18/01/2014

O Loiro de Massarelos



Viva, ria e ame. Brilhe como a estrela que é.

                                                 Greg Heart



O LOIRO DE MASSARELOS



Está na casa dos trinta

Um loiro de médio porte,

Uma figura apagada.

A timidez bem o finta

A este rapaz do norte,

Ainda sem namorada.



Trabalha na Fundição

Percebendo do metal

Que faz os muitos talheres.

Fechou sempre o coração

Nem viveu amor carnal…

Nem percebe de mulheres.



Ouviu na rua Vilar

Um piropo da vizinha

Que faz corar qualquer um:

“Oh febra… bais debágar…

Tu tães tãota carninha

E eu aqui em jejum!”



E continuou na rua

Com seu forte desafio

Que o fez atrapalhar:

“Habias de me ber nua,

Isto num cheira a bafio…

E não te bais lamentar!”



Meteu-lhe o braço a preceito,

Qual casal a passear

E ele ficou sem voz.

Via-se que tinha jeito…

No chaço viu-se levar

Conduzida até à Foz.



De tanto olharem o mar…

Cansada de estar em branco

Diz-lhe com ar destravado:

“Hoube lá!... Tães c’abãoçar!

Nãe q’encoste aqui o bãoco,

P’ra ficar em rebuçado!”



Quando ouve em avançar,

O loiro de Massarelos

Mete a mão na manete.

Ao joelho vai parar

Sobre collants amarelos…

Dá um “ai” a Graciete.



E no calor do momento…

“Bês, carago!... Tu abãoça!...

Bêe… num importa p’ra onde!”

Põe o carro em andamento

E diz ele, sem pujança:

“Bamos a Bila do Conde?”



© Jorge Nuno (2014)