24/12/2013

Eu Sou a Fonte


O relacionamento é uma estrada de duas vias. Não se trata apenas de receber e dar e receber o que queremos, também é sobre dar. Eu gosto de dizer que cada pessoa devia ser 100% responsável pela qualidade do seu relacionamento. Se só tivermos 50 – 50, quando algo não funcionar, serão os 50% do seu companheiro que não estão a funcionar (…)”.

Jack Canfield (1944 - …)
Autor e orador motivacional norte-americano, cocriador de “Canja de Galinha para a Alma”, bestseller com cerca de 112 milhões de cópias em 40 línguas diferentes.


EU SOU A FONTE

Tenho o poder de criar,
De fazer jorrar
Da fonte do meu ser,
Alegria, felicidade e plenitude,
Para experienciar e partilhar
Mesmo que aquilo que crie
Esbarre na incompreensão
Ou falta de entendimento,
Como se não fosse sensato
Sentir e vivê-las.
A alegria está em mim,
Retira o vazio,
Preenche um espaço,
Fica comigo, na intimidade.
Ao irradiar felicidade
Recrio a fonte cristalina
Que jorra com mais vigor.
Não faço contas
Do tipo “deve – haver”.
Sei que apenas recebo
O que estiver disposto a dar
E que, dando ao outro,
Preencho em plenitude
Toda a minha existência.

© Jorge Nuno (2013)

22/12/2013

Criação da Felicidade



Se está aborrecido com algo exterior, o sofrimento não se deve a essa coisa em si; mas à avaliação que faz dela; e tem o poder para revogá-la a qualquer momento.

Marco Aurélio (121-180)
Imperador romano.

Criação da Felicidade

Estará no caminho certo
Quem procura, com persistência,
Algo exterior ao seu mundo
Para se poder sentir feliz?
Não estará bem mais perto
Quem mergulhar na transparência
Do seu interior profundo
E criar aquilo que sempre quis?

© Jorge Nuno (2013)

17/12/2013

Três Pirilampos no Natal



Tudo é possível para quem acredita.


Jesus de Nazaré, fundador do Cristianismo (em Marcos 9:23)



TRÊS PIRILAMPOS NO NATAL

 – Ritinha, vamos para a mesa. O comer está pronto. Vai lavar as mãos primeiro!... – diz a mãe, na cozinha, enquanto dá os últimos retoques na refeição.

Passam poucos minutos e a Ritinha mantém-se impávida a tagarelar, no chão do seu quarto.

– Ritinha, não me ouviste chamar? Ritinha?!...

– És uma acelerada, mamã! – Diz a miúda, de forma bem audível.

– Sou uma quê?

– Uma a-c-e-l-e-r-a-d-a! Tu ouviste bem, pois fui clara! – soletrou a criança, dizendo cada nome de letra, tal e qual, pela ordem correta.

O pai levanta-se da mesa e puxa a miúda por um braço e diz-lhe com severidade: – Não ouviste a tua mãe? E um bocadinho de respeito não te fica bem? Há alturas que me fazes perder a paciência!

A miúda mantém a calma, apesar de forçada fisicamente a levantar-se, e responde de seguida, quando a mãe também se aproxima: – Por isso mesmo é que o Menino Jesus está aqui a falar comigo.

– O Menino Jesus? Ai valha-me Nossa Senhora!... Esta rapariga dá comigo em doida! – desabafo da mãe, enquanto limpa as mãos ao avental.

– Sim o Menino Jesus, mas não é o bebé… o que a gente vê no presépio, deitado nas palhinhas… com a vaquinha, o burrinho… e o pastor com o borreguinho… Ele está quase a fazer cinco anos como eu – e levanta a mão, com os dedos esticados, para se ver bem que são cinco, continuando – E olha que ele tem conversas muito interessantes, faz-me companhia e até me faz rir quando vocês… – faz uma breve pausa e continua – vocês… discutem um com o outro. E não percebo… se vocês gostam um do outro, por que discutem?

– Querem ver… só faltava mais esta!... – diz o pai, já a ficar descontrolado – Ela não vem para a mesa e eu, no meio disto tudo, é que sou o mau da fita… querem lá ver! Oh Lúcia, tira-lhe as pilhas que eu já não aguento mais! Trá-la tu, que nós vamos começar a servir-nos. Anda – o João mete o braço no meu e leva-me até à mesa, pois também me tinha levantado e ainda diz – desculpa lá o atraso e tudo isto…

Conheço a Ritinha desde que nasceu, é filha única e sempre demonstrou ser uma criança muito viva e precoce. Acho mesmo que tem “qualquer coisa de especial”. Já me tinha dito que no jardim de infância o aconselharam a levá-la a um psicólogo, para apoio especializado, pois era muito hiperativa e punha os nervos em franja às educadoras. Deu para ver que este almoço de domingo começou um pouco atribulado. Quando nada o fazia prever, a dada altura a conversa azedou mesmo entre o casal. Estamos a poucos dias do Natal e, nesta altura do ano, há um redobrar de stresse. Ambos aparentam preocupação com a questão das prendas e esgrimam argumentos, em que ele não quer passar a consoada com a numerosa família dela e ela não a quer passar com os pais e irmã dele – família do meu lado. Ficarem os três sozinhos também não parece agradar ao casal. Apesar de eu ser um familiar próximo, não deixo de ser um convidado e nada fazia prever que falassem tão abertamente. Espero, depois do que vi, que consiga dar ao João um pouco de esperança e fazê-lo arribar com a perspetiva de uma oportunidade de atividade independente rentável e cujo investimento será, na minha ótica, rapidamente recuperado.

A Ritinha manteve-se calada (coisa rara) até acabar de comer a sopa embalada, comprada no hipermercado, o que fez com muita lentidão, seja para absorver bem a conversa, mesmo que desagradável, porque não era a sopa preferida ou por qualquer outra razão. Então, parecendo-lhe ser a altura indicada, desfere o seguinte, dirigindo-se ao pai – O Menino Jesus ensinou-me que o amor deve fluir, como fazendo parte da natureza, como flui… aquela coisa que anda no ar e brilham muito… vocês sabem… ai… parecem bolinhas de sabão… quando na primavera as árvores dão flor. Sei que não há desejo sem conflito, pois eu gosto muito de chocolates e vocês dão-me umas palmadas nas mãos e ralham, por eu estar a ficar gorda, mas vocês não deixam fluir o amor e estragam tudo...

Estava impressionado com a lucidez e desenvolvimento da miúda, própria de um adulto e mantive-me em silêncio, mas o João não foi capaz e interrompeu-a: – Olha, até a formiga tem catarro! Já disse à tua mãe para te tirar as pilhas! – mandando-lhe um olhar frio e, quem sabe, como que a querer culpar a mulher pela miúda ser como é.

– O Natal é amor – continua a Ritinha, indiferente ao comentário jocoso do pai – embora todos gostem de receber presentes, o Natal está para além das prendas e mais agora que estás sem trabalho. E para mim até é uma chatice! Faço anos no dia 23 e é como se eu e Jesus fizéssemos anos com um dia de diferença. Mas ele já me disse que pode não ser bem assim, porque para os orto… ortod… ai… ortodoxos, o dia de nascimento dele é no dia 7 de janeiro, mas que isso não tem importância nenhuma. Para mim, eu faço numa noite e o Menino Jesus faz anos na noite a seguir, mas é chatice porque vocês sentem que me devem dar prendas num dia e logo no outro a seguir, por ser Natal. Mas a melhor prenda era mesmo o amor…

 – Ei… ei… espera lá! Estás a querer dizer que não gostamos de ti? – mostra-se admirada a mãe.

– Não, não fiques chateada. Não é bem isso. Tu até és uma das melhores mães que já tive. Mas vocês sabem bem que não me queriam…

– Não te queríamos? Que história é essa? – atalha o pai, perplexo, e vira-se para a mulher e diz-lhe – Ouve lá, o que é que andaste a meter na cabeça da miúda?

A Lúcia respondeu-lhe com uma pergunta, mas com ar zangado – Achas??? – Virou-se para a miúda e questiona – Mas eu… EU… sou a tua mãe! Quais mães é que estás para aí a falar?

– Já tive muitas. Acho que umas vinte, mas tinha que contar…

O João vira-se para mim, como que envergonhado, e diz em jeito de desculpa – Já viste isto? Eu dou em maluco! Esta miúda tem cá uma imaginação fértil… mas assusta-me… não sei por quê!

 – Vocês sabem bem! – insiste a criança, mentalmente evoluída e bem adulta, e continua – Eu não quero saber de televisão, jogos de computador, filmes, mesmo de bonecos que mexem… é tudo de um mundo imaginário e eu gosto de brincar à minha maneira, trabalhar a minha imaginação e não pensar como os outros ou com a cabeça dos outros. Vocês andam muito ocupados com a vossa vida. Ignoram-me ou ralham comigo por tudo e por nada. Desde sempre achaste que eu vim cedo de mais e empurraste para a mamã, para ela querer-me ou não. A mamã quis mas anda sempre atarefada. Eu às vezes quero falar, mas o Jesus diz-me para eu não ligar, para não julgar, não criticar… que Deus também não o faz. E diz-me para perdoar e ser amiga de vocês e da Ester do infantário, que às vezes bate-me por eu gritar quando brinco e por não obedecer. Mas quem se porta mal é ela, que devia ser castigada, embora os castigos não sirvam para nada e nem os castigos estão no plano de Deus. Dizemos que ela se chama “estérica”, por estar sempre aos gritos e maldisposta. Eu só não gosto é que me controlem a mente.

– A quê?! Oh João estás a ouvir bem? Também achas que fui eu que lhe ensinei estas coisas? – diz a mãe, que só não aparenta maior admiração por saber a filha que tem, desde que esta começou a falar.

 – Não digo de onde vim, mas vim de muito longe e agora há muitos meninos, como eu, que não querem continuar o vosso passado e receber a vossa educação. Queremos que seja tudo bem diferente, porque o mundo tem que ser diferente, não pode continuar assim e tudo começa nas escolas… – diz a Ritinha, até ser interrompida.

– Ouve lá… oh pirralha! Que mal tem a nossa educação? – diz o pai, a tentar exercer a sua influência.

– Acho que vocês são todos uns medrosos, para não dizer outra palavra mais feia… que foram preparados para obedecer. Ai… desculpa dizer isto… vê só, tu foste despedido e dizes que nem sabes por quê. Não foram honestos contigo e fica tudo bem… A mamã trabalha agora mais, ganha menos dinheiro e vem chateada para casa – deixa-se, por uns instantes, estar fixada no estarrecido pai e depois vira-se para a mãe – Sim, porque eu olho para a tua aura e fico preocupada. As cores estão mesmo esborratadas! Andas fraca, por causa de tudo isto… por causa do emprego, da comida, de não descansares, do stresse e de hábitos negativos. Assim és mais afetada pelas forças exteriores. Queres um conselho?

– Qual é? – diz a embasbacada mãe, como quem está à espera do conselho da vidente.

– Vai até ao lago onde andam os patos, no Parque da Paz, e senta-te um bocado debaixo do salgueiro. Vais ver que as dores de cabeça desaparecem num instante. E olha que o papá não está melhor. Sente-se mal por causa de não ter trabalho, depois complica tudo e não faz nada para se sentir bem. Nem lhe digo as cores que vejo. Se não chover de tarde, vão os dois passear de mão dada até ao Parque e… – vira-se para o pai e diz – senta-te debaixo de um pinheiro para purificar as energias negativas. Se chover, fiquem em casa a ouvir canto greg… greg… ai… gregoriano. Também faz bem e acalma.

Nós os três olhávamos uns para os outros, completamente rendidos, e eu por nada queria interromper aquela espantosa miúda, a fazer-me lembrar os incompreendidos mas espantosos génios que tocam complicadíssimas peças de piano ou de violino, apenas com 4 anos.

Como demos espaços à Ritinha, ela continuou fluentemente o seu discurso – Uma vez falava com o Menino Jesus e ele disse-me para imaginar um pirilampo numa noite escura de verão. Depois disse-me para imaginar o espetáculo dado por milhares de pirilampos todos juntos, deu-me um bocadinho de tempo para pensar… e perguntou-me: “achas que alguém quer saber do escuro?”. Na noite de Natal, não me vou importar com brinquedos. Adorava que nessa noite fôssemos três pirilampos. Oh primo careca, também podes vir – disse, dirigindo-se a mim e continuou – Ai… ai… se houvesse muitos mais pirilampos este Natal seria tão lindo!

© Jorge Nuno (2013)

10/12/2013

Pureza Especial

A pureza de coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Ela exclui todo o pensamento de egoísmo e de orgulho. Foi por isso que Jesus tomou a criança como símbolo dessa pureza, como a tomou por símbolo de humildade.
Allan Kardec [Hippolyte Léon Denizard Rivail] (1804 – 1869)
Educador, escritor e tradutor francês, 
notabilizando-se como descodificador do espiritismo 
ou Doutrina Espírita.

PUREZA ESPECIAL

Quando regressar à inocência de criança
E reviver uma sã pureza especial
Em resultado de compreensão profunda,
Serei divindade renascida de lembrança
E no esplendor da consciência espiritual
Um cocriador do mundo em que o amor abunda.


© Jorge Nuno (2013)

21/10/2013

Horizontes da Poesia V 2013

Horizontes da Poesia V 2013 coletânea em que surjo como coautor, 
apresentada em 20 de outubro de 2013, em Lisboa, 
no almoço-convívio de poetas de Horizontes da Poesia.

02/10/2013

Reinvenção da Humanidade



O que mais nos assusta é a nossa luz e não as nossas trevas.

Marianne Williamson (1952 - …)
Líder espiritual e escritora norte-americana, autora de dez livros bestsellers, entre eles “Regresso ao Amor”, de onde foi extraída a frase supracitada.


REINVENÇÃO DA HUMANIDADE
 
Não resistimos à tentação
Embalados pelo medo do desconhecido
E acomodamo-nos na sombra,
Como protetorado que nos acolhe
Em zona de conforto
Mas impede de ver mais longe.

Se renegarmos esse medo,
Manifestarmos a força do universo
Que sentimos dentro de nós
Com todo o seu potencial divino
E elevarmos a nossa luz,
Como sol ao meio dia,
A sombra desaparece
E tudo à volta resplandece
Num contágio radioso,
Junção de Céu e Terra,
Sendo nós os percussores
Da reinvenção da humanidade.

© Jorge Nuno (2013)