30/09/2013

Feridas



"Na altura em que a razão é capaz de compreender o sucedido, as feridas no coração já são demasiado profundas."



Carlos Ruiz Zafón (1964 - …)

Escritor espanhol, argumentista para cinema e colaborador de dois jornais espanhóis, a residir nos Estados Unidos da América, tem vários romances publicados, alguns deles em 30 idiomas em 45 países, o que faz dele um dos mais bem sucedidos escritores contemporâneos de Espanha.



FERIDAS



Feridas abertas

Expostas ao suposto tempo fecundo

No insano desleixo, sem saber,

Acabam anestesiadas e fazem crer

Na presunção que o tempo tudo cura.



Feridas suturadas

Tratadas com desvelo profundo

Que o propósito deixa antever,

Por mais que esteja a doer,

Que se encurta o tempo da cura.



Feridas mal cicatrizadas

Como ferros que queimam fundo

Vísceras entranhadas no ser,

Martirizam com agonia, ao fazer sofrer,

Onde parece que não há tempo que as cure.



Mas há feridas que só existem

Pela forma como se encara o mundo,

Que se deixam imprudentemente desenvolver,

Feridas que outros não conseguem ver,

E apenas é preciso tempo… para mudar a mente.



© Jorge Nuno (2013)