16/06/2012

Abrenuntio Satanae! (Ou o Poema do AB)


ABRENUNTIO SATANAE! (OU O POEMA DO AB)

Povo absorto, pareces abajoujado…
Precisas de um abanão! Abalança-te!
Há abandalhamento do teu país
E tu abandonaste o teu posto de vigia!
Não vês que para uns é abastança
E para outros é abastardamento?
Não te sentes abatido com isso?
Eu sei que o abcesso é profundo…
O pus virulento alastrou e decerto te abalou.
É que tu abdicaste…
E a abdominia dos graúdos instalou-se,
Abocanhando o que deixaste abocanhar!
E não digas que te estou a abesoirar!...
Para que saias, em absoluto, da abstinência
E tenhas um pouco mais de abundância,
Renuncia à abstenção!
Deixa de andar abstrato…
Pois é absurda essa atitude.
Acaba de vez com os abutres,
Senão isto não abranda.
Reconheces que há diferenças abismais entre ti e eles!
Podem não parecer, mas sabes que eles são gente abjeta,
Abalroam a tua casa e levam os teus bens,
Ficando tu um sem-abrigo
E eles com os bolsos a abarrotar!
E pior, abastecem-se quanto e quando querem!
Aqui, a abnegação é o desapego, a renúncia.
Não abdiques dos teus valores.
Não deixes que haja abolição dos seus crimes.
Age, tem abertura mental.
Lembra-te do abraço fraterno ao cantar a Grândola.
Precisamos doutra abrilada
Para abrilhantar a mudança.
És um povo abençoado,
Podes ter o céu aberto,
Mas assim não há absolvição!
Não abrandes o passo…
Deixa esse ar de queixume silencioso e aborrecido
E faz a abordagem correta ao problema,
Porque viste que isto não vai lá com abaixo-assinados!
Decididamente, abre a boca, mesmo de forma abrupta ou abrutalhada.
Mexe-te, atua, abana-os… que estando podres caem.
Faz abortar os projetos mafiosos
Senão eles, definitivamente, abotoam-se com tudo!
(Abrenuntio Satanae!)

Bragança, 16 de junho de 2012
              Jorge Nuno