25/09/2012

Poema Sem Pés Nem Cabeça



POEMA SEM PÉS NEM CABEÇA

Posso ser cabeça de vento
Ou cabeça-de-alho-chocho,
Posso atirar-me de cabeça,
Enfiar o barrete na cabeça
E algumas vezes perder a cabeça.
Posso dar cabo da cabeça,
Dar com a cabeça nas paredes,
Andar com a cabeça à roda
Ou pôr a cabeça de molho,
Meter o que quero na cabeça,
Meter a cabeça onde quero,
Dizer o que me passa pela cabeça,
Dizer o que não me passa pela cabeça
E escrever sem pés nem cabeça!
Sabendo que cada cabeça sua sentença…
Vou para a cabeça do touro!
E assim, de cabeça levantada…
Mantendo a cabeça fria
E porque a poesia não é bicho-de-sete-cabeças…
Digo o que não passa pela cabeça dos outros
Com a certeza que serei cabeça de cartaz!

Almada, 24 de setembro de 2012
                  Jorge Nuno 

Obs: Este é um trabalho feito pelo Filó - o homem "inquieto" - personagem central do romance de ficção que desenvolvi, com a designação "As Animadas Tertúlias de Um Homem Inquieto" - romance a não perder!