de impostos em falta (…)”. Trata-se de casos de fraude fiscal e branqueamento e os processos terão sido organizados em cinco megainquéritos. É evidente que a criação de um qualquer megainquérito, por mais bem-intencionado que seja, dificulta as conclusões em tempo útil. Neste caso, não ficará no ar a suspeição se os juízes, ao serviço dos clubes, serão “conselheiros” das respetivas direções e, paralelamente, moverem influências externas, p.e., para deixar prescrever os prazos de processos em curso? Como é possível que tal aconteça? Basta haver o argumento da escassez de meios humanos das equipas de investigação alocadas à investigação, tanto do DCIAP – Departamento Central de Investigação e Ação Penal, do MP e da Direção de Serviços de Investigação de Fraude e Ações Inspetivas, da AT. Ou, como terá afirmado uma fonte da AT, que “a investigação tem sido prejudicada por demasiadas mudanças de magistrados nas equipas (,,,)” o que, atendendo à complexidade, leva a perder o fio à meada, provocando atrasos na sua conclusão. É de prever que muitos dos juízes, que vão em trabalho aos estádios, acabem por também ir à bola.

É conhecida uma lista de 45 magistrados, alegadamente convidados por um glorioso clube português para assistirem aos jogos de futebol no seu estádio. Um deles, desembargador, terá rejeitado um recurso do hacker Rui Pinto, para anular a medida de coação a que ficou sujeito – prisão preventiva. No site da TSF[5] pode ler-se a seguinte afirmação à Lusa, proferida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça [CSJ], quando soube que a ex-eurodeputada Ana Gomes citou o seu nome, como estando incluído nessa lista: “Repudio, em meu nome pessoal e como presidente do CSJ e do CSM, insinuações gerais de parcialidade da justiça que têm surgido a este propósito [em relação aos clubes]”, assegurando que nunca aceitou convites de qualquer clube de futebol para assistir a jogos. Um conselheiro no Tribunal da Relação de Lisboa [TRL], disse que foi ver um jogo há muitos anos, que pagou o bilhete e até deixou de ser sócio. O próprio presidente do TRL, terá garantido ao JN que já não entra num estádio de futebol há mais de 40 anos; “a última vez que fui ao futebol foi nos anos 70, um jogo de juniores, e como havia pancada nunca mais voltei”, terá afirmado.

Bolas!... Afinal há gente que não vai à bola!

© Jorge Nuno (2020)
   




[1] Adaptado de “Psicologia das Relações Interpessoais”, de M. Odete Fachada (1998)
[2] de 7 de fevereiro de 2020, assinado por Joaquim Gomes.
[3] Idem, assinado por Nuno Miguel Maia.
[4] Idem, assinado por Alexandre Panda e Nelson Morais.
[5] de 03 de fevereiro de 2020.