19/08/2013

O Bem, O Mal, a Sombra e "Eu"



Caso as crianças fossem ensinadas a tomar consciência da sua sombra, partilhando até mesmo os seus pensamentos mais sombrios, perdoando-se por não serem “boas” o tempo todo, aprendendo a libertar os seus impulsos sombrios através de escapes saudáveis, infligir-se-iam muito menos danos à sociedade e ao ecossistema.

Deepak Chopra (1946 - ...)
Médico endocrinologista indiano, escritor e professor de Ayurveda (conhecimento médico desenvolvido na Índia há cerca de 7 mil anos, o que faz dele um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade), espiritualidade e medicina corpo-mente. Autor de mais de 25 livros de autoajuda (bestsellers), traduzidos em mais de 35 idiomas, tornou-se o mais conhecido divulgador da filosofia oriental no mundo ocidental.



O Bem, o Mal, a Sombra e “Eu”



Dos tempos do Gil Vicente ao atual,

Do Auto da Barca do Inferno

Aos infernos em que embarcamos,

Foi-me lançada a ideia

Impregnada de sistemas de valores

Na simplicidade da forma dualista,

Transformada em culpa terrível.



Se olho para o “bem” e “mal”

Como um problema eterno

(Se neles acreditamos),

Posso ver penumbra que medeia

A luz dos meus feitos criadores

E a minha sombra fatalista

Como uma oponente temível.



Tenho sim, o meu lado sombrio,

Aquilo que não quero ser, mas sou,

Aquilo que expõe as minhas falhas

E iludindo, me embala e seduz,

Faz-me até de mim próprio fugir,

Pelos destroços de ideais falhados

Alojados em espaço difícil de se viver.



Tenho sim, o meu lado de elogio,

Aquilo que sou… porque sou,

Aquilo que aviva, feito acendalhas

E atiça o meu recanto de luz,

Faz-me olhar de frente e sorrir

Pelos troféus de ideais conquistados

Alojados em espaço bonito de se ver.



Sei que a sombra ganha poder

Pelo poder que eu lhe confiro,

E tenho o poder de assumir

Que essa força não persiste.

Ponho fim à contrariedade…

E irei fazê-la resplandecer,

Com a força que o Universo me deu.



Se o “bem” e “mal” não reconhecer,

Deixo de sentir o que transfiro

E fico simplesmente a sentir

Que a dualidade já não existe,

Que encontro nova identidade

Reconvertida em novo ser

E asseguro que tenho apenas um “eu”.



© Jorge Nuno (2013)