24/05/2012

Ensaio sobre a Aplicação do Novo A.O.



ENSAIO SOBRE A APLICAÇÃO DO NOVO A.O.

Ortografia… quem diria, polémico tema!
Metade protesta, contesta, em defesa da conservação,
Em desacordo com o novo acordo.
Para outra metade, bater-se é o lema,
Pugnando pela sua alteração.
Quer-se um código ortográfico único
Válido para todo o espaço lusófono.
Entende-se a pertinência da questão,
Não só pelo interesse dos editores brasileiros.
Dizem que há o prestígio da língua e a até a sua expansão!...
Como se se tratasse de um produto exportável (?)
Para compensar a redução da exportação de cortiça e conservas!
São tantas as patranhas… esta é mais em uma que caio.
Contextualizado, vamos então ao pequeno ensaio!

O primeiro-ministro está rijo que nem um pero!
Otimista, parece estar num mundo mais-que-perfeito,
Que afinal também é cor-de-rosa.
Alguns pensam que ele é ultrassensível,
E até, pasme-se, ultrarromântico!
Está em autoaprendizagem e tem superproteção.
Mas o país está ao deus-dará e ele a ficar malvisto…
Há quem diga que foi bem-criado e que agora é malcriado,
Toma medidas a conta-gotas e o país na bancarrota.
Tomou medidas antissociais e acabou-se o pé-de-meia,
Vai ao bolso do contribuinte, com retroatividade.
São medidas antieconómicas, mas não anti-inflacionárias,
Com ministros que dão contraordens, coautores de asneira.
Com ajuda desta escrita excecional, já nem se sabe o que preveem.
Podem fazer um autorretrato, mas ficam mal no porta-retratos!

Quanto aos portugueses… já não creem nem descreem,
Mesmo naquilo que veem ou no que leem,
Pouco lhes importa se são bem-mandados ou malmandados.
Mostram pouco afeto, ainda que alguns tenham um teto.
É alarmante a fome e o número dos sem-abrigo.
É um problema do arco-da-velha, com ou sem subjetividade.
E o povo continua a ir na lenga-lenga…
Toca reco-reco e papa-hóstias (não que seja antirreligioso!).
É incapaz de autoafirmar-se e perdeu a autoestima.
Não há mesmo contraofensiva neste microssistema!

Posso ser um neoexpressionista, com minicurrículo,
Não sou antipatriota e nem estou mal-humorado,
Sou capaz de bem-dizer… o que para outros é maldizer.
Posso ter muitas dúvidas, mas sei neste exato momento:
- Que estamos a perder o comboio, como o comboio perdeu o acento,
- Sei que o meu gato Jacob, também se pode chamar Jacó,
- E sei também, perentoriamente, que na corrupção não se mexe,
Porque os corruptos continuam, debaixo da bandeira desfraldada ao vento!

Bragança, 24 de maio de 2012
Jorge Nuno