07/05/2012

... E o Coelhinho Saiu da Toca!...

… E O COELHINHO SAIU DA TOCA!...

 … E o coelhinho saiu da toca!...
Podia ser este o princípio da história,
Mas vamos devagar… pois este será o fim
Em que sai aclamado… em louvores.
O coelhinho não saía da toca…
Teria medo de ser bem sucedido ou da vã glória?
Receios infundados do caminho, do capim?
Ou julgava-se incapaz de enfrentar os predadores?
Estava inseguro e insatisfeito com tal imagem,
Só via escuridão e uma ténue luz ao fundo,
Tinha sopros ao ouvido, mas faltava-lhe coragem.
Sem ousadia, não conquistaria o mundo!
Até que um dia, de forma inesperada e com garra,
Ao pensar saciar-se nas límpidas águas das fontes
O coelhinho rompeu a amarra
E resolveu rasgar horizontes.
Refeito do primeiro passo, hesitante,
Saltou, correu pelos verdes prados,
Descobriu um mundo extasiante
De experiências novas, criatividade e saberes partilhados.
Eufórico, vibrante, tenaz, capaz de tudo mudar,
O seu estado de alma – nunca antes se sentira assim –
Levou-o, candidamente, a pensar em voar!
Para isso, entendeu que bastaria um Plim!...
Como um toque de varinha mágica,
Eis que o coelhinho voava… voava…,
Sem se saber de onde vinha esta lógica.
Seria truque de cartola ou algo mais forte o elevava?
Não sei se por divinas centelhas…
Garanto: ninguém o puxou ou atirou pelas orelhas!

Tal como o coelhinho (que finalmente saiu da toca e até conseguiu voar!)…

Devemos ir atrás dos nossos sonhos
(Evitando a revelação a quem vive de pesadelos),
Acabar de vez com pensamentos tristonhos,
Criar uma bela aura sobre os nossos cabelos,
Tirar da gaveta projetos adiados,
Exorcizar os nossos fantasmas febris,
Deixar fluir as ideias, ser ousados,
Acrescentar à nossa história um final feliz!


                                                           Almada, 29 de abril de 2012

                                                            Jorge Nuno